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quarta-feira, 12 de outubro de 2011

O HINO DA UMBANDA.


Por Antônio Carlos Nobre.

Muitos conhecem, cantam ou já ouviram o Hino da Umbanda, uma canção que fala de paz e
de amor, que faz com que nosso corpo se arrepie de emoção.
O Hino da Umbanda foi composto na década de 60, por um cego que em busca de sua cura
foi procurar a ajuda do Caboclo das Sete Encruzilhadas.
Embora não tenha conseguido a cura por ser sua cegueira cármica, ficou apaixonado pela
religião e escreveu uma canção para mostrar que poderia ver o mundo e nossa religião de outra
maneira.
Apresentou a composição ao Caboclo das Sete Encruzilhadas que gostou tanto que resolveu
apresentá-la como Hino da Umbanda, o qual em 1961, no 2º Congresso de Umbanda, foi
oficializado para todo o Brasil.
E como não se apaixonar por uma letra tão convicta, quando entoamos o nosso hino,?
Acreditamos que a luz divina reflete do céu trazendo a paz, a serenidade, o amor e igualdade
entre os povos.
Essa luz, que reflete na terra e no mar, ilumina o mundo inteiro com sua magia e seu poder
divino.
A nossa Umbanda, que nos dá a força da vida e que nos conduz com grandeza e sabedoria.
Então, nós que somos filhos e irmãos de fé, acreditamos que não existe uma lei tão justa
como a nossa, levantemos a bandeira de amor, esperança, união, fé e caridade.
Ressalta-se ainda, que o autor do Hino da Umbanda vem a ser José Manuel Alves, nascido
em 05 de Agosto de 1907 em Monção, Portugal.
Em 1929, veio para o Brasil, indo residir no interior do estado de São Paulo. No mesmo ano,
mudou-se para a capital paulista, ingressando na Banda da Força Pública, onde ocupou vários
postos, aposentando-se como capitão.
Hino Da Umbanda Umbanda:
Refletiu a luz divina
Com todo seu esplendor
É do reino de Oxalá
Onde há paz e amor
Luz que refletiu na terra
Luz que refletiu no mar
Luz que veio de Aruanda
Para todos iluminar
A Umbanda é paz e amor
É um mundo cheio de luz
É a força que nos dá vida
E a grandeza nos conduz.
Avante filhos de fé,
Como a nossa lei não há,
Levando ao mundo inteiro
A Bandeira de Oxalá!
Levando ao mundo inteiro
A Bandeira de Oxalá!
Que nosso pai Oxalá cubra a todos com seu manto sagrado, nos dando saúde, equilíbrio,
harmonia, conhecimento e sabedoria para bem desempenhar nossa jornada terrena.

fonte:Jornalnacionaldaumbanda

sábado, 6 de agosto de 2011

O “Passe Espírita” e o “Passe Umbandista”


Por Alexandre Cumino
“A um médium é solicitado que conheça o mínimo indispensável para que possa realizar as práticas de Umbanda e seus rituais. Também é exigido que estude um pouco, porque só assim, entenderá tudo o que acontece dentro de um templo de Umbanda durante a realização das giras de trabalho.” Rubens Saraceni1
A palavra “passe” tem origem no Espiritismo, codificado por Allan Kardec, e traz a idéia de “passar” ou “transmitir” algo a alguém. A doutrina codificada por Kardec tem base cristã e encontra no Evangelho as muitas passagens em que Jesus cura as pessoas e “expulsa” espíritos indesejados por meio da imposição de mãos. Algo que vamos encontrar em muitas outras culturas como a egípcia, a grega, a celta, a chinesa, a indiana ou em tradições indígenas e xamãnicas. Estudiosos do passado e do presente se debruçam sobre os fundamentos científicos das técnicas de “passe magnético”, desde Hermes Trimegistro, Fo-Hi, Asclépio, Pitágoras, Hipócrates, Paracelso, Van Helmont, Mesmer, Du Potet e outros.
Na obra de Allan Kardec vamos encontrar (A Gênese, Cap. XIV, 1:14, 15 e 18) a descrição dos “Fluidos” e sua manipulação:
Os Espíritos atuam sobre os fluidos espirituais, não os manipulando como os homens manipulam os gases, mas por meio do pensamento e da vontade. O pensamento e a vontade são para os Espíritos o que a mão é para os homens...
Pode-se dizer, sem receio de errar, que há nesses fluidos, ondas e raios de pensamentos, que se cruzam sem se confundirem, como há no ar ondas e raios sonoros...
O pensamento do encarnado atua sobre os fluidos espirituais como o dos desencarnados; transmite-se de Espírito a Espírito pelo mesmo veículo, e, conforme sua boa ou má qualidade, saneia ou vicia os fluidos circundantes...
No “Passe Espírita” o médium manipula estes fluidos por meio de técnicas que foram se desenvolvendo com o tempo. Aqui no Brasil devemos, principalmente, a Bezerra de Menezes e Edgard Armond, o método já consagrado e largamente utilizado em boa parte dos “Centros Espíritas”. A padronização dos passes e outras práticas doutrinárias... foram providências adotadas na Federação Espírita dos Estado de São Paulo para efetivar a unidade das práticas espíritas, assunto de alta relevância, levado ao Congresso de Unificação realizado em 1947 nesta Capital. Estas são as palavras que “prefaciam” o título Passes e Radiações: Métodos Espíritas de Cura de autoria de Edgard Armond, 1950. Podemos dizer que o conteúdo deste livro norteou e norteia até hoje o método e técnicas utilizadas no Espiritismo Brasileiro, em que o “Passe Magnético” subdivide-se por categorias como P1, P2, P3, P4. Além do Passe de Limpeza e da Auto Cura. A realização destes passes é feita por qualquer pessoa de boa vontade que tenha estudado o método, para algumas situações, no entanto é necessário certa sensibilidade ou Don mediúnico. A maioria dos métodos é explicada por uma corrente de energia/magnetismo e fluidos que estabelecem um circuito de forças entre “operador passista” e consulente (assistido). Dentro do processo são definidos alguns conceitos como a polaridade das mãos (direita = positiva,esquerda = negativa) e os centros de força, denominados de chacras por influência oriental, assim como a importância de um conhecimento básico sobre a fisiologia do corpo material e espiritual.
“Quando o Espírito é de elevada categoria, possui grande poder curativo, muito diferente e muito melhor que o que possui o magnetizador encarnado.” Edgard Armond2
O “Passe Umbandista” não é apenas um “passe magnético” ou material e sim um “Passe Espiritual”, aplicado por um espírito. Assim como Edgard Armond classificou diferentes métodos de aplicação do Passe Magnético para diferentes necessidades, também os espíritos que se manifestam na Umbanda aplicam métodos variados de acordo com a necessidade de cada consulente, dentro dos variados recursos que cada espírito guia entidade/mentor, possui. Sem esquecer que cada um recebe na medida de seu merecimento e afinidade, podendo um encarnado bloquear uma ação positiva direcionada a ele mesmo como conseqüência de sua postura mental. Pois muitos merecem, mas não estão abertos emocionalmente ou psicologicamente para receber o que a espiritualidade lhe oferece, por vários motivos como descrença, irritação, mentalidade critica e posturas interesseiras desfocadas de um objetivo espiritual.
O “Passe Umbandista”, para além de “Passe Espiritual”, pode ser definido como a aplicação de um conjunto de técnicas mágico-religiosas, além de explorar todos os recursos possíveis de imposição de mãos, utiliza elementos e técnicas variadas e até inusitadas.
“Porém, enquanto nos centros espíritas usa-se o passe magnético, nos centros de Umbanda também se recorre aos passes energéticos, quando são usados diversos materiais (fumo, água, ervas, pedras ou colares, etc.) que descarregam os acúmulos negativos alojados nesses campos eletro-magnéticos... Nem sempre o que parece folclore ou exibicionismo realmente o é. Se os mentores dos médiuns de Umbanda exigem determinados colares de pedras, eles sabem para que servem e dominam seu magnetismo, assim como as energias minerais cristalinas irradiadas pelas pedras. Ervas e fumo, quando potencializadas com energias etéreas pelos mentores, também se tornam poderosos limpadores de campos eletromagnéticos.”3
A finalidade é de alcançar maior êxito de acordo com as necessidades, o merecimento e os recursos disponíveis. Cada entidade tem a liberdade de aplicar a técnica que lhe aprouver, desde que dentro dos limites de ética, bom senso e respeito. Embora haja um conjunto de métodos e recursos característicos da Umbanda. Muitas entidades, em especial os pretos velhos, por exemplo, realizam o benzimento, que se distingue do “Passe Magnético”, por empregar uma ação mais relacionada ao poder do verbo, elementos e simbologia, considerada “Magia Popular”. Também é possível identificar métodos complexos de Magia Riscada (Magia de Pemba), abrindo espaços mágicos (Pontos Riscados) que muitas vezes lembram Mandalas do Hinduismo ou mesmo Fórmulas Cabalisticas da Real Arte Simbólica e Mística Hebraica entre outras práticas de Ocultismo e Hermetismo. Entre os elementos mais utilizados podemos identificar velas, água, óleo, pedras, essências, fumo, ervas, tecidos, ponteiros e a citada pemba (giz utilizado para traçar símbolos), dentro de um ambiente de terreiro, mágico-religioso por natureza. Nos métodos se observam rezas, orações, preces, evocações, invocações, determinações e fórmulas mágico-religiosas associadas a banhos, defumações, oferendas e outros.
Todos estes recursos estão mais ou menos associados ao “Passe Umbandista”, no qual se cria um ambiente de Som, Cores, Aromas e Luzes, capaz de inebriar de forma positiva todos os cinco sentidos do consulente a fim de conduzi-lo a certo estado de consciência desejado.
Durante o “Passe Umbandista” observamos a entidade espiritual fazer a imposição de mãos, segurar velas direcionadas aos chakras ou traçando movimentos no ar, colocam colares (guias) no pescoço do consulente ou o colocam dentro da mesma em circulo no chão. Atiram ponteiros em pontos riscados, fazem gestos rituais e movimentos com os pés e mãos que nos faz crer na “Magia Gestual”. Em meio a tantos recursos, que nos encantam e fascinam, nos chama a atenção, em especial, o estalar de dedos, bem característico em quase todas as linhas de trabalho. Muitas pesquisas e especulações já foram realizadas sobre esta prática, entre elas são identificadas as energias que existem na ponta de cada um dos dedos da mão, que são pequenos chakras ou vórtices de energia (“chacrinhas”), e, o “choque” vibratório desencadeado no ar quando o dedo médio estala sobre a região da mão chamada de “monte de Vênus”, causando vibração astral e sonora o que desperta certa energia dentro do campo em que está atuando. Este “Estalar de Energias” pode assumir contextos vaiados de acordo com o que esteja associado, por meio do pensamento ou movimentos. Além deste contexto pode-se usar o estalar de dedos como um simples gesto de descarregar as energias absorvidas pelas palmas das mãos. Um caboclo ou outro espírito guia eleva sua mão ao alto (ou ao lado) buscando certa energia que será irradiada ao consulente, num movimento rápido, ao mesmo tempo em que transmite esta energia positiva, retira os eflúvios negativos e os “descarrega” com um estalar de dedos. Os movimentos longitudinais, transversais e circulares também foram descritos na obra de Edgard Armond, em que: Os passes longitudinais movimentam os fluidos, os transversais os dispersam e os circulares e as imposições de mãos os concentram, o mesmo sucedendo com o sopro quente. Este último merecendo ainda um estudo à parte.
No entanto pode-se associar procedimentos mais ou menos magísticos com os mesmos, ou seja, a relação entre estalos e números com o poder de realização que cada um deles possui, aplicando-se seqüências de estalos que podem variar, por exemplo, de 2x3,3x3,4x3 ou ainda estalos que desenham formas geométricas no ar. Lembrando que a aplicação de símbolos associados a idéias e intenções, com suas respectivas invocações é a mais explicita “magia simbólica”, encontrada nas mais variadas culturas. Assim seqüências de estalos “desenham” no ar, cruzes, estrelas e círculos; firmando ou estabelecendo pontos e espaços vibratórios, aos quais podem ter função nesta realidade ou abrir portais para outras realidades.
Muito mais poderíamos escrever sobre o “Passe Umbandista” e seus recursos, no entanto não pretendemos em um único artigo esgotar o que é inesgotável. Fica aqui um comentário final sobre a importância do estudo, não para complicar o que é realizado de forma tão simples por nossos guias de Umbanda, mas com a finalidade de compreendermos o que eles realizam, com a consciência de que eles sim estudam e estudaram muito para realizar este trabalho espiritual. Não estudamos por um movimento do Ego ou para substituir a presença dos mesmos, mas para lhes oferecer maiores recursos psíquicos, espirituais e materiais. Estudamos para ver o quanto somos ainda “neófitos” (aprendizes) nesta senda, em que Caboclo (a), Preto Velho (a), Baiano (a), Boiadeiro (a), Marinheiro (a), Cigano (a), Exu e Pomba Gira são nossos Mestres.

1 Rubens Saraceni. Código de Umbanda. São Paulo: Ed. Madras, 2006. P.79
2 Edgard Armond. Passes e Radiações: Métodos Espíritas de Cura. São Paulo: Ed. Aliança, 1997. P. 85
3 Rubens Saraceni. Código de Umbanda. São Paulo: Ed. Madras, 2006. P. 101
Fonte:Jornal de Umbanda São Paulo, 15 de Novembro de 2010. Edição: 01

sexta-feira, 13 de maio de 2011

PRETO VELHO


AS SETE LÁGRIMAS DE UM PAI-PRETO

Foi uma noite estranha aquela noite....
Estranhas vibrações penetravam
Em meu “Ser” e me faziam ansiar
Por algo que, pouco a pouco, se definia...
Era um “que”desconhecido,
Mas senti-o como estivesse
Em comunhão com minha alma
E externava a sensação
De um silencioso pranto...
Quem do mundo do astral,
Emocionava assim meu pobre “Eu?”
Não soube, até adormecer.... e “sonhar”...
Atraído por cânticos que falavam
De “Aruanda, Estrela Guia e Zambe” ...
Eram vozes de Umbanda,
Dessa Umbanda de todos nós
Que chamava seus filhos de fé ...

E fui visitando Cabanas e Tendas,
Onde multidões desfilavam, mas
Surpreso ficava ante a “visão”
Que em cada um eu “via”...
Em um canto, pitando, um triste
Pai Preto chorava...
Dos seus “olhos” molhados esquisitas lágrimas desciam
E, não sei porque, contei-as;
Foram “Sete”.
Na incontida vontade de saber,
Aproximei-me e interroguei-o:
Fala, “Pai Preto”, dize porque externas tão visível dor?
E “Ele”, suave, respondeu:
“Estás vendo esta multidão que entra e sai”?
Das lágrimas contadas,
Distribuídas estão a cada uma delas...
“A PRIMEIRA” eu a dei aos indiferentes;
aos que aqui vêm em busca de distração,
na curiosidade de ver, de bisbilhotar...
“Não crêem, nem descrêem... Sabem conceder...

“A SEGUNDA”, dei aos duvidosos, aos que acreditam, desacreditando...
Vivem na expectativa de um “milagre”que os façam “alcançar”
Aquilo que seus próprios merecimentos negam ...
“A TERCEIRA” é mais, que distribui aos maus
Aquelas que somente procuram as Casas de Religião
Em busca da vingança, aos que desejam prejudicar seus semelhantes...
“A QUARTA” são aos que, pensam que nós, Guias e os Òrìsàs, somos
Veículos de suas mazelas, de suas paixões e temos obrigação de fazer o que
Pedem...
“Pobres almas que da bruma ainda não saíram ...
E assim vai lembrando bem”:
“A QUINTA” lágrima foi diretamente para os frios e calculistas.
Não crêem nem descrêem.
Sabem que existe uma força e procuram se beneficiar dela de qualquer
Forma.
Não conhecem a palavra GRATIDÃO.
Negarão amanhã até que conhecem uma Casa de Religião....
Chegam suaves, têm o riso e o elogio à flor dos lábios...
São fáceis, muito fáceis ....
Se olhares bem seus semblantes,
Verás, escrito, em letras claras:
Creio na tua Religião, nos teus Caboclos e no teus Òrìsàs,
Mas somente se vencerem o “meu caso” ou me curarem “disso”
Ou “daquilo”.... ou trazer de volta o meu “amor”, etc...
“A SEXTA” lágrima eu dei aos fúteis, aos que andam de Casa em Casa....
  Não acreditam em nada, visam somente o benefício
Próprio, conhecidos por “akirijebós”, são os freqüentadores assíduos
De todas as festas em todas as Casas de Religião, e só colocam defeitos...
Buscam apenas o aconchego e os conchavos...
Seus olhos apresentam um interesse diferente.
Sei bem o que eles querem....
“A SÉTIMA” viu! Filho meu, notaste como foi grande e deslizou
Pesada?
Pois, foi a Última Lágrima, aquela que vive nos olhos de todos os Òrìsàs e
Caboclos.
Fiz doação dessa aos vaidosos cheios de empáfia, para que levem
Suas máscaras e todos possam vê-los como realmente são:
“Cegos, guias-de-cegos; andam se exibindo com o “lado” tal e
qual mariposas em torno da luz, essa mesma luz que eles não
conseguem Ver...
Olha-os bem; vê como suas fisionomias são turvas e desconfiadas...
Observa-os quando falam doutrinando.
Suas vozes são ocas, dizem tudo de “cor e salteado”...
  nada tem à dar e sim tirar
Sem pudor e sem caráter...Em sua linguagem sem calor,
Formulam conceitos de caridade, essa mesma caridade que
Não fazem....trocas por interesses ....Introduz nos
Ritos, a droga, maconha, cocaína, cachaça, etc...Não tendo o menor
Escrúpulo com o ser humano....
Eles, vivem aferrados ao conforto da matéria e a gula do dinheiro...
Eles não têm convicção.

Assim Filho meu, foi, para esses todos que viste cair, uma a uma, as
SETE LÁGRIMAS DE PAI PRETO,
E, então, com minha alma em pranto, tornei a perguntar:
Não tens mais nada a dizer, Pai Preto?
E, daquela “forma velha”, vi um véu caindo num clarão intenso
Que ofuscava tanto, ouvi mais uma vez:
Mando a luz da minha transfiguração para aqueles que,
Esquecidos pensam que estão...
Estes formam a maior parte dessas multidões...
São os “humildes”, os “simples” e estão na Religião pela Religião,
Na confiança pela razão ...
São os seus Filhos de Fé...
São, também, os “aparelhos”e “Òrìsàs” trabalhadores e silenciosos,
Cujas ferramentas chamam-se “Dom e Fé” !

quinta-feira, 5 de maio de 2011

PONTOS DE OGUM


ogum
Pontos Individuais
 
 BEIRA MAR

Beira Mar, auê Beira Mar
Ogum já jurou bandeira
Nas matas do Humaitá
Ogum já venceu demanda
Vamos todos saravá
Beira Mar, auê Beira Mar
Eu estava na minha gira
Eu estava no meu Congá
Eu estava na minha gira
Vamos todos saravá
Beira Mar, auê Beira Mar

 BEIRA MAR

A sua espada brilha no raiar do dia
Seu Beira Mar é filho da Virgem Maria
Seu Beira Mar, beirando a areia
Seu Beira Mar é filho da mamãe sereia

 MEGÊ

Ogum Megê, general de Umbanda
Com seu cavalo Seu Ogum foi guerrear
Com sua espada, com sua lança
Venceu demanda nos campos de Humaitá
Ogum Megê

 MEGÊ

Na porta da Romaria
Eu vi um cavaleiro de ronda
Trazia um escudo no peito uma lança na mão
Ogum venceu a guerra e matou o dragão
A primeira espada quem ganhou foi ele
Mas ele é, ele é Ogum Megê
Ele vem de Aruanda
Pros seus filhos proteger

 SETE ONDAS

Ogum de lei,
Não me deixe sofrer tanto assim meu pai
Quando eu morrer vou passar na Aruanda
Saravá Ogum, saravá Seu Sete Ondas

 NARUÊ

Magia, magia que faz o meu corpo tremer
Magia, magia que chega em silêncio
Sem a gente ver
É o Senhor Ogum
É o rei da magia que vem nos socorrer
É o Senhor Ogum
Quem vence a magia é Ogum Naruê,
Ogunhê

 IARA

Se meu pai é Ogum, Ogum
Vencedor de demanda
Ele vem de Aruanda
Pra salvar filhos de Umbanda
Ogum, Ogum, Ogum, Ogum Iara
Salve os campos de batalha
Salve as sereias do mar
Ogum, Ogum Iara

 IARA

Seu cavalo corre, sua espada reluz
Sua bandeira cobre todos os filhos de Jesus
O seu cavalo corre, sua espada reluz
Auê, Ogum Iara aos pés da Santa Cruz

 BEIRA RIO

Beira Rio, Beira Rio, Beira Mar
O que se ganha de Ogum
Só Ogum pode tirar
Seu Ogum de Ronda ele vem girar
E vem trazendo folhas
Pra descarregar

AKUAN

Ogum chamou das matas
Akuan pra trabalhar
Sua lança e sua flecha
São armas deste Congá
É vencedor de demanda
E seus filhos vem salvar
É guerreiro, é valente
Vamos todos saravar.

 BEIRA MAR

Seu Ogum Beira Mar
O que trouxe do mar?
Quando ele vem beirando a areia
Vem trazendo no braço direito
O rosário da mãe Sereia

 BEIRA MAR

Auê, auê Ogum Beira Mar, auê
Iansã virou o tempo
Pra Ogum não governar
Mas durante o barravento
Oxum se pôs a cantar

 BEIRA MAR

Meu Pai, que guerreiro é esse
Que vence na terra
Que vence no mar
Ele é lanceiro, ele é flecheiro
Ele é marinheiro, ele é de Yemanjá
Salve esse guerreiro
Saravá Seu Ogum Beira Mar
 BEIRA-MAR

Ogum, Iansã, Xangô, Yemanjá
Salve os Caboclos das matas
Salve Seu Ogum Beira-Mar

 BEIRA-MAR

Ogum Beira-Mar o que trouxe do mar?
Quando ele vem do mar, na mão direita
Ele traz uma guia de mamãe sereia

 BEIRA-MAR

Estrela clareia a terra
Estrela clareia o mar
Clareia o Congá de Beira-Mar clareia
Clareia os filhos do seu Congá

 BEIRA-MAR

Quando Ogum pisou na lua
Fez tremer a terra
Nos campos de batalha
Seu Ogum venceu a guerra
Ê ê ê... ê ê ê
Vamos saravar nosso pai Seu Beira-Mar

 BEIRA-MAR

Sua espada rebrilha e rebrilha no mar
Seu Ogum é guerreiro e só pode brilhar
Na sua morada que lhe deu Yemanjá
Seu Ogum Beira-Mar vem a seu filho ajudar

 BEIRA-MAR

Beira-Mar, auê, Beira-Mar
Beira-Mar, quem está de ronda é militar
Ogum já jurou bandeira
Nas matas de Humaitá
Ogum já venceu demanda
Vamos todos saravar

 BEIRA-MAR

Minha espada é de aço,
Minha espada vai brilhar
Minha espada é de fogo e Ogum Beira-Mar

 BEIRA-MAR

Na lua mora um cavaleiro
É, é, é o seu Ogum guerreiro
Oi lá na lua tem, oi lá na lua há
Oi lá na lua mora seu Ogum Beira-Mar
Oi saravá Ogum e a falange de Yemanjá
Oi lá na lua mora seu Ogum Beira-Mar

 MEGÊ

Oxóssi assobiou
Pra passar no Humaitá
Pra falar com Ogum Megê
Mensageiro de Oxalá
 MEGÊ

Ogum Megê, Ogum Megê
Ogum Iara
Saravá cavaleiros de Umbanda
A noite é linda, é de luar
Ogum Megê, Ogum Megê
É que vai chegar

 MEGÊ

Não bota fogo que é de Oxalá
Não quebre a pedra que é de Xangô
Não facilite com filho de pemba
Ogum Megê sempre foi vencedor

 MEGÊ

Lá vem Ogum em seu cavalo
Com sua espada e sua lança na mão
A mata é vossa, deixa correr
E vamos saravar Ogum Megê

 MEGÊ

Ele vem de longe montado em seu cavalo
Com sua espada na cinta ele vem pra guerrear
Ele guerreia por este mundo
O seu nome é Ogum Megê neste Congá

 MEGÊ

O homem que bebe e fuma ô Ganga
É Ogum Megê ô Ganga
Xerê, xerê, xerê ô Ganga
É Ogum Megê ô Ganga

 MATINATA

Quem vem de lá?
Quem vem lá de tão longe?
Ele é Ogum Matinata
Que vem no reino saravar

 MATINATA

Que Ogum é aquele
Que vem cavalgando no céu azul
É Ogum Matinata
Ele é defensor do Cruzeiro do Sul
Com a espada na cinta
Escudo no braço ele vem cavalgando
É Ogum Matinata
Ele é o defensor do Cruzeiro do Sul

 GUARACY

Salve a falange do Caboclo Guaracy
Deus do céu permita
Que ele chegue até aqui
Salve Tupã, Itatiaia e Poti
Salve Blazô e viva Guaracy
Salve o Sol, salve as estrelas e o Cruzeiro
Salve Guaracy que chegou neste terreiro

ROMPE MATO

A sua terra é longe
Uma estrela brilhou
Mas o seu filho de Umbanda
Já lhe procurou
Oi, já lhe procurou
Cadê Seu Rompe Mato de Umbanda
Que até agora ainda não chegou
Ainda não chegou
Cadê Seu Rompe Mato de Umbanda
Que até agora ainda não chegou

 ROMPE MATO

Que cavaleiro é aquele
Que vem cavalgando no céu azul
É Seu Ogum Rompe Mato
Ele é defensor do Cruzeiro do Sul
E, e, e, e, e, a
Pisa na Umbanda, oi Canjira
Pisa no Congá

ROMPE MATO

Ouvi o toque do clarim lá no Humaitá
Toque do maior do dia
Meu pai é Ogum Rompe Mato
Filho da Virgem Maria

 ROMPE MATO

Eu vi raiar do dia, eu vi estrela brilhar
Eu vi Seu Rompe Mato, Ogum das matas
Vir morar à beira-mar

 ROMPE MATO

Ogum disse que ele é Rompe Mato
É Rompe Mato auê, ele é Rompe Mato
Porque rompe as matas auê
É Rompe Mato auê, saravá Ogum Rompe Mato

 ROMPE MATO

Ogum Iara, Ogum Megê
Onde está Seu Rompe Mato auê
Abre a gira de Umbanda auê

 SETE ONDAS

Oh filhos de Umbanda
Seu Sete Ondas vem do Humaitá
Que bela surpresa
Vem de Aruanda nos abençoar
Oh bela surpresa
Bela surpresa, como está você
Que bela surpresa!
Vem da Aruanda pra nos proteger

 SETE ONDAS

Estava na beira da praia
Quando vi Sete Ondas passar
Abra a porta oh gente que aí vem Ogum
No seu cavalo branco ele veio saravar

 TUCURUVU

Aí vem Tucuruvu
Ele é filho das selvas das linhas de Ogum
Chegou Tucuruvu
Ele é filho das selvas das linhas de Ogum
É Ogum de Cariri 4x

 OGUM SETE ESTRELAS

Eh cavaleiro de Umbanda
Ogum vencedor de demanda
Salve os filhos de mamãe sereia
Seu Ogum Sete Estrelas
Ilumina meu congá.

 OGUM SETE ESPADAS

Eu tenho Sete Espadas pra me defender
Eu tenho Ogum em minha companhia
Mas Ogum é meu Pai, Ogum é meu guia
Ogum vai baixar
Na fé de Zambi e da Virgem Maria

 OGUM NARUÊ

Ei gente de Umbanda
Sopra o vento no mar
Baixou Ogum Naruê
Chegou a falange dos filhos de Umbanda
Baixou Ogum Naruê

 AKUAN

Akuan, Akuan, caboclo guerreiro
Altivo e bom companheiro
Akuan, Akuan
Amigo de dar a mão
Irmão, de dividir o prato
Retrato da Consolação
Oxalá abençoe teu coração
Salve Ogum...Salve São Miguel
Mamãe Oxum, Akuan, me põe no céu
AKUAN!...

 AKUAN

Seu Akuan é caboclo guerreiro
Ele vem na falange de Ogum
Ele olha por todos seus filhos, meu pai
E não esquece de nenhum
Ele gira com o sol e com a lua
Ele gira com a terra e com o mar
Ele vem com sua falange, meu pai
Pra firmar o seu Jacutá

 DA PANTERA

Ninguém domina o bicho
Ninguém domina a fera
Porque ninguém pode
Com o Caboclo da Pantera
Caboclo não veio
Nem com o corisco do trovão
Mas mandou Seu Akuan
Que é seu guardião

 CURUGUÇU

Eu vem lá da Aruanda
Trazendo a luz, a luz da Umbanda
Eu vem com o clarim de Ogum
Anunciar que a Umbanda vai chegar
Eu é caboclo de Umbanda
Eu vem do Cruzeiro do Sul
Eu é caboclo Curuguçu
Meu grito já ecoou
É a Umbanda que chegou
Meu grito ecoou
Pai Oxalá quem me mandou
Eu é Curuguçu
Da corrente de Ogum
Que aqui chegou

 OGUM DE RONDA

Um cavaleiro na porta bateu
Passei a mão na pemba para ver quem é
Era seu Ogum de Ronda
Ogum é a força maior
Pontos de Linha

 1. SAUDAÇÃO A OGUM

Saravá São Jorge, ogum-iê-ô
Saravá Ogum, ogum-iê-ô
Ô-ô, ô-ô, ogum-iê-ô 4x
Salve Ogum Akuan, ogum-iê-ô
Salve Ogum Yara, ogum-iê-ô
Salve Ogum Naruê, ogum-iê-ô
E Seu Beira Mar, ogum-iê-ô
Ô-ô, ô-ô, ogum-iê-ô 4x
Salve Ogum de Lei, ogum-iê-ô
Salve Ogum Nagô, ogum-iê-ô
Salve Ogum Megê, ogum-iê-ô
E seu Matinata, ogum-iê-ô
Ô-ô, ô-ô, ogum-iê-ô 4x

 2.

Filho de pemba bebe água no rochedo
Filho de Ogum corre campo
E não tem medo
Eu vou pedir ao Criador
Que derrame o seu amor
Aos nossos guias e ao nosso Babalaô

 3.

Pisa na linha de Umbanda
Que eu quero ver Ogum Sete Ondas
Pisa na linha de Umbanda
Que eu quero ver Ogum Beira Mar
Pisa na linha de Umbanda
Que eu quero ver seu Sete Espadas
Ogum Iara, Ogum Megê
Olha a banda aruê
Pisa na linha de Umbanda
Que eu quero ver Ogum Matinata
Pisa na linha de Umbanda
Que eu quero ver Ogum Sete Estrelas
Pisa na linha de Umbanda
Que eu quero ver seu Rompe Mato
Ogum Iara, Ogum Megê
Olha a banda aruê

4.

Por entre matas, por entre mares e terras
Eu entendi o que meu Pai quis dizer
Que Ogum não devia beber
Que Ogum não devia fumar
Mas a fumaça são as nuvens que passam
E a espuma, as ondas do mar

 5.

Se meu pai é Ogum vencedor de demanda
Ele vem de Aruanda
Pra salvar filhos de Umbanda
Ogum, Ogum, Ogum, Ogum Iara
Ogum Megê, Ogum de Lei

 6.

Ogum, guardai pedreiras mandado por Oxalá
Com a espada e com a lança, Ogum
Seus filhos vem ajudar, Ogum

 7.

Oxalá está chamando
Ogum lá no Humaitá
Pra lhe dar uma bandeira
E mandar ele jurar
Se ele é capitão, ele vem jurar
Se for de Angola, também vai jurar
Se for Ogum de Lei, ele vai jurar
E se for de Nagô, também vai jurar

 8.

Yemanjá cadê Ogum
Foi com Oxóssi ao Rio Jordão
Foram saudar São João Batista
E batizar Cosme e Damião

 9.

Ogum Iara, Ogum Megê,
Olha Ogum Rompe Mato, auê
Ogum Iara, Ogum Megê,
Tranca gira de Umbanda, auê.

 10.

Ogum já venceu, já venceu, já venceu
Ogum vem de Aruanda
E quem lhe manda é Deus
Ele vem beirando o rio
Ele vem beirando o mar
Oi salve Santo Antônio na Calunga
Benedito e Beira Mar
 11.

De quem sou eu, meu Pai me diga lá
Me diga lá, Obatalá
Eu sou da terra, sou do vento ou sou do mar
Sete cavaleiros, todos sete encantados
Filhos da inocência, pai de todos os pecados
Sete feiticeiros, sete cores da manhã
São guerreiros e amantes,
Companheiros de Tupã
Sete cavaleiros, todos sete concebidos
Pela chama dos amantes,
Pelo medo dos vencidos
Sete bandoleiros, eram sete, resta um
Vem chegando triunfante
Num cavalo de Ogum

 12.

Lua bonita que clareia o mundo inteiro
E São Jorge no espaço, iluminai este terreiro
Oh meu São Jorge
Os seus filhos vêm chegando
Os seus filhos vêm descendo
Protegei esses irmãos
Ele é guerreiro, ele quebra macumbeiros
Ele quebra os feiticeiros, debaixo do alazão
 13.

Quem está de ronda é São Jorge
Deixa São Jorge rondar
São Jorge é guerreiro
Que manda na terra e manda no mar
Saravá, meu pai, girar é bom 3x
É bom girar

 14.

Bendito guerreiro São Jorge
Que traz na espada o sinal da cruz
Trazendo a paz e a harmonia
Aos filhos benditos de Jesus
Ó São Jorge
Com sua espada de luz
Salvai os vossos filhos
Em nome da Santa Cruz

 15.

Em seu cavalo branco ele vem montado
Calçado de botas ele vem armado
Vinde, vinde, vinde
São Jorge é nosso protetor
 16.

No alto da romaria
Eu vi um cavaleiro de ronda
Mas ele é São Jorge
São Jorge o nosso protetor
 17.

Ogum venceu a guerra
Ogum é ordenança de Oxalá
Quando Ogum vem de Aruanda
Ele vem na Umbanda
Pra seus filhos abençoar
Saravá Ogum Megê
Saravá Ogum Sete Ondas
Saravá Ogum Iara
Saravá Seu Beira-Mar

 18.

No Humaitá, no Humaitá
É o rei de Umbanda
São Jorge venceu demanda
Seu cavalo branco
Sua espada e seu escudo
Rompendo cerca de espinhos
Porta fechada

 19.

Ele é soldado de cavalaria
Tem muitos anos de infantaria
É capitão, é o maior do dia
É ordenança da Virgem Maria

 20.

No Humaitá, no Humaitá
É o rei de Umbanda
São Jorge venceu demanda
Seu cavalo branco, sua espada e seu escudo
Rompendo cerca de espinhos, porta fechada

 21.

Foi lá no Humaitá aonde Ogum guerreou
Foi lá no alto mar que Yemanjá o coroou

 22.

Oh Jorge, oh Jorge, vem de Aruanda
Tem compaixão de seus filhos
São Jorge venceu demanda
Ogum, Ogum, Ogum meu pai
Foi o senhor mesmo quem disse
Filho de Umbanda não cai
 23.

Marchai, marchai Ogum do dia
Com a estrela D’Alva e a Virgem Maria
Oh, vem com a sua espada
Trazer a fé aos filhos
Que se acham em agonia

 24.

Ô mamãe eu vi um lindo menino
Ia montado em um cavalo branco
Ô mamãe que santo eu vi?
São Jorge passou por aqui

 25.

São Jorge é guerreiro de Umbanda
Ele segura a sua espada no ar
Ele ganhou a sua lança de ouro
Pois venceu demanda no campo do Humaitá

26.

Oh quem tem guia, guiou
Oh quem tem guia guiou mesmo
Papai Ogum marchou pra guerra
Oxalá deu carta branca
Ogum venceu na guerra
Seu filho venceu demanda

 27.

Ogum, Ogum vem de Aruanda
Vem salvar os vossos filhos
Em nossa lei de Umbanda
Filho de pemba não cai

 28.

Ogum quando vem lá de Aruanda
Traz uma espada e uma lança na mão
Ogum é cavaleiro
Venceu a guerra e matou o dragão
Ele é São Jorge guerreiro
Guerreiro no Humaitá
No terreiro de Umbanda
Vem seus filhos saravar

 29.

Quando Ogum apontou na terra
Sua espada brilhou na Umbanda
Pela fé acabou com a guerra
E seus filhos venceram demanda

 30.

Longe, bem longe um cavaleiro surgia
Ele é São Jorge filho da Virgem Maria
A sua espada é de ouro, sua coroa é de lei
Mas ele é São Jorge filho da Virgem Maria

 31.

Ogum e mamãe sereia
São dois cabos de guerra
Sereia é rainha do mar
Ogum é rei na terra

 32.

Tem cangerê, tem cangerê na terra
Eu chamo Seu Ogum para me ajudar
Os inimigos estão fazendo guerra
Eu chamo Seu Ogum para guerrear
Odé, odé, odé Ogum Rompe Mato
Beira-Mar, Ogum Megê
Salve Ogum na força e na lei
Salve Ogum de Ronda, Sete Ondas e Naruê

 33.

Ogum de Lei, Zambi quem manda
Corre a gira na porteira
Pra salvar filhos de Umbanda

 34.

Mamãe que cavaleiro é aquele
Que pisa com arrogância nesta terra?
Mas ele é Ogum Megê
Que veio da batalha com sua lança de guerra

 35.

Bandeira branca de Ogum
Que está hasteada lá no Humaitá
Representando general de Umbanda
Ogum venceu demanda
Nos campos de Humaitá

 36.

Pai Ogum, General lá de Aruanda
Pai Ogum, é vencedor de demanda
Pai Ogum, vence todo quimbandeiro
Pai Ogum, herói do nosso terreiro
Em seu cavalo vem da Aruanda
Para defender toda a sua banda

 37.

Ogum de Lei, Orixá de Lei
Ê ê ê a a
Salve a coroa de Ogum de Lei
Ogum de Lei

Ogum de Nagô

 38.

Nesta casa de guerreiro, Ogum
Vim de longe pra rezar, Ogum
Rogo a Deus pelos doentes, Ogum
Na fé de Obatalá, Ogum
Ogum salve a casa santa, Ogum
Os presentes e os ausentes, Ogum
Salve nossas esperanças, Ogum
Salve os velhos e crianças, Ogum
Nego velho ensinou, Ogum
Na cartilha de Aruanda, Ogum
E Ogum não esqueceu, Ogum
Como vencer as demandas, Ogum
A tristeza foi embora, Ogum
Na espada de um guerreiro, Ogum
E a luz do romper da aurora, Ogum
Vai brilhar neste terreiro

 39.

Quem está de ronda é São Jorge
São Jorge é quem vem rondar
Abre a porta ô minha gente
Deixa a falange de São Jorge entrar
Quem está de ronda é São Jorge
Toda noite, todo dia
Quem está de ronda é São Jorge
Nossa Senhora da Guia
Quem está de ronda é São Jorge
Minha mãe diga o que é
Quem está de ronda é São Jorge
Velando os filhos de fé

 40.

Ele vem beirando o mar
Ou ele vem beirando a areia
Ogum, Ogum, Ogum
Saravá na sua aldeia

 41.

Seu Ogum de Ronda
Já mandar rodar, mariô

 42.

Lanceiros de Umbanda
Ouvi os seus clarins
Avançai todos os lanceiros
Que Ogum já vêm aí

 43.

Ele jurou bandeira, ele tocou clarim
E o exército todo, é comandado por Ogum
Salv Ogum Iara, salve Ogum Megê
Salve Ogum Matinata, salve Ogum Naruê

 44.

Capitão da Mata mandou avisar
Caminho não tem, tempo não há
É militar que está de ronda
É militar

 45.

Eu tenho sete espadas pra me defender
Eu tenho Ogum em minha companhia
Mas Ogum é meu Pai, Ogum é meu Guia
Ogum vai baixar
Na fé de Zambi e da Virgem Maria

Subida

 1.

Ogum já me Saravou...ohooo...
Ogum já me abençoou
Filhos de Pemba, a Umbanda chora
É o Seu Ogum que já vai embora
A Umbanda gira, gira, gira, girê
A Umbanda gira, gira, gira, girá
 2.

Selei, selei (eles)
O seu cavalo eu selei (elas)
Meu Pai Ogum já vai embora (eles)
O seu cavalo eu selei... (elas)

 3.

Seu sentinela veio avisar
Seu cavalo está selado
Para Ogum ir viajar
Como é bonito o romper da aurora
Seu Ogum vai cavalgando
Pela estrada afora
 4.

Mandei selar o seu cavalo
Para seu Ogum viajar
Ele vai para a cidade de Aruanda, ele vai
Ele vai, mas ele torna a voltar

 5.

Seu Ogum vai, vai
Vai, deixa saudades
Seu Ogum vai
Sua banda, ela lhe chama
Seu Ogum vai
Descobrir se tem demanda
Tenda

segunda-feira, 2 de maio de 2011

IANSÃ (MÃE QUERIDA)Eparrei oiá






 iansã


iansã
Iansã é um Orixá feminino muito famoso no Brasil, sendo figura das mais populares entre os mitos da Umbanda e do Candomblé em nossa terra e também na África, onde é predominantemente cultuada sob o nome de Oiá. É um dos Orixás do Candomblé que mais penetrou no sincretismo da Umbanda, talvez por ser o único que se relaciona, na liturgia mais tradicional africana, com os espíritos dos mortos (Eguns), que têm participação ativa na Umbanda, enquanto são afastados e pouco cultuados no Candomblé. Em termos de sincretismo, costuma ser associada à figura católica de Santa Bárbara. Iansã costuma ser saudada após os trovões, não pelo raio em si (propriedade de Xangô ao qual ela costuma ter acesso), mas principalmente porque Iansã é uma das mais apaixonadas amantes de Xangô, e o senhor da justiça não atingiria quem se lembrasse do nome da amada. Ao mesmo tempo, ela é a senhora do vento e, conseqüentemente, da tempestade.
Nas cerimônias da Umbanda e do Candomblé, Iansã, ela surge quando incorporada a seus filhos, como autêntica guerreira, brandindo sua espada, e ao mesmo tempo feliz. Ela sabe amar, e gosta de mostrar seu amor e sua alegria contagiantes da mesma forma desmedida com que exterioriza sua cólera.
Como a maior parte dos Orixás femininos cultuados inicialmente pelos iorubás, é a divindade de um rio conhecido internacionalmente como rio Níger, ou Oiá, pelos africanos, isso, porém, não deve ser confundido com um domínio sobre a água.
A figura de Iansã sempre guarda boa distância das outras personagens femininas centrais do panteão mitológico africano, se aproxima mais dos terrenos consagrados tradicionalmente ao homem, pois está presente tanto nos campos de batalha, onde se resolvem as grandes lutas, como nos caminhos cheios de risco e de aventura - enfim, está sempre longe do lar; Iansã não gosta dos afazeres domésticos.
É extremamente sensual, apaixona-se com freqüência e a multiplicidade de parceiros é uma constante na sua ação, raramente ao mesmo tempo, já que Iansã costuma ser íntegra em suas paixões; assim nada nela é medíocre, regular, discreto, suas zangas são terríveis, seus arrependimentos dramáticos, seus triunfos são decisivos em qualquer tema, e não quer saber de mais nada, não sendo dada a picuinhas, pequenas traições. É o Orixá do arrebatamento, da paixão.
Foi esposa de Ogum e, posteriormente, a mais importante esposa de Xangô. é irrequieta, autoritária, mas sensual, de temperamento muito forte, dominador e impetuoso. É dona dos movimentos (movimenta todos os Orixás), em algumas casas  é também dona do teto da casa, do Ilê.
Iansã é a Senhora dos Eguns (espíritos dos mortos), os quais controla com um rabo de cavalo chamado Eruexim - seu instrumento litúrgico durante as festas, uma chibata feita de rabo de um cavalo atado a um cabo de osso, madeira ou metal.
É ela que servirá de guia, ao lado de Obaluaiê, para aquele espírito que se desprendeu do corpo. É ela que indicará o caminho a ser percorrido por aquela alma. Comanda também a falange dos Boiadeiros.
Duas lendas se formaram, a primeira é que Iansã não cortou completamente relação com o ex-esposo e tornou-se sua amante; a segunda lenda garante que Iansã e Ogum, tornaram-se inimigos irreconciliáveis depois da separação.
Iansã é a primeira divindade feminina a surgir nas cerimônias de cultos afro-brasileiros.
Deusa da espada do fogo, dona da paixão, da provocação e do ciúme. Paixão violenta, que corrói, que cria sentimentos de loucura, que cria o desejo de possuir, o desejo sexual. É a volúpia, o clímax. Ela é o desejo incontido, o sentimento mais forte que a razão. A frase estou apaixonado, tem a presença e a regência de Iansã, que é o orixá que faz nossos corações baterem com mais força e cria em nossas mentes os sentimentos mais profundos, abusados, ousados e desesperados. É o ciúme doentio, a inveja suave, o fascínio enlouquecido. É a paixão propriamente dita. É a falta de medo das conseqüências de um ato impensado no campo amoroso. Iansã rege o amor forte, violento.



Características

Cor
Coral (amarelo)
Fio de Contas
Coral (marrom, bordô, vermelho, amarelo)
Ervas
Cana do Brejo, Erva Prata, Espada de Iansã, Folha de Louro (não serve para banho), Erva de Santa Bárbara, Folha de Fogo, Colônia, Mitanlea, Folha da Canela, Peregum amarelo, Catinga de Mulata, Parietária, Para Raio (Catinga de mulata, Cordão de frade, Gerânio cor-de-rosa ou vermelho, Açucena, Folhas de Rosa Branca)
Símbolo
Raio (Eruexim -cabo de ferro ou cobre com um rabo de cavalo)
Pontos da Natureza
Bambuzal
Flores
Amarelas ou corais
Essências
Patchouli
Pedras
Coral, Cornalina, Rubi, Granada
Metal
Cobre
Saúde

Planeta
Lua e Júpiter
Dia da Semana
Quarta-feira
Elemento
Fogo
Chacra
Frontal e cardíaco
Saudação
Eparrei Oiá
Bebida
Champanhe
Animais
Cabra amarela, Coruja rajada
Comidas
Acarajé (Ipetê, Bobó de Inhame)
Numero
9
Data Comemorativa
4 de dezembro
Sincretismo
Sta. Bárbara, Joana d’arc.

Incompatibilidades

Rato, Abóbora.
Qualidades
Egunitá, Onira, Balé, Oya Biniká, Seno, Abomi, Gunán, Bagán, Kodun, Maganbelle, Yapopo, Onisoni, Bagbure, Tope, Filiaba, Semi, Sinsirá, Sire, Oya Funán, Fure, Guere, Toningbe, Fakarebo, De, Min, Lario, Adagangbará.


Atribuições
Uma de suas atribuições é colher os seres fora-da-Lei e, com um de seus magnetismos, alterar todo o seu emocional, mental e consciência, para, só então, redirecioná-lo numa outra linha de evolução, que o aquietará e facilitará sua caminhada pela linha reta da evolução.


As Características Dos Filhos De Iansã

Seu filho é conhecido por seu temperamento explosivo. Está sempre chamando a atenção por ser inquieto e extrovertido. Sempre a sua palavra é que vale e gosta de impor aos outros a sua vontade. Não admite ser contrariado, pouco importando se tem ou não razão, pois não gosta de dialogar. Em estado normal é muito alegre e decidido. Questionado torna-se violento, partindo para a agressão, com berros, gritos e choro. Tem um prazer enorme em contrariar todo tipo de preconceito. Passa por cima de tudo que está fazendo na vida, quando fica tentado por uma aventura. Em seus gestos demonstra o momento que está passando, não conseguindo disfarçar a alegria ou a tristeza. Não tem medo de nada. Enfrenta qualquer situação de peito aberto. É leal e objetivo. Sua grande qualidade, a garra, e seu grande defeito, a impensada franqueza, o que lhe prejudica o convívio social.
Iansã é a mulher guerreira que, em vez de ficar no lar, vai à guerra. São assim os filhos de Iansã, que preferem as batalhas grandes e dramáticas ao cotidiano repetitivo.
Costumam ver guerra em tudo, sendo portanto competitivos, agressivos e dados a ataques de cólera. Ao contrário, porém, da busca de certa estratégia militar, que faz parte da maneira de ser dos filhos de Ogum, os filhos de Iansã costumam ser mais individualistas, achando que com a coragem e a disposição para a batalha, vencerão todos os problemas.
São fortemente influenciados pelo arquétipo da deusa aquelas figuras que repentinamente mudam todo o rumo da sua vida por um amor ou por um ideal. Talvez uma súbita conversão religiosa, fazendo com que a pessoa mude completamente de código de valores morais e até de eixo base de sua vida, pode acontecer com os filhos de Iansã num dado momento de sua vida.
Da mesma forma que o filho de Iansã revirou sua vida uma vez de pernas para o ar, poderá novamente chegar à conclusão de que estava enganado e, algum tempo depois, fazer mais uma alteração - tão ou mais radical ainda que a anterior.
São de Iansã, aquelas pessoas que podem ter um desastroso ataque de cólera no meio de uma festa, num acontecimento social, na casa de um amigo - e, o que é mais desconcertante, momentos após extravasar uma irreprimível felicidade, fazer questão de mostrar, à todos, aspectos particulares de sua vida.
Os Filhos de Iansã são atirados, extrovertidos e chocantemente diretos. Às vezes tentam ser maquiavélicos ou sutis, mas, a longo prazo, um filho de Iansã sempre acaba mostrando cabalmente quais seus objetivos e pretensões.
Têm uma tendência a desenvolver vida sexual muito irregular, pontilhada por súbitas paixões, que começam de repente e podem terminar mais inesperadamente ainda. Se mostram incapazes de perdoar qualquer traição - que não a que ele mesmo faz contra o ser amado. Enfim, seu temperamento sensual e voluptuoso pode levá-las a aventuras amorosas extraconjugais múltiplas e freqüentes, sem reserva nem decência, o que não as impede de continuarem muito ciumentas dos seus maridos, por elas mesmas enganados. Mas quando estão amando verdadeiramente são dedicadas a uma pessoa são extremamente companheiras.
Todas essas características criam uma grande dificuldade de relacionamentos duradouros com os filhos de Iansã. Se por um lado são alegres e expansivos, por outro, podem ser muito violentos quando contrariados; se têm a tendência para a franqueza e para o estilo direto, também não podem ser considerados confiáveis, pois fatos menores provocam reações enormes e, quando possessos, não há ética que segure os filhos de Iansã, dispostos a destruir tudo com seu vento forte e arrasador.
Ao mesmo tempo, costumam ser amigos fiéis para os poucos escolhidos ara seu círculo mais íntimo.

Cozinha ritualística

Ipetê
Cozinhe inhames descascados em água pura sem sal. Frite, a seguir, os inhames cozidos e cortados em rodelas no azeite de dendê e separe. No próprio azeite que usou para a fritura, coloque o camarão seco descascado e picado e salsa, de modo a fazer um "molho". Coloque os inhames fritos num prato e regue-os com esse "molho".

Acarajé
Na véspera, ponha o feijão fradinho de molho. No dia seguinte, ele estará bem inchado. Descasque o feijão - grão por grão - retirando o olho preto, e passe na chapa mais fina da máquina de moer carne. Bata bastante para que a massa fique leve, isto é, até arrebentarem bolhas. Tempere com sal e a cebola ralada. Ponha uma frigideira no fogo com azeite de dendê e aí frite os acarajés às colheradas (com uma colher das de sopa), formando, assim, os bolinhos. Depois de fritos, reserve-os e prepare o molho: soque juntos a cebola, os camarões secos, as pimentas e o dente de alho. Depois de tudo bem socado e triturado, refogue em uma xícara de azeite de dendê. Sirva os acarajés abertos com o molho, tudo bem quente.

Bobó de inhame
Cozinhe os inhames com a casca e deixe-os escorrer para que fiquem bem enxutos. Amasse-os. Ponha o azeite de dendê numa panela, junte os camarões secos, a cebola, o alho, o gengibre, a pimenta e uma colherinha de sal. Refogue bem. Acrescente os camarões frescos, inteiros, e refogue mais um pouco. Junte o inhame amassado como um purê pouco a pouco, às colheradas, mexendo sempre. Cozinhe até endurecer.


Lendas De Iansã


Iansã Passa a Dominar o Fogo

Xangô enviou-a em missão na terra dos baribas, a fim de buscar um preparado que, uma vez ingerido, lhe permitiria lançar fogo e chamas pela boca e pelo nariz. Oiá, desobedecendo às instruções do esposo, experimentou esse preparado, tornando-se também capaz de cuspir fogo, para grande desgosto de Xangô, que desejava guardar só para si esse terrível poder.

Como os chifres de búfalo vieram a ser utilizados no ritual do culto de Oià-Iansã

Ogum foi caçar na floresta. Colocando-se à espreita, percebeu um búfalo que vinha em sua direção. Preparava-se para matá-lo quando o animal, parando subitamente, retirou a sua pele. Uma linda mulher apareceu diante de seus olhos, era Iansã. Ela escondeu a pele num formigueiro e dirigiu-se ao mercado da cidade vizinha. Ogum apossou-se do despojo, escondendo-o no fundo de um depósito de milho, ao lado de sua casa, indo, em seguida, ao mercado fazer a corte à mulher-búfalo. Ele chegou a pedi-la em casamento, mas Oiá recusou inicialmente. Entretanto, ela acabou aceitando, quando de volta a floresta, não mais achou a sua pele. Oiá recomendou ao caçador a não contar a ninguém que, na realidade, ela era um animal. Viveram bem durante alguns anos. Ela teve nove crianças, o que provocou o ciúme das outras esposas de Ogum. Estas, porém, conseguiram descobrir o segredo da aparição da nova a mulher. Logo que o marido se ausentou, elas começaram a cantar: 'Máa je, máa mu, àwo re nbe nínú àká', 'Você pode beber e comer (e exibir sua beleza), mas a sua pele está no depósito (você é um animal)'.
Oiá compreendeu a alusão; encontrando a sua pele, vestiu-a e, voltando à forma de búfalo, matou as mulheres ciumentas. Em seguida, deixou os seus chifres com os filhos, dizendo: 'Em caso de necessidade, batam um contra o outro, e eu virei imediatamente em vosso socorro.' É por essa razão que chifres de búfalo são sempre colocados nos locais consagrados a Iansã.

As Conquistas de Iansã

  Iansã percorreu vários reinos, foi paixão de Ogum, Oxaguian, Exu, Oxossi e Logun-Edé. Em Ifé, terra de Ogum, foi a grande paixão do guerreiro. Aprendeu com ele e ganhou o direito do manuseio da espada. Em Oxogbô, terra de Oxaguian, aprendeu e recebeu o direito de usar o escudo. Deparou-se com Exu nas estradas, com ele se relacionou e aprendeu os mistérios do fogo e da magia. No reino de Oxossi, seduziu o deus da caça, aprendendo a caçar, tirar a pele do búfalo e se transformar naquele animal (com a ajuda da magia aprendida com Exu). Seduziu o jovem Logun-Edé e com ele aprendeu a pescar. Iansã partiu, então, para o reino de Obaluaiê, pois queria descobrir seus mistérios e até mesmo conhecer seu rosto, mas nada conseguiu pela sedução. Porém, Obaluaiê resolveu ensinar-lhe a tratar dos mortos. De início, Iansã relutou, mas seu desejo de aprender foi mais forte e aprendeu a conviver com os Eguns e controlá-los. Partiu, então, para Oyó, reino de Xangô, e lá acreditava que teria o mais vaidoso dos reis, e aprenderia a viver ricamente. Mas, ao chegar ao reino do deus do trovão, Iansã aprendeu muito mais, aprendeu a amar verdadeiramente e com uma paixão violenta, pois Xangô dividiu com ela os poderes do raio e deu a ela o seu coração.

 


Iansã Ganha de Obaluaiê o Poder Sobre os Mortos

Chegando de viagem à aldeia onde nascera, Obaluaiê viu que estava acontecendo uma festa com a presença de todos os orixás. Obaluaiê não podia entrar na festa, devido à sua medonha aparência. Então ficou espreitando pelas frestas do terreiro. Ogum, ao perceber a angústia do Orixá, cobriu-o com uma roupa de palha, com um capuz que ocultava seu rosto doente, e convidou-o a entrar e aproveitar a alegria dos festejos. Apesar de envergonhado, Obaluaiê entrou, mas ninguém se aproximava dele, nenhuma mulher quis dançar com ele.
Iansã tudo acompanhava com o rabo do olho. Ela compreendia a triste situação de Obaluaiê e dele se compadecia. Iansã esperou que ele estivesse bem no centro do barracão. O xirê (festa, dança, brincadeira) estava animado. Os orixás dançavam alegremente com suas ekedes. Iansã chegou então bem perto dele e soprou suas roupas de palha com seu vento. Nesse momento de encanto e ventania, as feridas de Obaluaiê pularam para o alto, transformadas numa chuva de pipocas, que se espalharam brancas pelo barracão. Obaluaiê, o deus das doenças, transformara-se num jovem belo e encantador.
O povo o aclamou por sua beleza. Obaluaiê ficou mais do que contente com a festa, ficou grato. E, em recompensa, dividiu com ela o seu reino. Iansã então dançou e dançou de alegria. Para mostrar a todos seu poder sobre os mortos, quando ela dançava agora, agitava no ar o eruexim (o espanta-mosca com que afasta os eguns para o outro mundo). Iansã tornou-se Iansã de Balé, a rainha dos espíritos dos mortos, a condutora dos eguns, rainha que foi sempre a grande paixão de Obaluaiê.

 

Iansã - Orixá dos Ventos e da Tempestade !!!

Oxaguiam (Oxalá novo e guerreiro) estava em guerra, mas a guerra não acabava nunca, tão poucas eram as armas para guerrear. Ogum fazia as armas, mas fazia lentamente.  Oxaguiam pediu a seu amigo Ogum urgência, Mas o ferreiro já fazia o possível. O ferro era muito demorado para se forjar e cada ferramenta nova tardava como o tempo. Tanto reclamou Oxaguiam que Oiá, esposa do ferreiro, resolveu ajudar Ogum a apressar a fabricação. Oiá se pôs a soprar o fogo da forja de Ogum e seu sopro avivava intensamente o fogo e o fogo aumentado derretia o ferro mais rapidamente. Logo Ogum pode fazer muitas armas e com as armas Oxaguiam venceu a guerra. Oxaguiam veio então agradecer Ogum. E na casa de Ogum enamorou-se de Oiá. Um dia fugiram Oxaguiam e Oiá, deixando Ogum enfurecido e sua forja fria. Quando mais tarde Oxaguiam voltou à guerra e quando precisou de armas muito urgentemente, Oiá teve que voltar a avivar a forja. E lá da casa de Oxaguiam, onde vivia, Oiá soprava em direção à forja de Ogum. E seu sopro atravessava toda a terra que separava a cidade de Oxaguiam da de Ogum. E seu sopro cruzava os ares e arrastava consigo pó, folhas e tudo o mais pelo caminho, até chegar às chamas com furor. E o povo se acostumou com o sopro de Oiá cruzando os ares e logo o chamou de vento. E quanto mais a guerra era terrível e mais urgia a fabricação das armas, mais forte soprava Oiá a forja de Ogum. Tão forte que às vezes destruía tudo no caminho, levando casas, arrancando árvores, arrasando cidades e aldeias. O povo reconhecia o sopro destrutivo de Oiá e o povo chamava a isso tempestade.