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terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Os Guias Espirituais e a missão da Umbanda


Por Rubens Saraceni
Nós sabemos que o ato de incorporar espíritos acontece desde os primórdios da humanidade sendo que tanto acontecem incorporações controladas quanto totalmente fora de controle.
As incorporações controladas acontecem dentro de trabalhos mágico-religiosos, também tão antigos quanto a humanidade, não sendo privilégio da Umbanda reproduzir regularmente este fenômeno mediúnico, porque povos muito antigos e que desconhecem a existência da Umbanda já praticam há milênios a incorporação controlada de espíritos ainda que elas se mostrem menos elaboradas que na Umbanda, pois esta ritualizou e diferenciou a incorporação.
Já as incorporações descontroladas vêm acontecendo desde os primórdios da humanidade e não está limitada a um ou outro povo porque acontece em todos os lugares sendo que nem sempre foi aceita como tal e sim se atribuiu a este fenômeno a denominação de loucura, segregando estas pessoas de suas famílias e da sociedade porque, quando possuídas tornam-se incontroláveis.
A incorporação ou possessão descontrolada de espíritos foi explicada no decorrer dos
tempos por todas as religiões e cada uma a descreveu segundo o seu entendimento sobre o assunto, com cada uma desenvolvendo um formulário mágico-ritualístico para lidar com este fenômeno.
Ainda hoje, em pleno século XXI, vemos algumas religiões lidando com este fenômeno
de um modo arcaico e já ultrapassado, pois desde o advento de Allan Kardec e do espiritismo essas possessões foram muito bem explicadas e colocadas à disposição de todos, facilitando a compreensão da mediunidade, que não tem nada a ver com a existência de um suposto “diabo” tão poderoso e oposto a Deus que vive atentando as pessoas e possuindo-as para levá-las para o inferno.
Hoje, graças ao trabalho de Allan Kardec compreendemos perfeitamente estas possessões descontroladas e até podemos auxiliar médiuns possuídos por espíritos vingativos a lidarem com esta faculdade mediúnica livrando-os do sofrimento ao qual estavam submetidos.
Então, que fique bem claro para todos que não existe uma só religião para auxiliar pessoas com desequilíbrios acentuados em suas faculdades mediúnicas.
Para uma correta compreensão da possessão descontrolada temos que:
1º Acreditar na imortalidade do espírito.
2º Acreditar que se muitos evoluem no plano material e desenvolvem um elevado estado de consciência que os conduz a planos espirituais luminosos também acontece a regressão consciencial que conduz muitos espíritos a planos espirituais escuros retendo-os para que, no arrependimento corrijam-se.
3º Também sabemos que, assim como muitos espíritos que evoluíram agradecem a Deus e colocam-se como auxiliares dos que reencarnam, muitos dos espíritos que regrediram consciencialmente revoltam-se contra Deus e tornam-se perseguidores dos espíritos encarnados e principalmente daqueles que eles acham que são os responsáveis pelas suas quedas.
4º Esses espíritos “caídos” formam numerosas hordas de afins que sentem prazer em desencaminhar os espíritos retidos nas faixas vibratórias negativas, desenvolvendo neles a revolta contra Deus e a busca de vingança contra seus desafetos ou inimigos ainda encarnados ou não.
Pois bem, como isto já foi muito bem descrito por Allan Kardec, que criou um sistema de lidar com estes espíritos dando origem ao espiritismo então precisamos compreender o contexto onde se insere a Umbanda, que adotou muitos dos conhecimentos trazidos por Allan Kardec, mas adaptou-os em uma forma diferente de utilizá-los.
Se no início do século XX o espiritismo estava em plena expansão desenvolvendo um trabalho muito grande de auxílio às pessoas obsediadas por seus algozes espirituais, no entanto eles se deparavam com a imensa quantidade de pessoas que não estavam sofrendo obsessão, mas sim eram vítimas das mais diversas modalidades de magia negativa praticadas aqui no plano material por pessoas conhecedoras delas e que recorriam a elas para se vingarem dos seus desafetos ou inimigos encarnados.
Com as possessões ou obsessões o espiritismo lutava muito bem, mas, com as magias negativas englobadas no nome “magia negra” não possuíam os recursos mágicos necessários para anulá-las e libertar as pessoas de ações muito bem direcionadas para destruí-las.
Voltando no tempo nós encontramos em todos os continentes varias religiões, muitas
delas já desaparecidas, que tinham a magia positiva ou “branca”, que era recurso para
anularem as ações mágicas negativas e livrarem as pessoas vitimadas por elas dos sofrimentos que elas lhes acarretavam.
Mas muitas destas antigas religiões que tinham na magia positiva o antídoto correto contra a magia negativa haviam desaparecido quase por completo, só restando poucos conhecedores profundos da verdadeira magia delas. Então o plano espiritual se movimentou para criar, nos moldes do espiritismo, uma nova religião que teria na magia um poderoso recurso para auxiliar pessoas vitimadas pelos que recorriam à magia negra para atingi-los.
O pouco que havia restado dessas antigas religiões estava refém de algumas pessoas que não se limitavam só a prática da magia branca e sim, dependendo da recompensa também realizavam magias nefastas ao gosto dos seus contratantes.
Porque eram muitos os que procuravam este tipo de acerto de contas com seus desafetos ou inimigos, muito era o sofrimento das pessoas vitimadas por elas e que, se não podiam pagar para quem sabia desmanchá-las, ficavam sofrendo sem ter a quem recorrer, pois tanto a feitiçaria indígena praticada aqui no Brasil quanto a europeia e a africana, etc., não fazem distinção na sua prática e sim, tanto a realizam para o bem quanto para o mal sendo que seus praticantes atribuem a responsabilidade por elas aos que os contratam, eximindo-se de qualquer culpa.
Diante desse quadro sombrio foi que a espiritualidade superior se organizou para criar uma religião nos moldes do espiritismo, voltada para a prática da magia branca, com uma dinâmica própria para se contrapor à prática da magia negra.
Assim como a prática da magia negra envia para as faixas negativas os seus praticantes, a magia branca envia para as faixas positivas os praticantes dela.
E foi entre os espíritos praticantes da magia branca que essa nova religião ressonou mais intensamente atraindo muitos milhares deles que aceitaram organizar-se para, através da incorporação mediúnica controlada, começarem a ajudar as pessoas vítimas de magias negras.
Espíritos de grande evolução arregimentaram muitos milhares de outros que já seguiam suas orientações e diante dos Sagrados Orixás assumiram o compromisso de, dentro da nova religião, criarem linhas de trabalhos espirituais que ligadas e regidas pelos Orixás formariam a espinha dorsal da nova religião denominada inicialmente de Linha Branca de Umbanda e Demanda.
Esses espíritos de grande evolução arregimentaram muitos milhares de outros espíritos também conhecedores da magia e que, em suas últimas encarnações haviam pertencido a várias religiões e povos diferentes, inclusive praticavam de formas diferentes suas ações e, que quando começaram a incorporar solicitavam dos
seus médiuns elementos de magia diversificados.
Uns trabalhavam com ervas, outros com velas, outros com colares, outros com pontos riscados, outros com fitas, linhas e cordões, outros com bebidas, outros com pós, etc. criando em pouco tempo um vasto formulário mágico umbandista que, se usava os mesmos elementos usados em outras religiões mágico-religiosas, no entanto davam a estes elementos uma utilização diferente e isto causou espanto nos tradicionalistas que, desconhecendo o poder mágico dos guias de Umbanda achavam que a nova religião agia de forma profana com elementos de magia tidos como sagrados para eles.
Na verdade, não são os elementos que contêm poderes em si mesmos e sim eles estão nas mãos dos espíritos guias de Umbanda que os manipulam segundo a necessidade das pessoas que os consultam e eles, livres de qualquer convencionalismo ou ritualismo os manipulam o tempo todo sem se preocuparem com o que deles falem quem duvida dos seus poderes mágicos.
Portanto a nova religião criada com o nome de Umbanda diferencia-se do espiritismo tradicional, ainda que se sirva dos seus conhecimentos, e diferencia-se dos tradicionais cultos afros e ameríndios brasileiros porque ainda que se sirva das suas nomenclaturas ou iconografia, no entanto deu a elas uma nova utilização e entendimento visando facilitar seus trabalhos mágico-religiosos em benefício das pessoas vitimadas por nefastas magias negativas.
Esta simplificação na manipulação dos elementos de magia e de culto e acesso as Divindades é o que diferencia a Umbanda do moderno espiritismo e das antiguíssimas
religiões mágicas e engana-se quem pensa que todos os espíritos são iguais, pois há aqueles que não são capazes de uma única ação mágica e há os que têm um grande poder de realização desenvolvido quando ainda viviam no plano material e que foram aperfeiçoados depois que desencarnaram e que, já livres das limitações do corpo biológico sentiram-se aptos a ampararem muitas pessoas ao mesmo tempo, trabalho este que podem realizar após ingressarem em alguma linha de trabalhos espirituais umbandistas.
Não houve o acaso na criação da Umbanda e ela atendeu a um clamor dos espíritos altamente evoluídos direcionado a Deus para que Ele lhes facultasse uma via religiosa afim com suas formações passadas onde, ainda no plano material, já se dedicavam a amparar e ajudar pessoas vitimadas por magias negativas ou perseguidas por seus inimigos espirituais.
Muitos, ao descreverem a criação da Umbanda limitam-se ao evento acontecido no lado material com o seu fundador pai Zélio Fernandino de Morais e não atinam com a sua real criação já acontecida no plano espiritual.
Portanto que nenhum médium umbandista se surpreenda com a forma dos seus guias trabalharem e não atribua a eles ignorância ou atraso religioso porque as ditas religiões mentalistas ou filosóficas não sabem como combater as ações mágicas negativas desencadeadas em grande parte por seguidores delas que buscam nessa modalidade de magia acertar suas contas pendentes com seus inimigos encarnados e, justamente por não saberem lidar de forma correta com a magia negra e com as hordas de espíritos trevosos que atormentam seus seguidores, preferem atribuir o sofrimento deles a um suposto diabo, oposto a Deus, do que reconhecerem que a prática do mal contra os seus semelhantes é inerente ao ser humano, mas que essas religiões não sabem como combater.
Matéria do Jornal Nacional de Umbanda

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

A popularidade de Pombagira


 Com a liberação da mulher, vieram a respon­sabilidade, os direitos e os deveres.  Pombagira popularizou-se com a expansão da Umbanda e dos demais cultos afro-brasileiros nos anos 60 e 70 do século XX e, em meio a multiplicidade de cultos com ela presente em todos, sua força era indiscutível e sue poder foi usufruído por todos os que iam se consultar com ela.  Não demorou a descobrirem que ela atendia a todos os pedidos, inclusive aos de “amarrações para o amor”, para “separação de casais” e outros pedidos bem terrenos dos humanos.
 Como ninguém se preocupou em fundamentá-la en­quanto Mistério da Criação e instrumento repressor da Lei Maior e da Justiça Divina, temidíssima justamente em um dos campos mais controvertidos da natureza dos seres, que é justamente o da sexualidade, eis que não foram pou­cas as pessoas que foram pedir o mal ao próximo e adqui­riram terríveis carmas, todos ligados aos relaciona­men­tos amorosos ou passionais.
Nada como pedir para as “moças da rua” coisas que não seriam muito bem vistas pelo “povo da direita”.
Assim, Pombagira tornou-se a ouvinte e conselheira de muitas pessoas com problemas nos seus relacio­namentos amorosos, procurando atender a maioria das solicitações, fixando em definitivo um arquétipo poderoso e acessível a todas as classes sociais.
Junto à explosão descontrolada das manifestações de Pombagiras, vieram os males congênitos, que acom­panham tudo o que é poderoso: os abusos em nome das entidades espirituais, tais como os pedidos de jóias e per­fumes caríssimos; de vestes ricas e enfeitadas, de oferendas e mais oferendas caríssimas; de assenta­men­tos luxuosos e os­tentativos; de cobrança por trabalhos realizados por elas, mas recebidos em espécie por encarnados, etc.
Pombagira também serviu de desculpa para que al­gumas pessoas atribuíssem a ela seus comportamentos no campo da sexualidade.
Ainda que hoje saibamos que elas são esgotadoras do íntimo das pessoas negativadas por causa de decep­ções e frustrações nos campos do amor, no entanto ainda hoje vemos um caso ou outro que atribuem à Pombagira o fato de vibrarem determinados desejos ou compulsões ligadas ao sexo.  Mas a verdade indica-nos exatamente o contrário disso, ou seja, a “mulher da rua” atua esgotando o íntimo de pes­soas e de espíritos vítimas de desequilíbrios emocionais ou conscienciais, pois essa é uma de suas muitas funções na Criação.

Texto extraído do livro “Orixá Pombagira”
de Rubens Saraceni, Editora Madras.

COMENTÁRIO SOBRE O CAMPO MEDIÚNICO DO MÉDIUM


(Rubens Saraceni - Teologia de Umbanda)
Todos sabem que um ser humano, uma planta, um mineral e muitos animais não racionais
possuem uma aura que os envolve, protegendo-os do meio exterior. Assim como sabemos que esta
aura também é refletora da energia interior dos corpos inanimados. Nos seres vivos, é a refletora
dos sentimentos e dos padrões energo-magnéticos e está intimamente relacionada com o campo
emocional.
O campo mediúnico inicia-se no corpo elementar básico e expande-se uniformemente ao
redor dele por aproximadamente uns trinta centímetros, e até uns setenta, no máximo. Este campo
mediúnico ou eletromagnético é comum a todos os seres humanos, independente de sua formação
cultural ou religiosa. E aqui nos limitaremos só aos seres humanos.
O fato é que este campo eletromagnético tem sua sede no mental, que é a “coroa” ou chacra
coronário, iniciando-se ao seu redor e derramando-se em torno do corpo elemental básico.
“Elemental” porque é elemento puro, e básico porque é o primeiro “corpo” que o ser humano teve
formado num estágio virginal onde evoluiu.
O campo mediúnico abre-se para o plano espiritual e é através dele que são estabelecidas
ligações magnéticas com o mundo espiritual.Este campo interpenetra outras dimensões, mas não as sente ou é sentido por quem vive
nelas. O mesmo acontece com os espíritos em relação ao plano material: atravessam paredes,
corpos, etc., sem alterar suas estruturas espirituais ou as estruturas físicas dos objetos tocados por
eles.
“No universo, tudo vibra e tudo é vibração.”
Logo, se tudo o que existe no plano material obedece ao padrão vibratório “atômico”, no plano
espiritual o padrão vibratório é o “etérico”. “Etérico”, de éter ou energia sutilizada a níveis
suprafísicos.
Em cada padrão vibratório específico, tudo se nos mostra regido pelas mesmas leis que
sustentam as formas no plano material: agregados energéticos que, por magnetismos específicos,
dão formação às massas ou corpos físicos.
Na dimensão onde vivem os espíritos, um magnetismo semelhante ao existente no plano
material também existe, e sustenta tudo o que nela possa existir. A única diferença está no
relacionamento energético e na mudança do padrão vibratório, tanto dos seres quanto das formas,
que são plasmadas a partir do éter.
Assim explicado, então saibam que todos nós temos um campo mediúnico que se abre para
muitas dimensões da vida, e que as interpenetram, ainda que disto não nos apercebamos, pois
nosso campo percepcional espiritual está graduado no mínimo para captar as vibrações exclusivas
da dimensão humana e no máximo para captar vibrações espirituais.
Mas este campo mediúnico interpenetra as dimensões ígneas, aquáticas, terrosas, eólicas,
mistas, cristalinas, minerais, vegetais, etc. se desenvolvermos conscientemente nosso rústico
percepcional, então podemos captar as energias circulantes que existem nelas e nos chegam de
forma sutil.
Este campo mediúnico que, à falta de palavras de melhor definição preferimos nominar de
“campo eletromagnético”, é justamente a nossa tela refletora onde as ligações invisíveis costumam
acontecer.
É neste campo pessoal dos seres humanos que se alojam focos vibratórios ou acúmulos
energéticos que refletem na aura e a rompem, alcançando o corpo energético ou mesmo o físico,
afetando a saúde. Se em um primeiro momento os padrões vibratórios são diferentes, no entanto,
tudo o que nele se alojou vai pouco a pouco sendo induzido pelo nosso magnetismo a adequar-se
ao nosso padrão pessoal. Aí começa a ser internalizado por magnetismo.
Isto é comum nos casos de obsessão espiritual, quando um ser não afim conosco aloja-se em nosso
campo eletromagnético.
O padrão vibratório do intruso é outro, só passamos a ser incomodados quando ele adequa
seu padrão ao nosso. Então suas vibrações mentais, conscientes ou não, interferem no nosso
mental através de nosso emocional conduzindo-nos a desequilíbrios energéticos profundos.
Estas interferências, se muito duradouras ou intensas, costumam nos desequilibrar de tal forma que
passamos a ter duas personalidades antagônicas num mesmo ser e um mesmo espaço mediúnico.
E, porque nosso corpo físico reage a estes estímulos vibrados pelo intruso alojado em nosso
campo eletromagnético, então começamos a sentir desequilíbrios (dores) no próprio corpo físico.
São as doenças não diagnosticadas pelos médicos.
Os “passes” ministrados por médiuns magnetizadores e doadores de energias têm como
função descarregar este campo dos acúmulos de energias negativas nele formados no decorrer do
tempo.
É por isso que os passes magnéticos são fundamentais num tratamento espiritual, pois os
mentores curadores precisam tem em seus pacientes este campo totalmente limpo, quando então
começam a operar no corpo energético, onde realizam cirurgias corretivas ou desobstruidoras,
chegando mesmo a retirarem “tumores” formados unicamente por energias negativas internalizadas
pelo corpo energético.
Só depois de equilibrarem o campo eletromagnético e o corpo energético dos seres é que os
mentores curadores atuam no corpo físico de seus pacientes encarnados, que a eles recorrem pois
realizam curas maravilhosas onde a limitada medicina falha.
É fundamental que saibam disso pois só assim entenderão o porquê dos passes realizados
em todos os centros espíritas ou de Umbanda: é para realizar a limpeza dos campos mediúnicos de
seus frequentadores.
Só que, enquanto nos centros espíritas usa-se o passe magnético, nos centros de Umbanda
também se recorre aos passes mágicos energéticos, quando são usados diversos materiais ( fumo,
água, ervas, pedras ou colares, etc.) que descarregam os acúmulos negativos alojados nesses
campos eletromagnéticos.
O uso de guias ou colares pelos médiuns tem esta função durante os trabalhos práticos: as
energias que vão sendo captadas, vão se condensando (agregando) às guias e não são absorvidas
pelos seus corpos energéticos, não os sobrecarregando e não os desarmonizando durante os
trabalhos espirituais.
Ervas e fumo, quando potencializadas com energias etéreas pelos mentores, também se
tornam poderosos limpadores de campos eletromagnéticos.
Enfim, existe toda uma ciência por trás de tais procedimentos dos espíritos que atuam no
Ritual de Umbanda Sagrada.
Pai Rubens Saraceni

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

OFERENDAS, PORQUE FAZÊ-LAS?


É muito comum ouvirmos os guias espirituais recomendando aos consulentes que façam
algum tipo de oferenda em algum campo vibratório da natureza para que possam ser ajudadas nas
mais diversas necessidades, sendo que nem sempre dão qualquer explicação sobre elas.
Também são comuns as pessoas que não sabem nada sobre o assunto
deixarem de fazê-las, seja porque não sabem, seja porque têm vergonha de
serem vistos fazendo-as ou porque não acreditam no poder delas auxilia-los.
E a isto ainda devemos acrescentar que muitos, por nunca terem feito
uma oferenda, acabam fazendo-as de forma errada e de pouca valia.
Antes de prosseguirmos vamos retornar no tempo e ver como era o campo das
oferendas há alguns milênios atrás, pois sem isto não é possível fundamentar
esse procedimento atualmente, quando já “evoluímos” tanto, certo?
Estudando as religiões antigas, muitas das quais já desaparecidas, o
habito de se fazer oferendas a Deus, a Divindades, a Poderes e Forças da
Natureza era comum a todas e cada uma delas possuía seus ritos próprios
para realiza-las, sendo que eram acompanhados de cantos sacros durante
suas feituras, assim como, seus realizadores se submetiam a atos de purificação corpórea e
espiritual antes de fazê-las.
Jejuns, banhos de purificação, rezas e defumações, abstinências e recolhimentos em algum
local sagrado, tudo isto era feito, sendo que algumas possuíam ritos elaboradíssimos que eram
seguidos à risca por aqueles que iriam realiza-las e por todos que delas se beneficiariam.
Cada religião e povo do passado possuía seu formulário de oferendas e tinham à disposição
muitos tipos de oferendas, cada uma para uma finalidade, mas com todas desenvolvidas pelos
responsáveis por estas antigas religiões.
Estudando a história das religiões e dos povos antigos, vemos que certas praticas ou ritos
ofertatórios eram datas nacionais respeitadíssimas e algumas duravam vários dias, durante os quais
não se trabalhava e todos se resguardavam, corporal e espiritualmente, para o momento tão
esperado, quando, finalmente, estariam diante de Deus ou de alguma de suas Divindades, muitas
vezes representada por um sacerdote ou sacerdotisa, paramentado como havia sido descrita a partir
da visão dela por algum clarividente, pois eles também existiram no passado, não sendo privilégio
recente da humanidade.
Estes ritos ofertatórios elaboradíssimos perduraram por milênios e só foram deixados de lado
parcialmente, porque as religiões que substituíram as antigas os reaproveitaram e, depois de
algumas alterações e substituições, continuaram a servir-se deles.
Isto já foi descrito por diversos estudiosos das antigas religiões, que encontraram similaridades em
praticamente todos os ritos cristãos e judaicos, com estes tendo assimilado vários deles da antiga
Religião Egípcia, praticada no tempo dos Faraós.
É claro que ninguém cita de onde se inspiraram para elaborar seus próprios ritos e todos
atribuem eles a uma comunicação com os mensageiros divinos, certo?
Mas, mesmo que isto seja verdade (e porque não?), o fato é que existe uma espinha dorsal,
uma linha mestra mesmo, para a formação das religiões e o “roteiro” seguido por todas vem se
repetindo sempre, com uma pessoa iluminada responsabilizando-se pela nova religião, confiada a
eles por mensageiros divinos ou espirituais, e isto não é novidade para os estudiosos das religiões e
de como cada uma começou aqui no plano material.
Reconhecemos que assim tem sido e que pessoas realmente iluminadas, incumbidas de
funda-las por mensageiros divinos ou espirituais, cumpriram seus compromissos renovadores da
religiosidade dos seus “rebanhos”.
Assim foi e sempre será, pois sem o amparo divino e espiritual nenhuma religião subsiste no
tempo e no espaço.Aqui, não queremos escrever um texto erudito e nem dar uma aula de história das religiões
para ninguém e, por isso mesmo recomendamos aos interessados no assunto que estudem nos
livros específicos, muito importantes para o nosso aprendizado e compreensão dessa espinha dorsal
formadora de novas religiões, pois o nosso propósito inicial é comentarmos sobre as oferendas.
Pois bem! O fato é que cada religião possui seus ritos ofertatórios, e ponto final!
A Umbanda, criada a partir de outras religiões e recebendo a influencia delas até pela
formação religiosa dos guias espirituais, oriundos de quase todas as que já existiram ou ainda estão
atuando na face da terra, desenvolveu todo um formulário de oferendas aos orixás, aos Guias
espirituais da Direita e da Esquerda, cobrindo boa parte das necessidades dos seus seguidores
nesse campo.
Vários autores já escreveram em seus livros vários tipos de oferendas para as mais diversas
forças espirituais ou poderes divinos, e isto não é novidade, certo?
Se o ato de se fazer oferendas é um habito ou procedimento religioso tão antigo quanto a
humanidade, porque ainda hoje esta pratica desperta polemicas ou celeumas calorosas entre os
prós os contra tais hábitos, com algumas (ou muitas) pessoas fazendo esta pergunta:
Será que Deus, que uma Divindade, que um Espírito iluminado precisa comer?
Aí esta o xis da questão, pois, se precisam ser alimentados por nós, então são tão fracos ou
frágeis quanto, certo?
Errado! Respondemos nós, que conhecemos o fundamento existente por traz de cada oferenda ou
ato ofertatório, muitos dos quais mentais ou comportamentais. Ou não é verdade que a
recomendação de um Guia espiritual para que uma pessoa mude algum habito para ser ajudado
exige dessa pessoa uma oferenda, que é justamente a oferenda sem volta do habito a ser mudado?
Renunciar a um hábito já arraigado no ser é uma oferenda caríssima e difícil de ser feita, sendo que
muitos se recusam a fazê-la e preferem continuar sofrendo para não mudar seus hábitos.
É muito mais fácil ser ajudado através de uma oferenda constituída de elementos entregues
em algum lugar do que através da renuncia de um hábito, não?
O fato é que determinados auxílios, só são possíveis se houver mudança de hábitos e outros
auxílios são possíveis só com o fornecimento de alguns elementos, que serão manipulados
energeticamente por quem os receber e que irá usar das energias elementares para realizar
diversas coisas em beneficio de quem faz a oferenda.
De fato, Deus, as Divindades e os Espíritos não precisam que lhes alimentemos porque não
vivem no plano da matéria, mas precisam que lhes forneçamos, através de um rito ofertatório,
portanto magico, os elementos específicos que manipularão energeticamente em nossos próprios
benefícios, nos suprindo com um padrão energético etéreo com as mais variadas finalidades, a
maioria delas desconhecidas por nós.
Comidas, bebidas, flores, frutas, sementes, doces, pós, etc., são manipulados através da
alquimia espiritual, realizando a limpeza e purificação do nosso corpo energético ou espiritual,
regenerando-o e devolvendo-lhe o equilíbrio e o bem estar, a saúde e a vitalidade, removendo de
dentro dele as sobrecargas energéticas negativas, os miasmas e larvas astrais, a maioria delas
atraídas e internalizadas por nós, devido nossas quedas vibracionais ou pela baixa qualidade dos
nossos pensamentos e sentimentos íntimos, a maioria prejudiciais ao nosso corpo e espirito.
Só ser a favor ou contra as práticas ofertatórias sem conhecer os fundamentos energéticos
existentes por traz delas não é recomendável.
Para ser a favor é preciso conhecer os seus fundamentos porque, aí sim, quando for fazer alguma
delas, o fará com respeito, zelo e concentração, obtendo um benefício ainda maior.
E ser contra só porque Deus, Suas Divindades e os Espíritos iluminados não precisam comer é
abdicar de um poderosíssimo recurso magístico, que é o que toda ação ofertatória é!
Concordar porque acredita que só dando umas flores, frutas, bebidas e outros elementos, irá
“comprar” os favores de Deus, de uma Divindade ou de um Espírito Iluminado e que será ajudado
por causa dessa troca extremamente favorável aos necessitados de auxilio é burrice, porque eles
não são corruptos como muitos seres encarnados são e que só fazem algo para alguém se receber
algo em troca.
Colocar um ato ofertatório desta maneira para as pessoas é proceder como os “médiuns” que
só ajudam seus semelhastes se forem bem remunerados. E como os há!
Mas discordar desse recurso, inspirado por Deus e por todas as Suas Divindades e
recomendados pelos Espíritos no decorrer dos tempos através das religiões é ignorar osfundamentos existentes por traz de cada ato ofertatório e nada saber como as Forças da Natureza e
os Poderes Divinos atuam em nosso benefício manipulando energias as elementares, tal como os
médicos ou farmacêuticos manipulam os remédios que curam nossas doenças físicas.
Para ser a favor ou contra alguém, contra algo ou alguma prática, antes é preciso conhecer
seus fundamentos, pois, não os conhecendo, não se esta àpto a posicionar-se ou a emitir juízos,
justamente porque os desconhece.
E falar por falar é pura “achologia”, que até pode servir para conversas fiadas, mas não serve
para nada e ainda presta um desserviço porque confunde quem não tem uma posição, mas acaba
sendo influenciado por juízos sem fundamentações corretas.
Não saber que este nosso corpo plasmático ou energético é todo constituído por energias
elementares em diversos padrões vibracionais, que pode ser afetado de diversas formas, a mais
comum é por nós mesmos, é aceitável.
Mas um umbandista não saber que, através de uma oferenda elementar, ele pode ser
regenerado pelas energias elementares manipuladas pelas foças da natureza ou espirituais em
nosso beneficio quando as oferendamos em seus campos vibratórios na natureza é desconhecer um
dos mais poderosos recursos colocados à nossa disposição pela espiritualidade.
E, só porque desconhece isso, ser contra o trabalho realizado através delas por muitos
milhares de Guias Espirituais que têm dedicado suas vidas a socorrer os encarnados, suprindo-lhes
muitas vezes com curas que nem a medicina consegue explicar e muito menos aceitar, é duvidar da
sabedoria espiritual, desenvolvida no decorrer dos tempos com as praticas magicas.
E, duvidar do trabalho desses abnegados trabalhadores astrais, que nada pedem em troca
do auxilio que prestam, nas tão somente pedem que os necessitados lhes forneçam os recursos
“magisticos” ou energéticos elementares que precisam para poderem ajuda-los, aí já é ignorância
mesmo!
Que ninguém faça uma oferenda só por fazer, mas que também não se fique contra elas se
não conhecem seus fundamentos ou seus benefícios.
Pai Rubens Saraceni
fonte: Jornalnacionaldaumbanda 
E-mail: contato@colegiodeumbanda.com.br

sábado, 6 de agosto de 2011

O “Passe Espírita” e o “Passe Umbandista”


Por Alexandre Cumino
“A um médium é solicitado que conheça o mínimo indispensável para que possa realizar as práticas de Umbanda e seus rituais. Também é exigido que estude um pouco, porque só assim, entenderá tudo o que acontece dentro de um templo de Umbanda durante a realização das giras de trabalho.” Rubens Saraceni1
A palavra “passe” tem origem no Espiritismo, codificado por Allan Kardec, e traz a idéia de “passar” ou “transmitir” algo a alguém. A doutrina codificada por Kardec tem base cristã e encontra no Evangelho as muitas passagens em que Jesus cura as pessoas e “expulsa” espíritos indesejados por meio da imposição de mãos. Algo que vamos encontrar em muitas outras culturas como a egípcia, a grega, a celta, a chinesa, a indiana ou em tradições indígenas e xamãnicas. Estudiosos do passado e do presente se debruçam sobre os fundamentos científicos das técnicas de “passe magnético”, desde Hermes Trimegistro, Fo-Hi, Asclépio, Pitágoras, Hipócrates, Paracelso, Van Helmont, Mesmer, Du Potet e outros.
Na obra de Allan Kardec vamos encontrar (A Gênese, Cap. XIV, 1:14, 15 e 18) a descrição dos “Fluidos” e sua manipulação:
Os Espíritos atuam sobre os fluidos espirituais, não os manipulando como os homens manipulam os gases, mas por meio do pensamento e da vontade. O pensamento e a vontade são para os Espíritos o que a mão é para os homens...
Pode-se dizer, sem receio de errar, que há nesses fluidos, ondas e raios de pensamentos, que se cruzam sem se confundirem, como há no ar ondas e raios sonoros...
O pensamento do encarnado atua sobre os fluidos espirituais como o dos desencarnados; transmite-se de Espírito a Espírito pelo mesmo veículo, e, conforme sua boa ou má qualidade, saneia ou vicia os fluidos circundantes...
No “Passe Espírita” o médium manipula estes fluidos por meio de técnicas que foram se desenvolvendo com o tempo. Aqui no Brasil devemos, principalmente, a Bezerra de Menezes e Edgard Armond, o método já consagrado e largamente utilizado em boa parte dos “Centros Espíritas”. A padronização dos passes e outras práticas doutrinárias... foram providências adotadas na Federação Espírita dos Estado de São Paulo para efetivar a unidade das práticas espíritas, assunto de alta relevância, levado ao Congresso de Unificação realizado em 1947 nesta Capital. Estas são as palavras que “prefaciam” o título Passes e Radiações: Métodos Espíritas de Cura de autoria de Edgard Armond, 1950. Podemos dizer que o conteúdo deste livro norteou e norteia até hoje o método e técnicas utilizadas no Espiritismo Brasileiro, em que o “Passe Magnético” subdivide-se por categorias como P1, P2, P3, P4. Além do Passe de Limpeza e da Auto Cura. A realização destes passes é feita por qualquer pessoa de boa vontade que tenha estudado o método, para algumas situações, no entanto é necessário certa sensibilidade ou Don mediúnico. A maioria dos métodos é explicada por uma corrente de energia/magnetismo e fluidos que estabelecem um circuito de forças entre “operador passista” e consulente (assistido). Dentro do processo são definidos alguns conceitos como a polaridade das mãos (direita = positiva,esquerda = negativa) e os centros de força, denominados de chacras por influência oriental, assim como a importância de um conhecimento básico sobre a fisiologia do corpo material e espiritual.
“Quando o Espírito é de elevada categoria, possui grande poder curativo, muito diferente e muito melhor que o que possui o magnetizador encarnado.” Edgard Armond2
O “Passe Umbandista” não é apenas um “passe magnético” ou material e sim um “Passe Espiritual”, aplicado por um espírito. Assim como Edgard Armond classificou diferentes métodos de aplicação do Passe Magnético para diferentes necessidades, também os espíritos que se manifestam na Umbanda aplicam métodos variados de acordo com a necessidade de cada consulente, dentro dos variados recursos que cada espírito guia entidade/mentor, possui. Sem esquecer que cada um recebe na medida de seu merecimento e afinidade, podendo um encarnado bloquear uma ação positiva direcionada a ele mesmo como conseqüência de sua postura mental. Pois muitos merecem, mas não estão abertos emocionalmente ou psicologicamente para receber o que a espiritualidade lhe oferece, por vários motivos como descrença, irritação, mentalidade critica e posturas interesseiras desfocadas de um objetivo espiritual.
O “Passe Umbandista”, para além de “Passe Espiritual”, pode ser definido como a aplicação de um conjunto de técnicas mágico-religiosas, além de explorar todos os recursos possíveis de imposição de mãos, utiliza elementos e técnicas variadas e até inusitadas.
“Porém, enquanto nos centros espíritas usa-se o passe magnético, nos centros de Umbanda também se recorre aos passes energéticos, quando são usados diversos materiais (fumo, água, ervas, pedras ou colares, etc.) que descarregam os acúmulos negativos alojados nesses campos eletro-magnéticos... Nem sempre o que parece folclore ou exibicionismo realmente o é. Se os mentores dos médiuns de Umbanda exigem determinados colares de pedras, eles sabem para que servem e dominam seu magnetismo, assim como as energias minerais cristalinas irradiadas pelas pedras. Ervas e fumo, quando potencializadas com energias etéreas pelos mentores, também se tornam poderosos limpadores de campos eletromagnéticos.”3
A finalidade é de alcançar maior êxito de acordo com as necessidades, o merecimento e os recursos disponíveis. Cada entidade tem a liberdade de aplicar a técnica que lhe aprouver, desde que dentro dos limites de ética, bom senso e respeito. Embora haja um conjunto de métodos e recursos característicos da Umbanda. Muitas entidades, em especial os pretos velhos, por exemplo, realizam o benzimento, que se distingue do “Passe Magnético”, por empregar uma ação mais relacionada ao poder do verbo, elementos e simbologia, considerada “Magia Popular”. Também é possível identificar métodos complexos de Magia Riscada (Magia de Pemba), abrindo espaços mágicos (Pontos Riscados) que muitas vezes lembram Mandalas do Hinduismo ou mesmo Fórmulas Cabalisticas da Real Arte Simbólica e Mística Hebraica entre outras práticas de Ocultismo e Hermetismo. Entre os elementos mais utilizados podemos identificar velas, água, óleo, pedras, essências, fumo, ervas, tecidos, ponteiros e a citada pemba (giz utilizado para traçar símbolos), dentro de um ambiente de terreiro, mágico-religioso por natureza. Nos métodos se observam rezas, orações, preces, evocações, invocações, determinações e fórmulas mágico-religiosas associadas a banhos, defumações, oferendas e outros.
Todos estes recursos estão mais ou menos associados ao “Passe Umbandista”, no qual se cria um ambiente de Som, Cores, Aromas e Luzes, capaz de inebriar de forma positiva todos os cinco sentidos do consulente a fim de conduzi-lo a certo estado de consciência desejado.
Durante o “Passe Umbandista” observamos a entidade espiritual fazer a imposição de mãos, segurar velas direcionadas aos chakras ou traçando movimentos no ar, colocam colares (guias) no pescoço do consulente ou o colocam dentro da mesma em circulo no chão. Atiram ponteiros em pontos riscados, fazem gestos rituais e movimentos com os pés e mãos que nos faz crer na “Magia Gestual”. Em meio a tantos recursos, que nos encantam e fascinam, nos chama a atenção, em especial, o estalar de dedos, bem característico em quase todas as linhas de trabalho. Muitas pesquisas e especulações já foram realizadas sobre esta prática, entre elas são identificadas as energias que existem na ponta de cada um dos dedos da mão, que são pequenos chakras ou vórtices de energia (“chacrinhas”), e, o “choque” vibratório desencadeado no ar quando o dedo médio estala sobre a região da mão chamada de “monte de Vênus”, causando vibração astral e sonora o que desperta certa energia dentro do campo em que está atuando. Este “Estalar de Energias” pode assumir contextos vaiados de acordo com o que esteja associado, por meio do pensamento ou movimentos. Além deste contexto pode-se usar o estalar de dedos como um simples gesto de descarregar as energias absorvidas pelas palmas das mãos. Um caboclo ou outro espírito guia eleva sua mão ao alto (ou ao lado) buscando certa energia que será irradiada ao consulente, num movimento rápido, ao mesmo tempo em que transmite esta energia positiva, retira os eflúvios negativos e os “descarrega” com um estalar de dedos. Os movimentos longitudinais, transversais e circulares também foram descritos na obra de Edgard Armond, em que: Os passes longitudinais movimentam os fluidos, os transversais os dispersam e os circulares e as imposições de mãos os concentram, o mesmo sucedendo com o sopro quente. Este último merecendo ainda um estudo à parte.
No entanto pode-se associar procedimentos mais ou menos magísticos com os mesmos, ou seja, a relação entre estalos e números com o poder de realização que cada um deles possui, aplicando-se seqüências de estalos que podem variar, por exemplo, de 2x3,3x3,4x3 ou ainda estalos que desenham formas geométricas no ar. Lembrando que a aplicação de símbolos associados a idéias e intenções, com suas respectivas invocações é a mais explicita “magia simbólica”, encontrada nas mais variadas culturas. Assim seqüências de estalos “desenham” no ar, cruzes, estrelas e círculos; firmando ou estabelecendo pontos e espaços vibratórios, aos quais podem ter função nesta realidade ou abrir portais para outras realidades.
Muito mais poderíamos escrever sobre o “Passe Umbandista” e seus recursos, no entanto não pretendemos em um único artigo esgotar o que é inesgotável. Fica aqui um comentário final sobre a importância do estudo, não para complicar o que é realizado de forma tão simples por nossos guias de Umbanda, mas com a finalidade de compreendermos o que eles realizam, com a consciência de que eles sim estudam e estudaram muito para realizar este trabalho espiritual. Não estudamos por um movimento do Ego ou para substituir a presença dos mesmos, mas para lhes oferecer maiores recursos psíquicos, espirituais e materiais. Estudamos para ver o quanto somos ainda “neófitos” (aprendizes) nesta senda, em que Caboclo (a), Preto Velho (a), Baiano (a), Boiadeiro (a), Marinheiro (a), Cigano (a), Exu e Pomba Gira são nossos Mestres.

1 Rubens Saraceni. Código de Umbanda. São Paulo: Ed. Madras, 2006. P.79
2 Edgard Armond. Passes e Radiações: Métodos Espíritas de Cura. São Paulo: Ed. Aliança, 1997. P. 85
3 Rubens Saraceni. Código de Umbanda. São Paulo: Ed. Madras, 2006. P. 101
Fonte:Jornal de Umbanda São Paulo, 15 de Novembro de 2010. Edição: 01

sábado, 30 de julho de 2011

INTOLERÂNCIA RELIGIOSA

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Nós, os praticantes
e os seguidores
dos cultos afro-brasileiros, temos sido criticados de
forma agressiva e intolerante desde que a Umbanda foi fundada e, se hoje são os néo pentecostais
que se destacam, antes eram os católicos que nos taxavam de “pagãos”, de atrasados, etc.
Tirando os excessos cometidos por pessoas despreparadas, ou mal preparadas para
conduzirem as nossas “giras”, os médiuns umbandistas vêm dando o melhor de si para auxiliarem
seus semelhantes com as mais diversas dificuldades, destacando-se entre elas as de fundo
espiritual.
Não foram e não são poucas as pessoas que abdicaram das comodidades da vida profana e
assumiram compromissos pelo resto de suas vidas com Deus e suas divindades só para poderem
desenvolver suas faculdades mediúnicas, ordená-las e doutrinarem-se, para poderem ajudar o
próximo, muitos também com problemas mediúnicos gravíssimos.
Mas, este imenso e luminoso trabalho de caridade espiritual não só não foi reconhecido, como
serviu para que os inimigos e os adversários da Umbanda (todos seguidores de outras religiões)
sempre procurassem qualquer erro ou falha de um dos nossos para negar-nos qualquer crédito pelo
auxílio prestado pela Umbanda aos necessitados.
E, de erro em erro, de falha em falha, de excesso em excesso, cometidos
por uma minoria,
mas nunca esquecidos ou relevados por nossos inimigos e adversários religiosos, a Umbanda (e
todos os outros cultos afros brasileiros) começaram a ser associados à prática do mal. Associação
esta feita por pessoas inteligentíssimas que dominam a neurolinguística e a lavagem cerebral das
pessoas necessitadas do auxílio espiritual que a nossa querida Umbanda pode dar-lhes sem nada
lhes exigir em troca.
Os nossos inimigos e nossos adversários,
só viram falhas e erros e só têm boca para criticar
e ofender-nos e para vilipendiarem a Umbanda e suas práticas espiritualistas. Nunca elogiaram
nossos acertos e nosso trabalho de caridade espiritual.
Criou-se um tal estado de intolerância que os adeptos mais exaltados do néo pentecostalismo
acham-se no direito de perseguirem os umbandistas até nos ambientes de trabalho profissional,
fazendo surgir no Brasil de todos os povos os ranços da intolerância inquisitorial e do nazi fascismo.
– Pessoas são desclassificadas para
empregos ou são dispensadas deles assim que os
empregadores e os “chefes” (já salvos) ficam sabendo que são umbandistas.
– Crianças são segregadas em escolas se assumirem que são umbandistas.
– Imóveis não são alugados se for para abrir neles um Centro de Umbanda.
– Casamentos são desfeitos se um dos cônjuges tiver ou quiser desenvolver sua mediunidade.
– Namoros com jovens umbandistas nem pensar, na cabeça dos “já salvos”.
– Morar no mesmo quintal ou prédio com umbandistas, que horror!
São tantas as intolerâncias
que, ou se oculta ou nega-se a crença em Olorum e nos
Sagrados Orixás para poder viver em paz e sem ser excluído, segregado e ofendido continuamente
só porque são médiuns.
Hoje, vivemos uma situação semelhante à do povo judeu na Europa pré-nazista, só nos
faltando um “Hitler” néo pentecostal assumir o poder para que aqui se comece a construir campos
de concentração para que esses loucos e desvairados nos aprisionem neles e, tal como Hitler fez
com os judeus, enviem-nos para câmaras de gás ou, tal como fizeram os inquisidores, queimem-nos
nas suas “fogueiras santas” que, de santas não têm nada.
Lamentavelmente, esse é o quadro que nos chega continuamente através de relatos de
irmãos umbandistas.
Mais do que nunca, é hora de darmos
provas de nossa fé e, tal como Daniel enfrentou os
leões com sua fé e sua submissão a Jeová, temos que enfrentar as “hienas famintas de poder” com
nossa fé e submissão a Olorum e aos Sagrados Orixás.
Não é hora de nos omitirmos ou de recuarmos em nossa fé, e sim, é hora de darmos nossa
prova de fé. Quanto às “hienas famintas de poder”, não se preocupem com elas, pois, tal como os
sanguinários leões mesopotâmicos, morrerão e irão para o inferno.
Tudo é questão de tempo, meus irmãos!
Pai Rubens Saraceni.
 
Jornalnacionaldaumbanda.com.br São Paulo, 25 de Julho de 2011.
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segunda-feira, 25 de julho de 2011

Pomba gira de Umbanda



Por Rubens Saraceni

Na Umbanda, a entidade espiritual que se manifesta incorporada em suas médiuns está fundamentada num arquétipo desenvolvido à partir da entidade Bombogira, originária do culto Angola.

Nos cultos tradicionais oriundos da Nigéria não havia a entidade Pombagira ou um Orixá que a fundamentasse.

Mas, quando da vinda dos nigerianos para o Brasil (isto por volta de 1800), estes aqui encontram-se com outros povos e culturas religiosas e assimilam a poderosa Bombogira angolana que, muito rapidamente, conquistou o respeito dos adoradores dos Orixás.

Com o passar do tempo a formosa e provocativa Bombogira conquistou um grau análogo ao de Exu e muitos passaram a chamá-la de Exu Feminino ou de mulher dele.

Mas ela, marota e astuta como só ela é, foi logo dizendo que era mulher de sete exus, uma para cada dia da semana, e, com isso, garantiu sua condição de superioridade e de independência.

Na verdade, num tempo em que as mulheres eram tratadas como inferiores aos homens e eram vítimas de maus tratos por parte dos seus companheiros, que só as queriam para lavar, passar, cozinhar e cuidar dos filhos, eis que uma entidade feminina baixava e extravasava o 'eu interior' feminino reprimido à força e dava vazão à sensualidade e à feminilidade subjugadoras do machismo, até dos mais inveterados machistas.

Pombagira foi logo no início de sua incorporação dizendo ao que viera e construiu um arquétipo forte, poderoso e subjugador do machismo ostentado por Exu e por todos os homens, vaidosos de sua força e poder sobre as mulheres.

Pombagira construiu o arquétipo da mulher livre das convenções sociais, liberal e liberada, exibicionista e provocante, insinuante e desbocada, sensual e libidinosa, quebrando todas as convenções que ensinavam que todos os espíritos tinham que ser certinhos e incorporarem de forma sisuda, respeitável e aceitável pelas pessoas e por membros de uma sociedade repressora da feminilidade.

Ela foi logo se apresentando como a "moça" da rua, apreciadora de um bom champagne e de uma saborosa cigarrilha, de batom e de lenços vermelhos provocantes.

"O batom realça os meus lábios, o rouge e os pós ressaltam minha condição de mulher livre e liberada de convenções sociais".

Escrachada e provocativa, ela mexeu com o imaginário popular e muitos a associaram à mulher da rua, à rameira oferecida , e ela não só não foi contra essa associação como até confirmou: "É isso mesmo"!

E todos se quedaram diante dela, de sua beleza, feminilidade e liberalidade, e como que encantados por sua força, conseguiram abrir-lhe o íntimo e confessarem-lhe que eram infelizes porque não tinham coragem de ser como elas.

Aí punham para fora seus recalques, suas frustrações, suas mágoas, tristezas e ressentimentos com os do sexo oposto.

E a todos ela ouviu com compreensão e a ninguém negou seus conselhos e sua ajuda num campo que domina como ninguém mais é capaz.

Sua desenvoltura e seu poder fascinam até os mais introvertidos que, diante dela, se abrem e confessam suas necessidades.

Quem não iria admirar e amar arquétipo tão humano e tão liberalizado de sentimentos reprimidos à custa de muito sofrimento?

Pombagira é isto. É um dos mistérios do nosso divino criador que rege sobre a sexualidade feminina. Critiquem-na os que se sentirem ofendidos com seu poderoso charme e poder de fascinação.

Amem-na e respeitem-na os que entendem que o arquétipo é liberador da feminilidade tão reprimida na nossa sociedade patriarcal onde a mulher é vista e tida para a cama e a mesa.

Mas ela foi logo dizendo: "Cama, só para o meu deleite e mesa, só se for regada a muito champagne e dos bons!

Com isso feito, críticas contrárias à parte, o fato é que o arquétipo se impôs e muita gente já foi auxiliada pelas "Moças da Rua", as companheiras de Exu.

A espiritualidade superior que arquitetou a Umbanda sinalizou à todos que não estava fechada para ninguém e que, tac como Cristo havia feito, também acolheria a mulher infiel, mal amada, frustrada e decepcionada com o sexo oposto e não encobriria com uma suposta religiosidade a hipocrisia das pessoas que, "por baixo dos panos", o que gostam mesmo é de tudo o que a Pombagira representa com seu poderoso arquétipo.

Aos hipócritas e aos falsos puritanos, pombagira mostra-lhes que, no íntimo, ela é a mulher de seus sonhos... ou pesadelos, provocando-o e desmascarando seu falso moralismo, seu pudor e seu constrangimento diante de algo que o assusta e o ameaça em sua posição de dominador.

Esse arquétipo forte e poderoso já pôs por terra muito falso moralismo, libertando muitas pessoas que, se Freud tivesse conhecido, não teria sido tão atormentado com suas descobertas sobre a personalidade oculta dos seres humanos.

Mas para azar dele e sorte nossa,  a Umbanda tem nas suas Pombagiras, ótimas psicólogas que, logo de cara, vão dando o diagnóstico e receitando os procedimentos para a cura das repressões e depressões íntimas.

Afinal, em se tratando de coisas íntimas e de intimidades, nesse campo ela é mestra e tem muito a nos ensinar.

Seus nomes, quando se apresentam, são simbólicos ou alusivos.

- Pombagira das Sete Encruzilhadas;

- Pombagira das Sete Praias;

- Pombagira das Sete Coroas;

- Pombagira das Sete Saias;

- Pombagira Dama da Noite;

- Pombagira Maria Molambo;

- Pombagira Maria Padilha;

- Pombagira das Almas;

- Pombagira dos Sete Véus;

- Pombagira Cigana; etc.

O simbolismo é típico da Umbanda porque na África, ele não existia e o seu arquétipo anterior era o de uma entidade feminina que iludia as pessoas e as levavam à perdição. Já na Umbanda, é o espírito que "baixa" em seu médium e, entre um gole de champagne e uma baforada de cigarrilha, orienta e ajuda a todos os que as respeitam e as amam, confiando-lhes seus segredos e suas necessidades. São ótimas psicólogas. E que psicólogas! "Salve as Moças da Rua"!

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Oferendas Básicas Umbandistas




Por Rubens Saraceni

Oferenda ao Orixá Oxalá
• Toalha ou pano de cor branca; • velas bran­cas; • frutas brancas (melão, goiaba, etc); • vinho bran­­co doce ou suave; • flo­res brancas (todas); • fitas bran­cas; • linhas brancas; • comidas bran­­­­cas (can­jica, arroz doce, coalhada adoci­ca­da, etc.); • pães; • mel; • farinha de trigo (para cir­cular e fechar por fora as oferen­das); • co­co seco e sua água colocada em co­pos; • co­co verde com uma tampa cortada e um pou­co de mel derramado dentro da sua água; • água em cálices ou copos; • pedras de cris­tais de quartzo branco (se for solici­tado); • pembas brancas (em pedra ou em pó); • milho verde em espiga, cru e ainda leitoso.

Oferenda ao Orixá Oxumaré
• Toalha ou pano de cor azul celeste; • velas brancas e azul celeste; • fitas brancas e fitas azul celeste (ou todas as cores); • linhas brancas e linhas azul celeste; • frutas sementeiras (melão, maracujá, mamão, pinha, etc.); • água em copos; • vinho branco seco; água adocicada com açucar ou mel; • flores coloridas; •coco verde; • licor ou suco de maracujá; • farinha de arroz (para circular e fechar a oferenda); • semente de feijão branco semicozidas e misturadas ao mel de abelhas; • açúcar, colocado em um prato branco e regado com mel de abelhas; • pembas coloridas.

Oferenda ao Orixá Oxóssi
• Toalha ou pano verde; • velas branca e verde; • fitas branca e verde; • linhas branca e verde; • frutas de qualquer espécie; • comidas (moranga cozida, milho verde em espiga e cozido, maçã cozida e regada com mel ou açucarada, doces cristalizados); • vinho tinto; cerveja branca; • sucos de frutas; • pembas brancas e verdes; • fubá (para circular e fechar a oferenda).

Oferenda para o Orixá Xangô
• Toalha ou pano marrom; • velas branca e marrom; • fitas branca e marrom; • linhas bran­ca e marrom; • frutas (abacaxi, melão, manga, melancia, figo, caqui, laranja, goiaba verme­lha); • vinho tinto seco; cerveja preta; • comidas (quiabos picados em rodelas e levemente co­zido, rabada cozida com cebolas cortadas em rodelas); • pembas branca, marrom e vermelha; • licor de chocolate.

Oferenda ao Orixá Ogum
• Toalha ou pano vermelho; • velas branca e vermelha; • fitas branca e vermelha; • linhas branca e vermelha; • cordões branco e verme­lho; • flores (cravo e palmas vermelhas); • frutas (melancia, laranja, pêra, goiaba vermelha, ameixa preta, abacaxi, uvas); • licor de gengibre; • cerveja branca; • pembas branca e vermelha; • comida (feijoada).

Oferenda para o Orixá Obaluaiê
• Toalha ou pano branco; • velas brancas; • fi­tas bran­­cas; • linhas brancas • flores (crisântemos bran­cos, quaresmeira); frutas (pinha, caqui e coco seco); • comidas (pipoca estalada, batata doce ro­xa cozida e regada com mel de abelha, beterraba co­zida e re-gada com mel; mandioca cortada em “toletes” cozida e açucarada; • bebidas (vinho bran­co licoroso, água em copos, licor de ambrósia); • pembas brancas.

Oferenda para o Orixá Oiá-Logunan (Tempo)
• Toalha ou pano branco; • velas branca e azul escuro; • fitas branca e azul escuro; • linhas branca e azul escuro; • pembas branca e azul; • copo ou quartinha com água; • licor de anis; • frutas (laranja, uva, caqui, amora, fi­go, romã, maracujá azedo); flores (do campo, palmas brancas, lírios brancos).


Oferenda para o Orixá Oxum
• Toalha ou pano dourado, azul e rosa; • velas rosa, amarela e azul; • fitas rosa, amarela e azul; • linhas rosa, amarela e azul; • pembas rosa, amarela e azul; • flores (rosas brancas, amarelas e vermelhas); • frutas (cereja, maçã, pêra, melancia, goiaba, framboesa, figo, pêssego, etc); • bebidas (champagne de maçã, de uva e licor de cereja).

Oferenda para o Orixá Omolu
• Toalhas ou panos branco e preto sobrepostos formando oito pontas ou bicos; • velas branca, preta e vemelha; • fitas branca, preta e vemelha; • linhas branca, preta e vemelha; • pembas branca, preta e vemelha • flores (crisântemos, flores do campo, rosas brancas); frutas (maracujá, ameixa preta, ingá, figo); • comidas (pipocas estaladas e regadas com mel, coco seco fatiado e regado com mel,  batata doce roxa cozida e regada com mel, bistecas ou fatias de carne de porco regadas com azeite de dendê; • bebidas (água em copos, vinho branco licoroso, licor de hortelã).

Oferenda para o Orixá Obá
• Toalha ou pano vermelho ou magenta; • velas vermelha ou magenta; • fitas vermelha ou magenta; • linhas vermelha ou magenta; • pembas vermelhas; • frutas (todas); bebidas (licor); • flores (do campo, jasmim, rosas vermelhas).

Oferenda para o Orixá Egunitá
• Toalha ou pano laranja; • velas laranja e ver­melha; • fitas laranja; • linhas laranja; • pem­bas laranja; • frutas (laranja, abacaxi, pi­tan­ga, caqui); bebidas (licor de menta, cham­pagne de sidra); • flores (palmas vermelhas).

Oferenda para o Orixá Iansã
• Toalha ou pano branco e amarelo; • velas branca e amarela; • fitas amarelas; • linhas amarelas; • pembas amarelas; • frutas (laranja, abacaxi, pitanga, uva, morango, ambrósia, melancia, melão amarelo, pêssego e goiaba vermelha); • bebidas (champagne de uva ou de sidra; • flores amarelas; • comidas (acarajé; abacaxi em calda, arroz-doce com bastante canela em pó por cima).

Oferenda para o Orixá Nana Boruquê
• Toalha ou panos lilás ou florido; • velas lilás; • fitas lilás; • linhas lilás; • pembas lilás; • flores (do campo, lírios e crisântemos); • frutas (uva, melão, manga, mamão, maracujá doce, framboesa, amora, figo); • bebidas (champagne rosé, vinho tinto suave, licor de amora, licor de framboesa, licor de morango).

Oferenda para o Orixá Iemanjá
• Toalhas branca ou azul claro; • velas branca ou azul claro; • fitas branca ou azul claro; • linhas branca ou azul claro; • pembas branca ou azul cla­ro; • flores (rosas brancas, palmas brancas, lírio branco) frutas (melão em fatias, cerejas, laranja lima, goiaba branca, framboesa); • bebidas (cham-pagne de uva e licor de ambrósia); • comidas (man-jares; peixes assados; arroz doce com bastante canela em pó).


Oferenda para o Orixá Exu
• Toalhas ou panos preto e vermelho; • velas pre­ta e vermelha; • fitas preta e vermelha; • li­nhas preta e vermelha; • pembas preta e ver­melha; • flores (cravo vermelho); • frutas (man­ga, mamão, limão); • bebidas (aguardente de ca­na de açúcar, whisky, conhaque) • comidas (fa­rofa com carne bovina ou com miúdos de frango, bifes de carne ou de fígado bovino fritos em azeite de dendê e com cebolas, bifes de carne ou de fígado bovino temperado com azeite de dendê e pimenta ardida).


Oferenda aos Pretos Velhos
• Toalha ou pano branco; • velas brancas; • fi­tas brancas; • linhas brancas; • pembas brancas; • frutas de todas as espécies; • bebidas (café, vinho doce, cerveja preta, água de coco, vinho branco licoroso); • flores (crisântemos brancos, margaridas, lírios brancos); • comidas (arroz doce, canjica, bolo de fubá de milho, milho cozido, doce de coco, doce de abóbora, doce de cidra, coco fatiado, quindim).

Oferenda aos Baianos
• Toalha ou pano branco (ou amarelo); • velas branca e amarela; • fitas branca e amarela; • linhas branca e amarela; • pembas branca e amarela; • frutas (coco, caqui, abacaxi, uva pêra, laranja, manga, mamão); • bebidas (batida de coco, de amendoim, pinga misturada com água de coco); • flores (flor do campo, cravo, palmas); • comidas (acarajé, bolo de milho, farofa, carne seca cozida e com cebola fatiada, quindim).

Oferenda aos Boiadeiros
• Toalha ou um pano (branco, vermelho, amarelo, azul-escuro, marrom); • velas branca, vermelha, amarela, azul-escura, marrom; • fitas branca, vermelha, amarela, azul-escura, marrom; • linhas branca, vermelha, amarela, azul-escura, marrom; • pembas branca, vermelha, amarela, azul-escura, marrom; • frutas (todas); • bebidas (vinho seco, aguardente, batidas, conhaque, licores); • flores (do campo, palmas, cravos); • comidas (feijoada, charque bem cozido, bolos).


Oferenda aos Marinheiros
• Toalha ou pano branco; • velas branca e azul cla­ro; • fitas branca e azul claro; • linhas branca e azul cla­ro; • pembas branca e azul claro; • flores (cravos bran­cos, palmas brancas); • frutas (várias); • comidas (peixes assados, peixes fritos, peixes cozidos, cama­rões, farofa com carne); • bebidas (rum, aguardente);


Oferenda para os Erês
• Velas branca, cor-de-rosa e azul claro; toalha ou panos cor-de-rosa e azul claro • fitas branca, cor-de-rosa e azul claro; • linhas branca, cor-de-rosa e azul claro; • flores (todas); • frutas (uva, pêssego, pêra, goiaba, maçã, morango, cerejas, ameixa ); • comidas (doces de frutas, arroz doce, cocadas, balas, bolos açucarados, quindins); • bebidas (refrigerantes, água de coco, suco de frutas);

Oferenda para os
Exus Mirins
• Toalhas ou panos preto e verme­lho; • velas bicolores preta e vermelha; • fitas preta e vermelha; • linhas preta e verme­lha; • pembas preta e vermelha; • flo­res (cravos); • frutas (manga, limão, laranja, pêra, mamão); • bebidas (lico­res, cinzano, pinga com mel) • comidas (fígado bovino picado e fri­to em azeite de dendê, farofas apimentadas).


Oferenda para Pombagira
• Toalha ou pano vermelho; • velas vermelhas; • fitas vermelhas; • linhas vermelhas; • pembas vermelhas; • flores (rosas vermelhas); • frutas (maçãs, morangos, uvas rosadas, caqui); • bebidas (champagne de maçã, de uva, de sidra, licores).

Oferendas para Caboclos (as)
As oferendas para os Caboclos e as Caboclas são iguais às dos Orixás que os regem.  No geral, são iguais às dos Orixás; no parti­cular, são acrescentados elementos indicados por eles.


Texto extraído do livro:
“Rituais Umbandistas - Oferendas, Firmezas e Assentamentos”
de Rubens Saraceni - Editora Madras



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"Umbanda é Religião, portanto só pode fazer o BEM !!!"
Alexandre Cumino
 

sábado, 16 de julho de 2011

CARTA DE PRINCÍPIO

Hoje você assume todo um compromisso perante seus irmãos na carne, mas principalmente perante seus pais na Aruanda.
Você sabe que o que foi colocado na sua responsabilidade não é algo comum. Sabe que vai exigir de você não tanto tempo físico, mas sim um pouco de renúncia pelas coisas mundanas e muita firmeza de mente, de cabeça, porque muitos serão aqueles que lhe atirarão pedras, não pela frente, porque pela frente o covarde não é corajoso o suficiente para chegar, dizer e exteriorizar o que se passa no coração, mas dizer por trás.
Então que seja dogma escrito em todo este regulamento.
"Nenhum irmão de egrégora tem o direito de levantar suspeita, calúnia, vilipêndio contra outro irmão de egrégora, porque se assim fizer que seja expulso e que o nome dele seja colocado na mandala punitiva, porque o que destrói muito dos grandes esforços humanos empreendidos em todos os cantos deste mundo bendito é a calúnia, o vilipêndio, a língua ferina daquele que não tem coragem de dizer por trás, diz às costas. Se tem algo a dizer, diga à frente, se não tem o que dizer, cale-se."
Então mais uma vez Seiman Hamiser Yê repete:
É DOGMA. Um irmão é proibido de falar qualquer palavra que denigre, que calunie, que difame seu irmão. Se algo passa à mente ou no coração tem todo o direito de chegar à frente do irmão e dizer: Peço-lhe licença para fazer este questionamento, esclareça-me, por favor. E diz o que se passa. E que o irmão esclareça e após o esclarecimento, se satisfeito, ali se encerra, se não satisfeito que leve ao conhecimento do vosso regente, mas que não permitam o que se passa hoje dento da Umbanda e que infelizmente não tem como consertar mais, que é de irmão demandando contra irmão por causa das línguas ferinas.
O Astral assiste a tudo em silêncio porque não tem como exteriorizar o que sente, mas se o que passa na Umbanda e em grande parte também, porque não dizer já que tem representantes deles cá, em que a língua malévola, a língua ferina, a língua caluniosa ofende a honra alheia sem prestar conta e isto separa irmão de um mesmo caminho, seja de Umbanda, seja de Candomblé, seja de Católico, seja de Evangélicos, não importa. A falta de respeito para com o semelhante é o que em atrapalhado muitas boas iniciativas. Então que todo aquele que se filiar a esta Escola que visa semear conhecimento, semear evolução e evolua a partir disso, começando a pensar no semelhante como um irmão perante o criador, um irmão perante Deus e não um adversário nesta terra, nesta carne.
Que não permitam nenhum de vocês que o vilipêndio, a calúnia e a difamação faça morada dentro de vosso colegiado e vossos corações. Não deixe causar à discórdia, a dissensão, a inimizade entre irmãos servindo-se unicamente de um pequeno órgão físico, a língua, mas que tem um grande poder de separação. Isto é dogma. Irmão que se diz irmão não desrespeita outro irmão de egrégora, não trai, não calunia, não vilipendia porque senão não é irmão.
Se não gosta como uma coisa natural, então trabalha a si, porque com certeza o problema está em si e não naquele que não é amado. REPITO: Trabalhe em si, porque o problema está consigo e não com aquele que é irmão e ele não consegue amar. ISTO É DOGMA.
Mestre Seiman Hamiser Yê
(Senhor Ogum Megê Sete Espadas)
Colégio de Umbanda Sagrada "Pai Benedito de Aruanda" e Colégio Tradição de Magia Divina
DOGMA: PONTO FUNDAMENTAL E INDISCUTÍVEL NUM SISTEMA OU DOUTRINA RELIGIOSA.