Para que um trabalho transcorra em paz, harmonia e equilíbrio, e
para que os guias espirituais possam atuar em benefício das pessoas e
trabalhar os seus problemas, é preciso que tronqueira esteja firmada,
porque assim, ativada, ela é um portal para o vazio relativo regido pelo
senhor Exu guardião ligado ao Orixá de frente do médium dirigente do
templo.
Um Exu guardião é assentado na tronqueira, e vários outros são
“firmados” dentro dela, sendo que estes estão ligados a outros senhores
Exus guardiões de reinos e de domínios regidos por outros Orixás.
Os outros não podem ser assentados, senão dois vazios relativos se
abrem “ao redor” do espaço espiritual “interno” do templo, e a ação de
um interfere na do outro.
Um só Exu guardião é assentado, e todos os outros são só
“firmados” na tronqueira, pois, se dois forem assentados na mesma, a
ação de um interferirá na ação do outro vazio relativo aberto no “lado
de fora” do templo.
Assentar o Exu e a Pombagira
guardiã no mesmo cômodo ou “casa de esquerda” é aceitável, porque o
campo de ação dele se abre no “lado de fora” e o campo dela abre-se para
dentro do “lado de dentro” do templo, criando apolarização com o campo
do Exu guardião.
. O campo do Exu guardião é o vazio relativo que se abre no lado de fora do espaço espiritual interno do templo.
. O campo da Pombagira guardiã é o “abismo” que se abre para “dentro”, a partir do espaço espiritual interno do templo.
. Esses dois Orixás são indispensáveis para o equilíbrio de um
trabalho espiritual, porque um atua por fora e o outro atua por dentro
do templo.
. Um se abre para fora, repetindo o mistério das realidades, e o outro se abre para dentro, repetindo o mistério das dimensões.
. Exu retira do “espaço infinito” tudo e todos que estiverem gerando desequilíbrio ou causando desarmonia.
. Pombagira recolhe ao âmago do espaço infinito tudo e todos que o estiverem desarmonizando.
São duas formas parecidas de atuação, mas Exu retira, e Pombagira interioriza.
Comparando o espaço infinito com um vulcão, Exu seria o ato de
erupção, quando ele descarrega a intensa pressão interna. Já a ação de
Pombagira, seria a das rachaduras internas , que a pressão abre dentro
da crosta, nas quais correm e acumulam-se toneladas de lava vulcânica,
que se acomodam e, lentamente, se resfriam e se cristalizam, gerando
enormes acúmulos de minérios e cristais de rochas.
Exu e Pombagira
são indispensáveis aos trabalhos espirituais, porque junto com os
consulentes vêm todas as suas cargas energéticas e vibratórias
negativas; suas cargas espirituais e elementais que sobrecarregam o
espaço espiritual interno, que deve ter essas duas “válvulas” de escape
funcionando em perfeita sintonia e sincronizadas com todo o trabalho que
está sendo realizado pelos guias espirituais.
Se essas “válvulas” estiverem funcionando bem, o trabalho
realizado não sobrecarregará os guias espirituais que trabalharam pelas
pessoas. Porém se não funcionarem corretamente, eles terão que recolher
todas as sobrecargas e irem descarregando-as lentamente nos pontos de
forças da natureza, mas à custa de muitos esforços.
Portanto, com isso entendido, esperamos que os umbandistas
entendam o porquê de terem que firmar seu Exu e sua Pombagira antes de
abrirem seus trabalhos espirituais.
Exu e Pombagira geram muitos fatores e executam muitas funções na
Criação e, em algumas dessas funções, formam linhas de trabalhos
espirituais.
Eles também formam pares. Em algumas ocasiões são
complementares; em outras, são opostos; em outras, são
complementares e opostos ao mesmo tempo.
Só pelas suas funções aqui já descritas, tornam-se indispensáveis à
paz, à harmonia e ao equilíbrio dos trabalhos espirituais realizados
pelos médiuns umbandistas, tanto os realizados dentro dos centros quanto
os realizados fora dele.
Afinal, não são poucos os médiuns que, movidos pela bondade, vão
até a residência de pessoas com graves problemas ou demandas para
ajudá-las e, por não tomarem a precaução de firmar Exu e Pombagira antes
de trabalhar para elas, ao invés de ajudá-las realmente, só pegam
cargas que irão desequilibrá-los também.
Para se fazer um bom trabalho na residência de alguém, assim que
chegar, deve-se ir até o quintal, riscar um ponto de Exu, colocar um
copo com pinga, firmar as velas nos seus pólos mágicos e invocar o Orixá
Exu e o seu Exu guardião, pedindo-lhes que descarreguem todas as
sobrecargas e recolham todas as demandas feitas contra os moradores da
casa e até contra ela.
O mesmo deve ser feito com Pombagira para que, só então, o médium
comece a trabalhar espiritualmente, porque, aí sim, todas as cargas e
demandas terão por onde ser descarregadas. E mesmo as entidades
negativas que tiverem de ser transportadas para que recolham suas
projeções negativas virão de forma ordenada e equilibrada, não causando
nenhum problema durante o trabalho.
Quando se vai com alguém na natureza para descarregá-lo, tanto o
médium deve firmar suas forças em sua casa como deve, pelo menos, firmar
Exu ou Pombagira no campo vibratório escolhido, para não ter
contratempo algum durante o trabalho de descarr ego na natureza.
São medidas indispensáveis para que um bom trabalho seja realizado e tudo transcorra em paz.
Espero ter conseguido transmitir os fundamentos necessários para
que o ato de “firmar” a esquerda não seja mal interpretado, e sim visto
como indispensável para que bons trabalhos sempre sejam realizados,
tanto em benefício próprio quanto dos nossos semelhantes.
Fonte:mistérios de umbanda