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quarta-feira, 13 de abril de 2016

POMBA GIRA É OU FOI PUTA?!






 Bom, pra começar pombagira, pombogira, bombogira, todas essas nomenclaturas são corruptelas da palavra Bantu "Bongbogirá" que quer dizer exú. O costume adaptou essa palavra para denominar a companheira de Exu, o que é absolutamente aceito por elas.

Então, foram putas?
Não necessariamente, e essa questão é delicada. Estamos falando de uma religião (Umbanda) criada no começo do século XX, com espíritos remanescentes da escravidão, e de um Brasil precário e bem preconceituoso, onde a mulher era explorada das formas mais desumanas, e seus direitos praticamente não existiam. Quando esses espíritos começaram a incorporar traziam essa origem pobre, essa vida calejada, e sim, muitas foram putas para sobreviver, e isso era comum, pois se analisarmos o século XIX para trás a mulher era um objeto do homem.
Lembra da história de que a primeira impressão é tudo? Então, o estigma da puta ficou com as Pomba Giras.
Maaas esses espíritos souberam usar isso de forma maravilhosa, pois com esse rótulo levantaram a bandeira das que não tinham voz, pois toda mulher que sofria opressão as procuravam, por imaginar que por elas terem sofrido tanto poderiam acolhe-las, e era exatamente assim.
Mas então, eram putas? Sim e não. Alguns espíritos foram, outros não. Nem todas as Pomba Giras foram putas, muitas foram rainhas, condessas, advogadas, marquesas, trabalhadoras da indústria...mulheres comuns. Nós encarnados fantasiamos demais sobre a origem delas, que são trabalhadoras que passaram pela terra e trabalham no astral para auxiliar os encarnados.
Mas, porque estão sempre de peito de fora? Essas representações são somente imagéticas, herança desse passado, que particularmente, acho super válido. A Pomba Gira é um símbolo de poder feminino, e não acho que seja ofensivo mostrar o que os homens também mostram e não são reprimidos. Claro que em uma gira isso não acontece, é preciso que tenhamos essa consciência, afinal o espírito SEMPRE vai respeitar o livre arbítrio do seu cavalo, não colocando-o em situações constrangedoras ou perigosas.
Por fim, as que foram putas são maravilhosas e MOJUBÁ! As que foram da nobreza também são maravilhosas e MOJUBÁ! Vamos acabar com esse preconceito nosso também de recriminar as que foram putas, porque Exú não exclui, só inclui, né?! Axé!

Texto de Marcelo Moreno

"Magia do Axé"

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Mensagem de D. Rosa Caveira





     Triste é observar tantos filhos se desvirtuando dos caminhos da lei. Em nosso nome, acabam realizando práticas que não condizem com nossos ensinamentos, desvirtuando, dessa forma, nossa querida Umbanda e nossos sagrados Orixás.
Fazendo-se passar por Pretos Velhos e outras entidades como os Exus e Pomba Giras, garantem curas em troca de dinheiro e prometem coisas das quais nunca poderão cumprir. Mal sabem eles que não estão livres dos grilhões da Lei e da Justiça Divina e que, quando nos encontrarmos do lado de lá, tudo será cobrado, o sofrimento será intenso e nada poderá ser feito para aliviar suas dores e amenizar as suas dívidas.
Indago-me o porquê não aproveitam os ensinamentos de seus guias e mentores, que se aproximam com tanto amor, para por em prática o bem, a caridade e o amor ao seu próximo e se deixam influenciar por seres trevosos que só querem sugar suas energias fluídicas para, cada vez mais, praticar o mal que lhes serve de alimento. Porque esses filhos se iludem com riquezas materiais se a maior delas está em nossos corações? Temos feito de tudo para mostrar o caminho da verdadeira evolução espiritual, mas a ambição e o desejo sem limite os cegam, levando-os a pensar que são inatingíveis, porém, mais cedo ou mais tarde, ‘a casa cai’ e seu breve arrependimento neste mundo físico não vai abrandar as contas que terão que acertar aqui no plano espiritual.
Nosso tempo é diferente do de vocês, aqui se levam 100, 200,300 anos para se pagar pelos erros cometidos e começar uma nova jornada para a evolução espiritual, isso quando o espírito desencarnado aceita e pede o perdão verdadeiro, pois existem  aqueles que preferem continuar  trilhando os caminhos das trevas, e ,para esses,  a pena é muito mais dura e longa.
Sendo assim, o que tenho a dizer para vós é que continuem andando no caminho da Lei e Justiça Divina, para que sua passagem seja leve e branda.
 Muito ainda tenho para falar e quem tiver ouvidos, que ouça!

                     Rejane Mizerkowski, sob inspiração de Dona Rosa Caveira -
29/02/2012- 22h16min.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

O MISTÉRIO POMBAGIRA MIRIM ou MENINA

Devido o pedido de muitas pessoas que receberam os textos sobre os eres e Exu Mirim, vou discorrer de forma livre sobre a linha das Pombagiras Mirins, seres encantados tão desconhecidos quanto os Exus Mirins.


Todos os mistérios da Criação divina sempre mostram-se aos pares ainda que nem sempre isso nos seja visível porque desconhecemos quase tudo sobre eles.


No caso de algumas linhas isso já esta se mostrando e nem nos damos conta do qu
e esta tão visível.

Se não, então vejamos:

Exu do Lodo - Pombagira do Lodo

Exu Veludo - Pombagira Veludo

Exu do Cemitério - Pombagira do Cemitério

Exu Sete Encruzilhadas - Pombagira Sete Encruzilhadas

Exu Sete Capas - Pombagira Sete Véus

Exu Cigano - Pombagira Cigana

Exu das Matas - Pombagira das Matas

Exu das Sete Praias - Pombagira das Sete Praias

Exu Navalha - Pombagira Navalha

Exu João Caveira - Pombagira Rosa Caveira, etc..

Nas linhas da direita acontece a mesma bipolarização mas são menos visíveis, até porque quando o caboclo é ativo e (incorporante) a cabocla é passiva (não incorporante) ou seu nome simbólico é diferente do dele, fato esse que dificulta a identificação dos pares de guias da direita.

Pai João do Congo forma par com Mãe ou Vovó Maria Conga.

Pai João do Cruzeiro forma par com Mãe Maria das Almas.

Pai João de Angola forma par com Vovó Maria do Rosario. Etc..

Caboclo das Matas - Cabocla Jurema.

Caboclo Pena Branca - Cabocla Guaraciara.

Caboclo Sete Ondas - Cabocla Yara. Etc..

Bom paremos por aqui senão iremos revelar algo ainda fechado no tocante às linhas da direita, certo?

O fato é que existe toda uma Dimensão da Vida localizada a sete graus à esquerda da Dimensão Humana da Vida, escala essa que é horizontal e cada um dos seus graus contem todo um universo em si mesmo, dentro do qual desemboca toda uma Realidade Divina que começa no interior de Deus, dentro de uma de suas Matrizes Geradoras de Vidas, vidas essas que são geradas aos pares (masculino e feminino).

Portanto, existem 77 dessas Dimensões da Vida que desembocam nesse nosso abençoado planeta e a humana é a de número 21 na escala magnética divina horizontal.

A de nº 20 é a habitada pelos seres naturais regidos pelo Orixá Exu e a de nº 22 e habitada pelos seres naturais regidos pelo Orixá Ogum, só para que entendam essa escala divina, certo?

Todos os graus abaixo de 21 são classificadas como negativas e as acima são classificadas como positivas.

A partir da compreesão desse mistério intra-planetário então podemos discorrer sobre o mistério Pombagira Mirim pois assim como essa Matriz Divina gera Exu Mirim, também gera um ser feminino em tudo análogo a ele (em poderes e mistérios) e que também se manifesta na Umbanda quando lhe é possível ou permitido, sendo muito comum elas se apresentarem como Pombagiras Meninas.

Em outros casos, apresentam- se como Pombagira Mariazinha (diminutivo de Maria Molambo ou Padilha), etc..

É claro que em um médium só se apresentará um Exu Mirim e a Pombagira Mirim será passiva (não incorporante). Já em uma médium tanto pode incorporar o Exu Mirim quanto a Pombagira Mirim, mas nunca os dois serão ativos e, ou será ele ou será ela que sempre incorporará e trabalhará nas giras de atendimento ao público.

Mas isso não quer dizer que não possa incorporar esporadicamente tanto o exu quanto a Pombagira Mirim em uma gira fechada ( não aberta ao publico).

E antes que alguém pergunte qual é a oferenda para elas, saibam que é igual às das Pombagiras adultas.

É claro que aqui só comentei um pouco sobre as Pombagiras Mirins e há muito mais sobre elas, mas vou parar por aqui senão terei que escrever um livro só sobre esse mistério da Umbanda, certo?



Pai Rubens Saraceni

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

A popularidade de Pombagira


 Com a liberação da mulher, vieram a respon­sabilidade, os direitos e os deveres.  Pombagira popularizou-se com a expansão da Umbanda e dos demais cultos afro-brasileiros nos anos 60 e 70 do século XX e, em meio a multiplicidade de cultos com ela presente em todos, sua força era indiscutível e sue poder foi usufruído por todos os que iam se consultar com ela.  Não demorou a descobrirem que ela atendia a todos os pedidos, inclusive aos de “amarrações para o amor”, para “separação de casais” e outros pedidos bem terrenos dos humanos.
 Como ninguém se preocupou em fundamentá-la en­quanto Mistério da Criação e instrumento repressor da Lei Maior e da Justiça Divina, temidíssima justamente em um dos campos mais controvertidos da natureza dos seres, que é justamente o da sexualidade, eis que não foram pou­cas as pessoas que foram pedir o mal ao próximo e adqui­riram terríveis carmas, todos ligados aos relaciona­men­tos amorosos ou passionais.
Nada como pedir para as “moças da rua” coisas que não seriam muito bem vistas pelo “povo da direita”.
Assim, Pombagira tornou-se a ouvinte e conselheira de muitas pessoas com problemas nos seus relacio­namentos amorosos, procurando atender a maioria das solicitações, fixando em definitivo um arquétipo poderoso e acessível a todas as classes sociais.
Junto à explosão descontrolada das manifestações de Pombagiras, vieram os males congênitos, que acom­panham tudo o que é poderoso: os abusos em nome das entidades espirituais, tais como os pedidos de jóias e per­fumes caríssimos; de vestes ricas e enfeitadas, de oferendas e mais oferendas caríssimas; de assenta­men­tos luxuosos e os­tentativos; de cobrança por trabalhos realizados por elas, mas recebidos em espécie por encarnados, etc.
Pombagira também serviu de desculpa para que al­gumas pessoas atribuíssem a ela seus comportamentos no campo da sexualidade.
Ainda que hoje saibamos que elas são esgotadoras do íntimo das pessoas negativadas por causa de decep­ções e frustrações nos campos do amor, no entanto ainda hoje vemos um caso ou outro que atribuem à Pombagira o fato de vibrarem determinados desejos ou compulsões ligadas ao sexo.  Mas a verdade indica-nos exatamente o contrário disso, ou seja, a “mulher da rua” atua esgotando o íntimo de pes­soas e de espíritos vítimas de desequilíbrios emocionais ou conscienciais, pois essa é uma de suas muitas funções na Criação.

Texto extraído do livro “Orixá Pombagira”
de Rubens Saraceni, Editora Madras.