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segunda-feira, 13 de novembro de 2023

Mediunidade

 





Ao estudarmos a mediunidade vamos abrir as portas do plano espiritual, e um mundo novo se abrirá a todos, por isto vamos iniciar nossos estudos, tomando principalmente consciência em nossos corações da presença sublime que

nos acompanha e protege e que chamamos "Anjo da Guarda"; assim na entrada'

da porta que separa o mundo da matéria do mundo espiritual vamos aprender a

estabelecer com este amigo laços fluídicos mais fortes, para termos proteção e ajuda a discernirmos aquilo que aprenderemos.


E o que é "Anjo da Guarda"?


E um espirito bem mais evoluido que o seu protegido e não tendo mais um

karma para si neste plano, assumem a missão de proteger e orientar um espírito do encarne ao desencarne e muitas vezes por várias encarnações sucessivas, são um adendo a nossa consciência, procurando nos intuir para o bem.Quanto mais próximos lhes permitirmos estar mais sua vibração natural formará um escudo de proteção fluídica a nossa volta. Este espírito jamais nos abandona e sua missão é velar, intuir pois acima de tudo ele é o guardião

de nosso espírito que está preso a matéria está a mercê do livre arbítrio e sofrendo as reações das ações passadas e presentes.


Porque estudar a mediunidade ?


Porque a mediunidade é uma séria responsabilidade assumida pelo espírito antes do reencarne e todo bom navegador consulta as cartas antes de largar ao mar. É um campo de estudo difícil e melindroso onde jamais devemos nos desviar da bússola da razão, pois estando presos a matéria difícil é distinguir com segurança em um campo fluídico onde se digladiam forças do bem e do mal. E por este motivo que devemos pedir em primeiro lugar a presença de

nosso "Anjo de Guarda" e jamais esquecer o ensinamento "orai e vigiai", pois a vaidade, o orgulho e a própria fantasia poderá levar um medium a mistificação, ao animismo e a traição a verdade.


E o que é a mediunidade ?


A mediunidade é a condição de um espírito encarnado através da sensibilidade receber e transmitir de diferentes formas, mensagens do plano espiritual, possibilitando o intercâmbio entre os dois mundos.



E o que é o médium?


É o elo de ligação entre o plano espiritual e o da matéria, um veículo que tanto será melhor quanto mais evangelizado esteja.


terça-feira, 10 de maio de 2016

O primeiro Preto Velho



Uma antiga lenda contada por velhos juremeiros do Nordeste diz que o primeiro mestre negro
que chegou no Brasil se chamava Joaquim. Este era seu nome de batismo cristão. Seu nome africano,
provavelmente em língua kimbundu, se perdeu.
Mestre Joaquim era sábio de nascença. Na Mãe África, em terras de Angola, desde cedo ele
observava os kimbandas ou curandeiros locais. Joaquim aprendia tudo o que via. Levado por um tio
materno, um grande kimbanda, ele recebeu cedinho a sua iniciação no culto.
Joaquim foi ensinado a observar a Natureza e a descobrir o mistério atrás de cada folha, raiz e
árvore. Mãe Ntoto, o grande Nkizi (espírito natural e transcendente) da Terra, acolheu o jovenzinho
e transmitiu sua bênção regeneradora a ele.
Crescido, o rapaz não teve tempo de formar família. Guerras tribais o levaram longe da aldeia,
onde foi aprisionado e embarcado para a distante nação brasileira. Desembarcando em porto nordestino,
foi vendido. Trabalhou na lavoura dia após dia. Quieto, mas não passivo, observou o
sofrimento de seu povo. Nas poucas horas de tranquilidade atendia aos doentes. Com o auxílio dos
espíritos de Mãe Ntoto, descobriu as funções das ervas que aqui cresciam. Preparava breves, poções
e mezinhas.
Quando tinha chance, amoitava-se e penetrava no mato, onde falava com os espíritos locais,
invocava os ancestrais e rezava aos Minkizi (o conjunto dos Nkizi).
Certo dia foi procurado por um índio velho, que administrava uma pequena propriedade de um
capataz branco. O índio tinha observado as atividades de Joaquim no mato e ficou muito curioso...
Uma amizade forte e espiritual nasceu deste encontro. Foi com este índio que Joaquim conheceu os
poderes da Jurema.
Numa noite ele bebeu da cuia de Jurema do velho tuxaua, sentiu seu corpo frio como a morte,
percebeu a mente crescer e ganhar asas... A alma de Joaquim voou pelos céus e viu as casas ficarem
pequeninas, a Lua ficar mais perto e as estrelas parecerem mais brilhantes. Lá no firmamento
parecia existir uma luz desconhecida e ele seguiu até lá. O luzeiro foi ficando mais perto e Joaquim
encontrou uma aldeia, com gente, casa e tudo. Um cacique desconhecido chegou perto dele e o
recebeu com alegria e dignidade. Joaquim entrara misteriosa na Cidade dos Mestres, na Aldeia do
Juremal! O que ele realmente viu e aprendeu lá nunca contou a ninguém. Mas quando voltou à terra
dos encarnados, ele não era mais um Joaquim, era o Mestre Joaquim!
O tempo corria e nosso mestre, ainda escravo, foi consumindo seu corpo no serviço desumano
imposto a sua raça. Um tarde ele se aconchegou depois do trabalho, fechou os olhos e morreu. Sua
alma foi levada novamente para a Cidade Santa e entrou triunfalmente no santuário da Mãe Jurema,
louvado pelos mestres e mestras, profetas e guerreiros.
Certa madrugada uns caboclos montaram uma mesa (sessão espiritual de jurema), cantaram e
abriram as portas reais. Os mestres do Outro Mundo foram baixando um após o outro. Tudo era
harmonia e beleza! Um caboclo maduro e mais escuro cantou:
“Mestre Joaquim, é kimbanda!
Veio trabalhar, é kimbanda!
Mestre Joaquim é de Angola,
é kimbanda! É kimbanda!”*
(Nos Pontos ou Linhos mais modernos e populares, a palavra “é kimbanda”, ou seja “é curandeiro”,
transformou-se em “esquimbanda”. Daí perdemos o sentido tradicional africano.)
Esta foi a primeira vez que Mestre Joaquim acostou (baixou ou incorporou na linguagem dos
juremeiros) e desde então começou seu eterno exercício de caridade, fruto do amor maior e da
ciência sublime. Mestre Joaquim de Angola, de cachimbo na mão e chapéu na cabeça: o Rei negro da
Jurema Sagrada! O tempo passou depressa... A Umbanda ainda não tinha nascido, mas Mestre
Joaquim já procurava outros agrupamentos para levar a sua missão. O negro bantu nunca temeu seus
ancestrais e sempre colocou suas almas benditas no coração quente que batia de saudades. Lá nas
praias do Nordeste, nas montanhas de Minas Gerais ou no sopé dos morros cariocas, nosso mestre
juremeiro africano batia sua bengala e dava seu nome: Pai Joaquim de Angola! Imagem da bondade,
da sabedoria e da humildade.
Quando a Umbanda veio a este mundo, gestada na luz de Cristo, no Axé dos Orixás e Minkizis e
abençoada pela energia dos pajés, Pai Joaquim foi um dos primeiros guias a se apresentar.
Afinal já era preto velho diplomado! Pai Joaquim baixou e nunca parou de trabalhar.
“Pai Joaquim, ê, ê,
Pai Joaquim, ê á,
Pai Joaquim veio de Angola,
Pai Joaquim é de Angola, Angola á!”
*Usamos neste artigo a palavra Kimbanda em seu sentido tradicional: curandeiro ou xamã
bantu. Não é, portanto, uma referência ao quimbandeiro ou praticante da Quimbanda, culto
sincrético com poucos elementos bantu.



por Edmundo Pellizari (RAS ADEAGBO) Fonte:Jornal de Umbanda sagrada


Prece-poema a “Pai Benedito de Aruanda”





Meu bondoso Preto-Velho!

Aqui estou de joelhos, agradecido constrito, aguardando sua benção.

Quantas vezes com a alma ferida, com o coração irado, com a mente entorpecida pela dor da injustiça eu clamava por vingança, e Tu, oculto lá no fundo do meu Eu, com bondade compassiva me sussurravas: ESPERANÇA.

Quantas vezes desejei romper com a humanidade, enfrentar o mal com maldade, olho por olho, dente por dente, e Tu, escondido em minha mente, me dizias simplesmente:

"Sei que fere o coração a maldade e a traição, mas, responder com ofensas, não lhe trará a solução. Pára, pensa, medita e ofereça-lhe o perdão. Eu também sofri bastante, eu também fui humilhado, eu também me revoltei e também fui injustiçado. 

Das savanas africanas, moço, forte, livre, num instante transformado em escravo acorrentado, nenhuma oportunidade eu tive. Uma revolta crescente me envolvia intensamente, porque algo me dizia, que eu nunca mais veria minha Aruanda de então, não ouviria a passarada, o bramir dos elefantes, o rugido do leão, minha raça de gigantes que tanto orgulho tivera, jazia despedaçada, nua, fria, acorrentada num infecto porão.

Um ódio intenso o meu peito atormentava, por que OIÀ não mandava uma grande tempestade? Que Xangô com seus raios partisse aquela nave amaldiçoada, que matasse aquela gente, que tão cruel se mostrara, que até minha pobre mãezinha, tão frágil, já tão velhinha, por maldade acorrentara. E Iemanjá, onde estava que nossa desgraça não via, nossa dor não sentia, o seu peito não sangrava? Seus ouvidos não ouviam a súplica que eu lhe fazia? Se Iemanjá ordenasse, o mar se abriria, as ondas nos envolveriam; ao meu povo ela daria a desejada esperança, e aos que nos escravizavam, a necessária vingança.

Porém, nada aconteceu, minha mãezinha não resistiu e morreu; seu corpo ao mar foi lançado, o meu povo amedrontado, no mercado foi vendido, uns pra cá, outros pra lá e, como gado, com ferro em brasa marcado. 

Onde é que estava Ogum? Que aquela gente não vencia, onde estavam as suas armas, as suas lanças de guerra? Porém, nada acontecia, e a toda parte que olhava, somente um coisa via... terra.

Terra que sempre exigia mais de nossos corpos suados, de nossos corpos cansados. 

Era a senzala, era o tronco, o gato de sete rabos que nos arrancava o couro, era a lida, era a colheita, que para nós era estafa, para o senhor era ouro.

Quantas vezes, depois que o sol se escondia, lá no fundo da senzala, com os mais velhos aprendia, que o nosso destino no fim não seria sempre assim, quantas vezes me disseram que Zambi olhava por mim...

Bem me lembro uma manhã, que o rancor era grande, vi sair da casa grande, a filha do meu patrão. Ingênua, desprotegida, meu pensamento voou: eis a hora da vingança, vou matar essa criança, vou vingar a minha gente, e se por isso morrer, sei que vou morrer contente. 

E a pequena caminhava alegre, despreocupada, vinha em minha direção, como a fera aguarda a caça, eu esperava ansioso, minha hora era chegada. Eu trazia as mãos suadas, nesse momento odioso, meu coração disparava, vi o tronco, vi o chicote, vi meu povo sofrendo, apodrecendo, morrendo e nada mais vi então. Correndo como um possesso, agarrei-a por um braço e levantei-a do chão.

Porém, para minha surpresa, mal eu ergui a menina, uma serpente ferina, como se fora o próprio vento, fere o espaço, errando, por minha causa, o seu bote tão fatal; tudo ocorreu tão de repente, tudo foi de forma tal, que ali parado eu ficara, olhando a serpente que sumia no matagal. 

Depois, com a criança em meus braços, olhei meus punhos de aço que deviam matá-la... olhei seus lindos olhinhos que insistiam em me fitar. Fez-me um gesto de carinho, eu estava emocionado, não sabia o que falar, não sabia o que pensar.

Meus pensamentos estavam numa grande confusão, vi a corrente, o tronco, as minhas mãos que vingavam, vi o chicote, a serpente errando o bote... senti um aperto no coração, as minhas mãos calejadas pelo machado, pela enxada, minhas mãos não matariam, não haveria vingança, pois meu Deus não permitira que morresse essa criança. 

Assim o tempo passou, de rapaz forte de antes, bem pouca coisa restou, até que um dia chegou, e Benedito acabou...

Mas, do outro lado da morte eu encontrei nova vida, mais longa, muito mais forte, mais de amor e de perdão, os sofrimentos de outrora já não importam agora, por que nada foi em vão...

Fomos mártires nessa vida, desta Umbanda tão querida, religião do coração, da paz, do amor, do perdão". 



(Escrito por Pai Ronaldo Linares, em 20 de Outubro de 1964

Linha e Arquétipo dos Pretos Velhos




O balanço do navio ainda enjoava. Não sei o que mais enojava, se era o balanço do navio ou a visão mórbida de tantos corpos de meus confrades empilhados e já sem vida. Se o mau cheiro e a falta de espaço ou ainda os grilhões que nos prendiam.
Triste sorte, quem são estes animais hominídeos que nos amarravam, batiam e subjugavam?
Zâmbi estaria revoltado conosco? Ou os Orixás se esqueceram de seu povo?
Pensando assim é que muitos dos nossos não puderam se aproveitar da oportunidade em viver a escravidão. Processo este que se por um lado mancha a história da humanidade, por outro, “lavou a alma” de milhares de espíritos que na carne sentiram o gosto amargo da prestação de contas com o Criador.Todos sabem que quando os africanos foram escravizados, a Igreja logo tratou de justificar isso,tirando nossa alma, assim fizeram com nossos irmãos indígenas. Claro, é mais fácil arrancar-lhe a alma ao ter que conviver com a consciência.
Não vou aqui estender aos interesses dos colonizadores ou acusá-los. Vou tentar mostrar o lado bom desta sangrenta moeda.
Acontece que na Mãe África as coisas não iam tão bem quanto parece nos contos. Nosso povo era bem desenvolvido, no entanto, totalmente dirigido pelo mito, este que ditava nossas diretrizes e no
qual justificávamos nossos atos. Atos estes nada bons.
É certo que o homem tem necessidade de conquista e expansão. Diferentemente dos índios, nos digladiávamos em busca de riquezas e poderio, o que é pior, justificando como vontade dos Orixás, foi assim que a tribo de Ogum, formada por homens geneticamente mais avantajados, pontificou este
Orixá como o Senhor das Guerras e da Milícia...
Neste sentido, o povo africano estava se distanciando da vida natural ou da conservação da vida,não foi diferente com nossos irmãos ocidentais que jogaram a culpa em Jesus e saíram conquistando terras pela lâmina da espada, bem, mas isso é dívida deles.Com a escravidão, nós tivemos a oportunidade de nos reconhecer como semelhantes, uma vez que a rincha em tribos era feroz. Subjugados tivemos tempo para pensar em nossos atos, fazer brotar a humildade, simplicidade, resignação e principalmente o amor à vida. Todavia, para os companheiros que chegaram nesta conclusão entendo que cumpriram com o propósito Divino, porém, não foi simples assim, muitos outros milhares caíram no ódio, vingança e toda sorte de sentimentos contrários à evolução necessária.Perdoar o seu algoz talvez seja a chave mais certa para a iluminação!
Sabedoria, eis o que simboliza a Linha dos Pretos Velhos, mas saiba leitor, esta sabedoria só existe pela vivência, por experiência, não se compra, não se lê, simplesmente vive.Humildade, sentimento este simples de entender. Se coloque como parte do meio que você vive.Ao invés de querer ser expoente, ou líder, ou coisa do tipo, procure somar, contribuir para solidificar.
Veja o Brasil, a fama da construção deste país recai nos ombros dos Europeus que casa alguma teria erguido sem os braços negros do nosso povo. A meu ver, mais vale o que é concreto do que é falácia.
Já no Astral o povo africano que tinha se redimido de seus débitos milenares, e já com a “alma lavada” foi convocado pelos Mestres da Luz a formar a linha de trabalho espiritual em auxílio dos encarnados, surge assim o Grau Preto-Velho, onde se assentaram os nativos africanos, que pontificava paralelamente com o grau Caboclo; enquanto os índios traziam a jovialidade, determinação e pureza natural, nós contribuiríamos com o culto aos Orixás, bem organizado. Com a experiência do ancião e a mandinga que cura e afasta todo mal.Desta forma iniciava um entrosamento perfeito e renovado no Astral que sustenta tantos encarnados nas mais variadas religiões.Assim é o arquétipo da linha dos africanos, baseado no ancião, no simples e sábio.
Estamos à disposição daqueles que apesar do coração oprimido ainda se permitem acreditar sem perder a fé e a esperança, levar graça aos desgraçados, amor aos desiludidos.
Mantemos o arquétipo do velho arcado, para que assim possamos nos aproximar dos humildes.
Somos os Pais Velhos, Preto-Velho, Africano, Saravá o Orixá!







por Rodrigo Queiroz

ditado por Pai João de Angola




Fonte: este texto faz parte da apostila que compõe o material de estudos do curso Arquétipos da Umbanda, desenvolvido e ministrado por Rodrigo Queiroz.

Preto-velho na Cultura Brasileira e na Umbanda



Pai Antonio foi o primeiro preto-velho a se manifestar na Religião de Umbanda em seu médium
Zélio Fernandino de Morais onde se estabeleceu a Tenda Nossa Senhora da Piedade. Assim, ele abriu
esta “linha” para nossa religião, introduzindo o uso do cachimbo, guias e o culto aos Orixás.
O “Preto-velho” está ligado à cultura religiosa Afro Brasileira em geral e à Umbanda de forma
específica, pois dentro da Religião Umbandista este termo identifica um dos elementos formadores de
sua liturgia, representa uma “linha de trabalho”, uma “falange de espíritos”, todo um grupo de
mentores espirituais que se apresentam como negros anciões, ex-escravos, conhecedores dos Orixás
Africanos.
São trabalhadores da espiritualidade, com características próprias e coletivas, que valorizam o
grupo em detrimento do ego pessoal, ou seja, são simplesmente pretos e pretas velhas com Pai João e
Vó Maria, por exemplo.
Milhares de Pais João e de Avós Maria, o que mostra um trabalho despersonalizado do elemento
individual valorizando o elemento coletivo identificado pelo termo genérico “preto-velho”. Muitos até
dizem “nem tão preto e nem tão velho” ainda assim “preto velho fulano de tal”. A falta de informação
é a mãe do preconceito, e, no caso do “preto-velho”, muitos que são leigos da cultura religiosa
Umbandista ou de origem africana desconhecem o valor do “preto-velho” dentro das mesmas.
Preto é Cor e Negro é Raça, logo o termo “preto-velho” torna-se característico e com sentido
apenas dentro de um contexto, já que fora de tal contexto o termo de uso amplo e irrestrito seria
“Negro Velho”, “Negro Ancião” ou ainda “Negro de idade avançada” para identificar o homem da raça
negra que se encontra já na “terceira idade” (a melhor idade). Por conta disso alguns se sentem desconfortáveis
em utilizar um termo que à primeira vista pode parecer desrespeitoso ao citar um amável
senhor negro, já com suas madeixas brancas, cachimbo e sorriso fácil, por trás do olhar de homem
sofrido, que na humildade da subjugação forçada e escrava encontrou a liberdade do espírito sobre a
alma, através da sabedoria vinda da Mãe África, na figura de nossos Orixás, vindo de encontro à
imagem e resignação de nosso senhor Jesus Cristo.
Alguns preferem chamá-los apenas de “Pais Velhos” o que é bonito ao ressaltar a paternidade,
mas ao mesmo tempo oculta a raça que no caso é motivo de orgulho. São eles que souberam passar
por uma vida de escravidão com honra e nobreza de caráter, mais um motivo de orgulho em se
autoafirmar “nêgo véio” e ex-escravo; talvez assim se mantenham para que nunca nos esqueçamos
que em qualquer situação temos ainda oportunidade de evoluir. Quanto mais adversa maior a oportunidade
de dar o testemunho de nossa fé.
O “preto-velho” é um ícone da Umbanda, resumindo em si boa parte da filosofia umbandista.
Assim, os espíritos desencarnados de ex-escravos se identificam e muitos outros que não foram escravos,
nesta condição, assim se apresentam também em homenagem a eles, por tê-los como Mestres no
astral.
No imaginário popular, por falta de informação ou por má fé de alguns formadores de opinião, a
imagem do “preto-velho” pode estar associada por alguns a uma visão preconceituosa, há ainda os que
se assustam “com estas coisas”, pois não sabem que a Umbanda é uma religião, e como tal tem a
única proposta de nos religar a Deus, manifestando o espírito para a caridade e desenvolvendo o sentimento
de amor ao próximo. Não existe uma Umbanda “boa” e uma Umbanda “ruim”, existe sim única
e exclusivamente uma única Umbanda que faz o bem, caso contrário não é Umbanda e assim é com os
“Preto-velhos”, todos fazem o bem sem olhar a quem, caso contrário não é de fato um “preto-velho”,
pode ser alguém disfarçado de “velho-negro”, o “preto velho” trabalha única e exclusivamente para a
caridade espiritual.
São espíritos que se apresentam desta forma e que sabem que em essência não temos raça nem
cor, a cada encarnação temos uma experiência diferente. Os pretos velhos trazem consigo o “mistério
ancião”, pois não basta ter a forma de um velho, antes, precisam ser espíritos amadurecidos e
reconhecidos como irmãos mais velhos na senda evolutiva.
Quanto menos valor se dá a forma, mais valor se dá à mensagem, e “preto-velho” fala devagar,
bem baixinho; quando assim se pronuncia, todos se aquietam para ouvi-lo, parece-nos ouvir na língua
Yorubá a palavra “Atotô”, saudação a Obaluaê que quer dizer exatamente isso: “silêncio”.
Nas culturas antigas o “velho” era sempre respeitado e ouvido como fonte viva do conhecimento
ancestral. Hoje ainda vemos este costume nas culturas indígenas e ciganas. Algumas tradições
religiosas mantêm esta postura frente o sacerdote mais velho, trata-se de uma herança cultural
religiosa tão antiga quanto nossa memória ou nossa história pode ir buscar, tão antigos também são
alguns dos pretos-velhos que se manifestam na Umbanda.
Muitos já estão fora do ciclo reencarnacionista, estão libertos do karma, já desvendaram o
manto da ilusão da carne que nos cobre com paixões e apegos que inexoravelmente ficarão para trás
no caminho evolutivo.
Por tudo isso e muito mais, no dia 13 de Maio, dia da libertação dos escravos eu os saúdo: “Salve
os Pretos Velhos! Salve as Pretas Velhas! Adorei as Almas! Salve nosso Amado Pai Obaluaê, Atotô meu
Pai! Salve nossa Amada Mãe Nanã Boroquê, Saluba Nanã!”.
Usamos para eles velas brancas ou bicolores, metade preta e metade branca, tomam café e
fumam cachimbo.

por Alexandre Cumino

quarta-feira, 13 de abril de 2016

Volta, Caboclo!




Vem das tuas verdes matas para o recesso da minha mediunidade saudosa dos teus benditos
fluídos!
Vem incensar minh’alma com o aroma da tua presença querida, fazendo ecoar em meus ouvidos

atentos, o “quiô” da tua vibração!

Vem trazer-me o calor das tuas palavras fluentes, traduzidas na sonoridade das folhas das
palmeiras quando se espanam no ar…
Quero, contigo, apanhar as folhas da Jurema para adornar todo o meu Juremá… Cruzar meu
caminho com galhos de arruda e enfeitar minha gira com ramos de guiné…
Vem… Traz o teu arco forte e a tua flecha certeira… Vamos, numa só vibração, penetrar no seio
da mata virgem, procurar o inimigo que lá se esconde e desarmá-lo, à pujança do teu braço forte!
Volta, Caboclo! Coloca em minha fronte o teu belo cocar… e entrosa em mim, tua essência pura
de aromáticos jardins, contida em tão pequeno frasco!
Como podes usar-me, tu, enviado bendito das falanges superiores, para cumprimento da tua
missão? A que sacrifícios se submete a tua aura, pois, sendo tão grande, consegue incorporar-se num
tão diminuto ser!… Mesmo sabendo-me o mais insignificante dos teus médiuns, rogo-te, com ânsias
desesperadas na voz e uma saudade torturante em meu coração: “Volta ao teu reino de luz onde

impera a verdadeira caridade! Volta ao teu pegi de amor onde te aguardam, ansiosos, os teus filhos de
fé e o teu modesto aparelho receptor…
As ondas vibráteis da minha mediunidade querem voltar a funcionar ao toque das tuas
abençoadas mãos… Teu regresso será uma festa emocional onde as lágrimas mal contidas se
confundirão com o sorriso de algumas criaturas que não sabem chorar…
Teu ponto riscado iluminado está… teu ponto cantado, entoado num só diapasão de voz, te
abrirá ao nosso meio, para aconchego dos que reconhecem em ti, um trabalhador no campo sublime
da caridade!…
Teu assobio atrairá a atenção daqueles que ainda te creem em missão no Alto e de pronto,
estarás entre nós, numa vibração harmoniosa que a todos envolverá.
Volta, Caboclo! Sem ti sou qual ave sem ninho… Pássaro sem asa… Árvore sem ramagens…
Volta, Caboclo… Minha cabana te espera… A copa dos arvoredos se cobre de flores ao ciclo
mágico da primavera… O perfume dos jasmins perpassa pelo ar e o caminho do teu regresso está se
aromatizando de incenso, mirra e de benjoim…
Curumins alegres – os teus curumins – vestidos de branco, irão espalhando, pela orla do vale,
pétalas cheirosas à tua passagem… Nos cuités, haverá a água de coco fresquinha, o aluá e o néctar
precioso que as abelhas produzem… Vem… Tudo se prepara para tua chegada… Os tambores saudarão
a tua vinda junto com os aplausos daqueles que respeitam e reconhecem o valor da tua gira!
Volta, Caboclo! Minhas mãos te buscam na sinceridade DESTA súplica onde se patenteia o meu
amor por ti e a gratidão ao Médium Supremo por me ter apontado para ser teu pequenino médium!
Volta, Caboclo… Volta…

Autor Desconhecido – Publicado por: Atila Nunes em Antologia de Umbanda.

Salve Maria Padilha



O que Falta na Umbanda?




O que Falta na Umbanda?

Dia destes, ao final de uma gira de desenvolvimento mediúnico, manifestou-se Pai João de Angola, o Preto Velho regente da casa.
Como de costume, acendeu seu cachimbo, cumprimentou os presentes e chamou todos para bem perto dele e após se acomodarem ele pediu que todos respondessem uma pergunta simples:
“ – Do que a Umbanda precisa?”
E assim um a um foram respondendo:
" – Mais união...”
“ – Mais estudo...”
“ – Mais divulgação...”
“ – Mais respeito...”
“ – Mais reconhecimento...”
Mais, mais e mais...
Após todos manifestarem suas opiniões, Pai João sorriu e disparou:
“ – Muito se diz do que a Umbanda precisa, não é? E eu digo que a Umbanda precisa de Filhos!”
Silêncio repentino no ambiente.

POMBA GIRA É OU FOI PUTA?!






 Bom, pra começar pombagira, pombogira, bombogira, todas essas nomenclaturas são corruptelas da palavra Bantu "Bongbogirá" que quer dizer exú. O costume adaptou essa palavra para denominar a companheira de Exu, o que é absolutamente aceito por elas.

Então, foram putas?
Não necessariamente, e essa questão é delicada. Estamos falando de uma religião (Umbanda) criada no começo do século XX, com espíritos remanescentes da escravidão, e de um Brasil precário e bem preconceituoso, onde a mulher era explorada das formas mais desumanas, e seus direitos praticamente não existiam. Quando esses espíritos começaram a incorporar traziam essa origem pobre, essa vida calejada, e sim, muitas foram putas para sobreviver, e isso era comum, pois se analisarmos o século XIX para trás a mulher era um objeto do homem.
Lembra da história de que a primeira impressão é tudo? Então, o estigma da puta ficou com as Pomba Giras.
Maaas esses espíritos souberam usar isso de forma maravilhosa, pois com esse rótulo levantaram a bandeira das que não tinham voz, pois toda mulher que sofria opressão as procuravam, por imaginar que por elas terem sofrido tanto poderiam acolhe-las, e era exatamente assim.
Mas então, eram putas? Sim e não. Alguns espíritos foram, outros não. Nem todas as Pomba Giras foram putas, muitas foram rainhas, condessas, advogadas, marquesas, trabalhadoras da indústria...mulheres comuns. Nós encarnados fantasiamos demais sobre a origem delas, que são trabalhadoras que passaram pela terra e trabalham no astral para auxiliar os encarnados.
Mas, porque estão sempre de peito de fora? Essas representações são somente imagéticas, herança desse passado, que particularmente, acho super válido. A Pomba Gira é um símbolo de poder feminino, e não acho que seja ofensivo mostrar o que os homens também mostram e não são reprimidos. Claro que em uma gira isso não acontece, é preciso que tenhamos essa consciência, afinal o espírito SEMPRE vai respeitar o livre arbítrio do seu cavalo, não colocando-o em situações constrangedoras ou perigosas.
Por fim, as que foram putas são maravilhosas e MOJUBÁ! As que foram da nobreza também são maravilhosas e MOJUBÁ! Vamos acabar com esse preconceito nosso também de recriminar as que foram putas, porque Exú não exclui, só inclui, né?! Axé!

Texto de Marcelo Moreno

"Magia do Axé"

sábado, 15 de novembro de 2014

Umbanda



Procurei na Umbanda

A razão de viver
Nos orixás
A evolução do meu ser
Cada batida no tambor
Vai nascer um novo amor
E espalhar sobre a terra
A mensagem do senhor
Os atabaques estão rufando
Já está tudo preparado
Vamos firmar a corrente
Para a gira começar
O som do atabaque
Se propaga no ar
Com a permissão de Olorum
Saravando os Orixás
Oxalá, Oxum, Oxóssi e Ogum
Iansã, Xangô e Iemanjá
Vem Pretos-Velhos e Baianos
Vem Caboclos e Ciganos
Vem Boiadeiro e Marinheiro
Vem Pomba-Gira e Erê
Exu vem trabalhar
Em nossa gira de amor
Nossa gira diferente
Que traz pra gente
Muita paz e amor
Acredite quem quiser
Só basta ter fé
Não tenha medo vem com agente
A Umbanda é só amor

SALVE NOSSA QUERIDA UMBANDA...



Umbanda, quem és tu? 

Sou a fuga para alguns, a coragem para outros.
Sou o tambor que ecoa nos terreiros, trazendo o som das selvas e das senzalas. 
Sou o cântico que chama ao convívio seres de outros planos. 
Sou a senzala do Preto Velho, a ocara do Bugre, a cerimônia do Pajé, a encruzilhada do Exu, o jardim da Ibejada, o nirvana do Hindu e o céu dos Orixás.


Quem és tu umbanda? 

Sou o café amargo e o cachimbo do Preto Velho, o charuto do Caboclo e do Exu; o cigarro da Pomba-Gira e o doce do Ibeji. 
Sou gargalhada da Padilha, o requebro da Cigana, a seriedade do Seu Tranca-Rua. 
Sou o sorriso e a meiguice de Maria Conga, Cambinda, a traquinagem do Zequinha e a sabedoria do  Seu Sete Flechas. 
Sou o fluído que se desprende das mãos do médium levando a saúde e a paz. 

Quem és tu umbanda?

Sou o isolamento dos orientais onde o mantra se mistura ao perfume suave do incenso. Sou o Templo dos sinceros e o teatro dos atores. 
Sou livre. Não tenho Papas. Sou determinada e forte.

E de onde vem tuas forças umbanda?

Minhas forças? Elas estão no homem que sofre e que clama por piedade, por amor, por caridade. 
Minhas forças estão nas entidades espirituais que me utilizam para seu crescimento. 
Estão nos elementos da natureza; a água, a terra, o fogo e o ar; na pemba, na guia, na mandala do ponto riscado. 
Estão finalmente na tua crença, na tua Fé, que é o elemento mais importante na minha alquimia.


Onde mesmo estão tuas forças umbanda? 

Minhas forças estão em ti, no teu interior, lá no fundo, na última partícula da tua mente, onde te ligas ao Criador. 
Ah! Quem sou? Sou a humildade, mas cresço quando combatida. 
Sou a prece, a magia, o ensinamento milenar, sou cultura. 
Sou o mistério, o segredo, sou o amor e a esperança.
Sou a cura.

E de quem sou?

Sou de ti. 
Sou de Deus.
Sou Umbanda.

quarta-feira, 30 de julho de 2014

EXU DO FOGO

AO MISTÉRIO EXU DO FOGO
Fonte Luminosa de calor e vida, portador do fogo da purificação e da chama da elevação.
Pedimos nesse momento que incendeie o nosso intimo, buscando todas as trevas interiores, queimando nossos vícios e incinerando o nosso negativismo.
Que a sua chama possa brilhar em nós e entre nós e que todos os laços antagônicos, sejam eles do passado, do presente ou do futuro se transformem em linhas de fogo, purificando as mágoas, os receios, os ressentimentos, a depressão, a tristeza, a frustração e o dissabor dos relacionamentos humanos.
Que o fogo revelador se propague, apontando as nossas falhas, nossas incertezas e corrigindo nossos medos e temores.
Que o fogo negro da criação devaste e devore o nosso ego, a nossa vaidade, o orgulho desenfreado e a raiva acumulada.
Senhor Exu do Fogo, vos que sois a estrela que mais brilha, a estrela propulsora da razão e da compreensão, nos ensine o caminho da justiça arrancando de nós o ato injusto, nos ensine o caminho do conselho e queime em nós o péssimo habito da opinião, fazendo com que a chama viva do conhecimento possa brotar em nossas mentes, fertilizando a nossa caminhada e estimulando o nosso raciocínio.
Senhor Exu do Fogo, que o fogo da purificação se levante a nosso favor, queimando e destruindo todos os trabalhos de cunho negativo, sejam eles: magísticos, religiosos e espirituais que tenham sido feitos ou encomendados para as nossas vidas ou a vida de nossos familiares.
Que possamos caminhar sem às amarras das feitiçarias, dos bruxedos, das amarrações, das rezas negras e invertidas, dos envultamentos, dos enterramentos e dos trabalhos de derrubamento.
E quando tudo isto estiver queimado e reduzido a pó em nossos caminhos que a chama da consciência divina nos envolva e ampare, mostrando que todos os atos e escolhas serão as resultantes do nosso futuro.
Que em nossa direção o fogo vivo da criação possa arder e brilhar, fazendo do nosso caminho um caminho justo, reto, consciente e disciplinado.
Que o magma que percorre o seio da terra possa se levantar em nossos caminhos, abrasando os nossos corações e potencializando a nossa fé para uma vida espiritual e plena.
Laroyê Exu do Fogo!
(desconheço a autoria)

Feiticeira

"Feiticeira é, feiticeira... Vem feiticeira, vem trabalhar.
Pomba gira ela é, Pomba gira tem que ser, Pomba gira Feiticeira tem seu poder.
Na mandinga ela cruza e descruza o que quiser, feiticeira ela pode, feiticeira ela é."

Ser Umbandista


Ser Umbandista
Ser umbandista não é ser apenas religioso. 
É ser cristão. 
Ser umbandista não é ostentar uma crença. 
É vivenciar a fé sincera. 
Ser umbandista não é ter uma religião especial. 
É saber que tem grande responsabilidade para consigo mesmo e para com o próximo.
Ser umbandista não é querer superar o próximo. 
É querer superar a si mesmo através da reforma íntima e das boas ações.
Ser umbandista não é construir templos de pedra. 
É transformar o coração em templo eterno. 
Ser umbandista não é apenas aceitar a reencarnação. 
É compreendê-la como manifestação da Justiça Divina e caminho natural para a perfeição. 
Ser umbandista não é só comunicar-se com os Espíritos, porque todos indistintamente se comunicam, mesmo sem o saber. 
É comunicar-se com os bons Espíritos para se melhorar e ajudar os outros a se melhorarem também.
Ser umbandista não é apenas consumir as obras espíritas para obter conhecimento e cultura. 
É transformar os livros e suas mensagens, em lições vivas para a própria mudança. Ter grande conhecimento sem no entanto vivenciar é o mesmo que falar e não fazer. 
Ser umbandista não é internar-se no Centro Espírita ou Terreiro, fugindo do mundo para não ser tentado. 
É conviver com todas as situações, sem alterar-se. O umbandista consciente é umbandista no centro, terreiro, em casa, na rua, no trânsito, na fila, ao telefone, sózinho ou no meio da multidão, na alegria e na dor, na saúde e na doença. 
Ser umbandista não é ser diferente. 
É ser exatamente igual a todos, porque todos são iguais perante Deus. Não é mostrar-se que é bom e sim provar a si próprio que se esforça para ser bom, porque ser bom deve ser um estado normal do homem consciente. Anormal é não ser bom. 
Ser umbandista não é curar ninguém. 
É contribuir para que alguém trabalhe a sua própria cura. 
Ser umbandista não é tornar o doente um dependente dos supostos poderes dos outros.
É ensinar-lhe a confiar nos poderes de Deus e na sua própria fé, que estão na sua vontade sincera e perseverante de melhorar a si próprio. 
Ser umbandista não é consolar-se em receber. 
É confortar-se em dar, porque pelas leis naturais da vida, "é mais bem aventurado dar do que receber". 
E por fim, ser umbandista não é esperar que Deus desça até onde nós estamos. 
É subir ao encontro de Deus, elevando-se moralmente e esforçando-se para melhorar sempre, buscando sempre o auxílio ao próximo, a pratica do bem e da caridade.
Isto é ser umbandista!
(desconheço autoria)

quinta-feira, 22 de maio de 2014

A LINHA DOS CIGANOS



Os Ciganos inicialmente se manifestaram na Umbanda dentro da Linha do Oriente. 





Mais tarde, vieram como Linha autônoma e com um campo especializado de atuação, que se volta muito para a magia visando à prosperidade, à união das famílias, ao amor, à cura, à quebra de magias negativas, à superação de preconceitos e de traumas e bloqueios emocionais. 



A Linha dos Ciganos tem a Regência dos Orixás Egunitá (que inclusive é sincretizada com Santa Sara Kali, a Padroeira do Povo Cigano), Oyá-Tempo e Yansã. 



A Linha traz o arquétipo de um povo muito antigo e místico, de alma livre, desapegado e, por isso mesmo, capaz de atrair a prosperidade no campo espiritual e material e de ensiná-la a quem precise. 



Popularmente, às vezes se pensa que os Ciganos eram apegados a jóias e metais preciosos, mas o que ocorre é que esses valores eram de fácil transporte para eles, que eram nômades, e assim procuravam ter meios de subsistência. O desapego e o senso de liberdade aparecem na sua maneira de viver, que é sustentada em suas crenças, tradições e na valorização da família. Nunca se envolveram em disputas por domínio ou conquistas. 



Segundo a maioria dos pesquisadores da atualidade, a origem dos Ciganos está na Índia. Ao que tudo indica, de início não eram nômades, mas condições adversas os levaram a peregrinar. Alguns pesquisadores apontam que foram expulsos por invasores muçulmanos, por volta do século 10, e daí em diante tornaram-se nômades. 



Os Ciganos são grandes conhecedores da magia, alegres, amantes da natureza, muito voltados para a família, serenos e sábios conselheiros. São especialistas em preparar remédios com raízes, folhas, pós e pomadas. São portadores de uma Energia que favorece muito a prosperidade, pois estimula nas pessoas um sentimento de liberdade, de amor e celebração da vida, bem como o desapego, fatores indispensáveis para se atrair a ”boa sorte” e “a fortuna”. 







O Povo Cigano traz uma extraordinária bagagem cultural. Por sua natureza nômade, os Ciganos viveram em diversas regiões do mundo, acabando por somar aos próprios conhecimentos aquilo que assimilaram de tantas outras culturas. 



Ao longo da história, os Ciganos enfrentaram inúmeros preconceitos, desconfianças e acusações injustas, sendo banidos de muitas regiões do planeta. Eram fechados na sua maneira de viver, no sentido de que falavam um idioma próprio e nunca tiveram uma tradição escrita, tudo é passado oralmente; e, por serem muito místicos, pareciam sempre misteriosos. Muitos foram presos e escravizados; grande número deles foi assassinado na Inquisição e, mais recentemente, pelo nazismo. 



Todos os povos têm entre si bons e maus elementos; e com os Ciganos não poderia ser diferente. O que não se pode é julgar todos pelo comportamento da minoria. A causa de tantas perseguições foi a sua cor de pele e a sua mística (seus dons místicos), outro motivo nunca foi provado. Eles sofreram porque eram diferentes; e infelizmente até hoje “ser diferente” incomoda a alguns e gera atos de preconceito e de discriminação abomináveis. 



Apesar de tudo isso, os Ciganos souberam preservar sua mística, sua alma livre e suas tradições culturais; inclusive a partir do idioma, o Romani (ou Romanês), até hoje falado pela grande maioria dos Ciganos de todo o mundo. Eles mantiveram sua fé, suas crenças, sua sabedoria, sua magia, seu espírito livre de “cidadãos do mundo”, nunca lutaram por uma terra própria, não se apegaram a pedaço algum de chão. São “viajantes que dormem sob o teto das estrelas; filhos da Terra, da água, do vento, do sol, da lua, da chuva, do dia e da noite; e irmãos de todas as criaturas”, como nos disse um dia uma Entidade Cigana. Existe noção mais bela de vida do que esta: “ser um viajante”? Afinal, estamos aqui de passagem... 



Por toda a sua bagagem espiritual e cultural e por sua história de peregrinações e sofrimento, os Ciganos receberam do Astral Superior uma Linha de Trabalho que lhes rende homenagem. Não foram aceitos em alguns lugares, quando encarnados. Mas, ao desencarnar, conquistaram um Grau perante a Espiritualidade; vindo a somar suas forças às das demais Falanges de Trabalhadores da Umbanda, o que nos proporciona o privilégio de entrar em contato com esses espíritos antigos, que muito podem nos auxiliar, como de fato auxiliam, com sua sabedoria de vida.







Trabalham preferencialmente na Vibração da Direita e neste caso não costumam usar a cor preta (em velas, roupas etc.). Aqueles que trabalham na Vibração da Esquerda são os Exus e as Pombagiras Ciganas, Guardiões e Guardiãs a serviço da Luz nas trevas, dentro dos seus campos de atuação, como todo Guardião e Guardiã. 



Os Ciganos gostam de música e dança. Suas Giras são envolventes, coloridas pelas suas vestes e, acima de tudo, pela sua energia alegre e amiga. 



Usam muitos elementos magísticos, tais como: lenços e fitas coloridas, moedas, punhais, espelhos, taças, chaves, baralho, dados, pedras, runas, leques e incensos. Observam muito as fases da Lua para os seus trabalhos. No geral, a Lua Cheia é considerada a mais favorável, é a “lua madrinha” dos Ciganos. 



Cada incenso que usam tem uma finalidade específica. Exemplos:





●Mirra- incenso considerado sagrado. Usado para limpeza, durante e após os rituais, bem como para desfazer magias negativas;

●Sândalo- para estabelecer a sintonia com o Astral;

●Lótus- para paz e tranquilidade;

●Benjoim- para proteção e limpeza;

●Madeira- para abrir os caminhos;

●Almíscar- para favorecer os romances;

●Jasmim- para o amor;

●Laranja- para acalmar uma pessoa ou um ambiente.



Costumam indicar o incenso de sua preferência, ligado ao seu campo específico de trabalho. Numa oferenda para manutenção, agrado ou tratamento, podemos usar incenso de rosas (leveza, elevação e louvação espiritual), na falta de indicação específica.







Alguns Símbolos Ciganos: 



Tudo no mundo Cigano está envolvo em magia. Há muitos símbolos, como estes: 



●Roda – É o grande símbolo Cigano. Simboliza o “Sansara”, o ir e vir; o passar por diversos estados; o ciclo nascimento/morte/renascimento. Usado para “o despertar da consciência” e assim promover a evolução e o equilíbrio. 



●Estrela de seis pontas- Simboliza proteção. É o símbolo dos grandes Chefes Ciganos. Usado como talismã de proteção contra inimigos visíveis e invisíveis. Também conhecido como Estrela Cigana e Estrela de David. Representa sucesso e evolução interior. Suas seis pontas formam dois triângulos iguais, que indicam a igualdade entre o que está encima e o que está embaixo (princípio de uma das Leis Herméticas). 



●Estrela de cinco pontas (pentagrama)- Simboliza evolução, o domínio dos cinco sentidos. Usado para proteção, está associado à intuição, à sorte e ao êxito. 



●Ferradura- Simboliza energia e sorte. Os Ciganos a consideram um poderoso talismã. É usada para atrair energia positiva, a boa sorte e a fortuna e para afastar a má sorte. Também representa o esforço e o trabalho. 



●Chave- Simboliza as soluções. Usada para atrair boas soluções de problemas. Quando trabalhada no fogo, atrai sucesso e riquezas. 



●Lua- Simboliza a magia e os mistérios. Usada geralmente pelas Ciganas para atrair percepção, o poder feminino, a cura e o exorcismo, e sempre atentando para as suas fases: Nova, Crescente, Cheia e Minguante. A Lua Cheia é o maior símbolo de ligação com o Sagrado, sendo chamada de “madrinha”. As grandes festas Ciganas sempre acontecem em noites de Lua Cheia. 



●Coruja- Simboliza "ver a totalidade". É usado para ampliar a percepção com a sabedoria, possibilitando ver a totalidade, o consciente e o inconsciente. 



●Âncora- Simboliza segurança. Usada para trazer segurança e equilíbrio no plano físico, inclusive financeiro, e para se livrar de perdas materiais. 



●Moeda- Simboliza proteção e prosperidade. Usada contra energias negativas e para atrair dinheiro. É associada ao equilíbrio e à justiça, bem como à riqueza material e espiritual representada nas duas faces da moeda (cara e coroa). Para os Ciganos, cara é o ouro físico; e coroa é o espiritual. 



●Punhal- Simboliza força, poder, vitória e superação. Muito usado nos rituais de magia, tem o poder de transmutar energias. Os Ciganos usavam o punhal para abrir matas e por isso ele é um dos grandes símbolos de superação e pioneirismo, além da roda. 



●Taça- Simboliza união e receptividade (qualquer líquido cabe nela e adquire sua forma). No casamento Cigano, os noivos tomam vinho numa única taça, representando valor e comunhão eterna. 



●Trevo- É o símbolo mais tradicional de boa sorte. O trevo de quatro folhas traz felicidade e fortuna; encontrar um é prenúncio de boas notícias.

Fonte:7 porteiras