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domingo, 23 de setembro de 2012

Cantigas de Exu em Yoruba


 Èsú yè, Laróyè ! (Viva Èsú! Ou Salve Èsú!)

1
A jí kí Barabo ago mojúbà, àwa kò sé
A jí kí Barabo ago mojúbà, e omodé ko èkò èkó
Barabo e mojúbà Elégbára Èsú l’óònòn.
A ji qui Barabô ago mojubá auá cô xê
A jí qui Barabô ago mojubá ê omódê có é có
Barabô môjubá Élébára Exú lonã.
Nós acordamos e cumprimentamos Barabo,
A vós eu apresento meus respeitos,
Que vós não façais mal.
Nós acordamos e cumprimentamos Barabo
A vós eu apresento meus respeitos.
A criança aprende na escola (é educada, ensinada)
Que a Barabo eu apresentei meu respeito, ele é
Senhor da Força, o Exú dos caminhos.

2
Bará ó bebe Tirirí l’ònòn
Èsú Tirirí, Bará o bebe Tirirí l’ònòn, Èsú Tirirí.
Bará ô bébé tirirí lónã Exú tirirí
Bará ô bébé tirirí lónã Exú tirirí, Exú Tirirí
Exú, ele realiza proezas maravilhosas,
Tirirí é o Senhor dos Caminhos, Exú Tirirí.

3
Xo Xoroque Odára, Odára bàbá ebo
Xo Xoroque Odára, Odára bàbá ebo
Xo Xoroque ôdara ôdara babá ebó
Xo Xoroque ôdara ôdara babá ebó
Odara sobe, sobe (ascenção), Odara é o pai dos ebós
Odara sobe no fogo que ele próprio acendeu

4
Èsú wa jú wo mòn mòn ki wo Odára
Laróyé Èsú wa jú wo mòn mòn ki wo Odára
Èsú awo.
Exu a ju uô mã mã qui uô ódara
Larôiê Exu a ju uô mã mã qui uô ódara
Exu auô.
Exu nos olha no culto e reconhece, sabendo que o culto é bom,
Larôie Exu nos olha no culto e reconhece sabendo que o culto
É bonito, vamos cultuar Exu.

5
Odára ló sòro, Esu Odára ló sòro lóònòn
Odára ló sòro, Esu Odára ló sòro lóònòn
Ôdára lô xorô Exu Ôdára lô xorô lónã
Ôdára lô xorô Exu Ôdára lô xorô lónã
Odara pode tornar o caminho difícil,
Ele é o Senhor dos caminhos.

6
Odára sá wê pê Exu Odára sá wê pê lóònòn
Odára sá wê pê Exu Odára sá wê pê lóònòn
Odára xá uê pê Exu Odára xá uê pê lónã
Odára xá uê pê Exu Odára xá uê pê lónã
Odara corta e se banha demoradamente,
Exu Odara corta e se banha demoradamente no caminho

7
Elégbára Èsú ó sá kéré kéré
Akesan Bará Èsú ó sá kéré kéré.
Elébára Exu ô xá querê quere
Akésã bará Exu ô xá quere quere.
Exu, o Senhor da Força (do poder)
Faz cortes profundos e pequenos,
Akésan Exu do corpo, faz cortes profundos
E pequenos (gbéré).

8
A jí ki ire ni Èsú, Èsú ka bí ka bí.
A jí ki ire ni Èsú, Èsú ka bí ka bí.
A ji qui irê ni Exú, Exú cá bi ca bi
A ji qui ire ni Exu, Exu cá bi cá bi.
Nós acordamos e cumprimentamos felizes a Exu,
E Exu conta como nascemos, Exu conta como nascemos.

9
E Elégbára Elégbára Èsú Aláyé
E Elégbára Elégbára Èsú Aláyé
Ê élébára élébára Exu alaiê
Ê élébára élébára Exu alaiê
Senhor da Força, Senhor do Poder
Senhor da Força, Senhor do Poder
Cumprimentamos o Chefe (dono do mundo)

quarta-feira, 16 de maio de 2012

ORIXÁ EXU



Fundamentação do Mistério Exu na Umbanda

Em 1995 tive a oportunidade de ler algo novo para a Religião de Um­banda, uma obra psicografada, O Cavaleiro da Estrela Guia. A identifi­cação foi tamanha que procurei os outros títulos do autor Rubens Saraceni. Então, me chegou às mãos o título O Guardião da Meia Noite, um romance que em poucas palavras, de uma forma agradável e envolvente, nos esclarece sobre quem são as entidades que se apresentam como Exu na Umbanda, que são Guar­diões e protetores da Reli­gião e de seus adeptos. A publicação deste livro (N. da R.: Orixá Exu) é um marco dentro da literatura umbandista, não ape­nas por ter aberto para a re­ligião o campo da obra psi­cografada, até então pouco ou quase nada aproveitado, mas por trazer para o adepto o escla­recimento necessário e a segu­rança para trabalhar com seu “Guardião da Lei” na Umbanda, e para o não adepto, a des­mis­tificação da entidade Exu. Logo, O Guardião da Meia Noite se tor­nou a obra mais lida da litera­tura umbandista.

Rubens Saraceni não parou mais, pu­blicou toda uma série de livros sobre os Guardiões da Umbanda (Os Guar­diões da Lei Divina, O Guardião da Séti­ma Passagem, Guardião das Sete En­cru­zilhadas, O Guardião da Pedra de Fogo, O Guardião das Sete Cruzes, O Guar­dião do Fogo Divino, O Guardião dos Caminhos, Os Guardiões dos Sete Por­tais e Guardião Sete) livros que mostram toda uma realida­de vivida por estas entida­des na Umbanda e no as­tral.

Em 1996, mais uma vez inovando, Rubens Sarace­ni criou um curso livre cha­mado “Teologia de Umban­da Sagrada”, no qual todo um conhe­cimento sobre o Orixá Exu começou a ser apre­sentado.

Aprendemos que, assim como Deus tem nomes diferentes nas di­versas culturas, divinda­des assumem nomes e formas diferentes. O que se mantém é a essência de cada uma, facil­mente identificada por suas qualidades. Assim, Exu é identificado em outras culturas como Elegbará (gêge), Aluvaiá (banto), Bes e Min (egípcia), Pã e Hermes (gre­ga), Savitri e Shiva (hindu), Kanamara Matsuri (japonesa), entre outros. Também nessa épo­ca, uma das apostilas deste curso, foi organi­zada e publicada com o nome de Livro de Exu: O Mistério Revelado, no qual é apresentada a re­lação do médium com seu Exu de Trabalho, Exu Guardião e Exu Natural. O Orixá Exu se revela como o Trono da Vitali­dade.

Quando pensamos que muito já havia sido revelado, então o autor, ou melhor, o revelador, nos traz mais uma revelação: a questão dos “fatores” de Deus. Cada fator corres­ponde a uma ação na criação, cada ação a um verbo e a uma Divindade, Orixá, correspondente. Em duas obras, Tratado Geral de Umbanda e Lendas da Criação, foram apresentados os “Fatores dos Orixás”, Nelas aparecem os fatores de Exu, ou seja, as ações que Exu desempenha na criação. Apenas para se ter uma idéia do que estamos falando, cito os fatores de Exu com a letra A: Abacinador, Abafador, Abirritoador, Achador, Acontecedor, Acornador, Acunheador, Adiantador, Agarrador, Agostador, Alabirintador, Aluidor, Amontoador, Anavalhador, Antevedor, Argolador, Arpoador, Arran­jador, Arrastador, Arrepiador, Arrui­nador, Assustador, Atalhador, Atinador, Atrofiador e Avisador.

Em Lendas da Criação aparece um trio que “rouba a cena” (Orixá Exu, Orixá Pombagira e Orixá Exu Mirim). Ficamos encantados com a presença de Exu Mirim, praticamente inexistente na literatura umbandista. Tempos depois, fomos surpreendidos com o livro Orixá Exu Mirim, que esclarece e fundamenta teologicamente o Mistério Exu Mirim na Umbanda.

Prefácio escrito por ALEXANDRE CUMINO

para o livro

“Orixá Exu” de Rubens Saraceni, Editora Madras

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

"A MAGIA DA VIDA" FALANDO DE EXU


O TEXTO ABAIXO FOI TRANSCRITO DO PROGRAMA
"A MAGIA DA VIDA" FALANDO DE EXU
VEICULADO PELA RÁDIO MUNDIAL FM 95,7 MHZ

 

Durante décadas Exu foi conhecido como algo assustador e sombrio. É verdade que cada
Divindade ou Orixá tem um arquétipo, mito ou lenda que o diferencia dos demais; mas não podemos
esquecer que esses mitos e lendas foram escritos por pessoas que vivem aqui na terra. Pessoas que após algum tipo de informação sobre os Orixás e a partir de suas próprias impressões desenvolveram
estórias que foram passadas de geração em geração através da tradição oral.Hoje, com as informações que recebemos diretamente do plano astral, através de espíritos mensageiros que tem a missão de desmistificar essas estórias, sabemos que o Orixá Exu, enquanto mistério manifestado por Deus é indispensável para a manutenção do equilíbrio da Criação. Até então,tínhamos apenas descrições feitas por pessoas sobre a atuação de espíritos que manifestavam aqui na
terra os mistérios do Orixá Exu no plano espiritual. Assim, Exu era descrito a partir da visão que se
tinha dos seus manifestadores espirituais.O termo, “exunização”, criado por Pai Benedito de Aruanda, se refere ao processo em que espíritos são atraídos pela irradiação do
Mistério do Orixá Exu, se integram a essa irradiação e passam a atuar como manifestadores espirituais desse Mistério divino.Embora a visão de Exu na Umbanda fosse limitada aos espíritos
incorporados às suas falanges ou correntes espirituais que atuavam nos
terreiros, no candomblé já existia todo um conhecimento sobre o Orixá
Exu, que inclusive o coloca em pé de igualdade com os outros Orixás.
A Umbanda desenvolveu sua visão através dos espíritos que
incorporavam nos médiuns e falavam de si mesmos. Na visão terrena,
acreditava-se que esses espíritos e o Orixá eram a mesma coisa. Como
tudo acontece no devido tempo, hoje sabemos que o Orixá Exu, assim
como os outros Orixás, transcende tudo o que podemos imaginar sobre
ele.Quanto mais elevado o nível de revelação e conhecimento sobre os Orixás, mais abrangentes
eles se tornam, deixando de ser seres limitados à visão humana, para se tornarem poderes manifestados por Deus. Poderes que não tem forma humana e se estendem por toda a Criação divina, atuando na vida de todos os seres, independente do plano em que se encontram.
O poder atua sobre tudo e sobre todos. Até na formação da própria matéria encontramos sinais
da Onipresença dos Orixás. Quando avançamos nesse campo elevado do conhecimento dos Orixás
enxergamos a profundidade desse poder.A Magia Divina do Sagrado Orixá Exu nos leva para dentro dessa profundidade que foi revelada através de Pai Benedito de Aruanda, Mestre Seiman Hamiser Yê e outros mestres que nos trouxeram outra visão sobre os Orixás, a Criação divina e até sobre o divino Criador Olorum. Um dos pedidos do mensageiro que nos trouxe as informações acerca da Magia Divina do Sagrado Orixá Exu, é de que
esse conhecimento seja usado como um meio de resgatar a divindade que existe no Mistério Exu,
perdida (em parte) no decorrer do tempo.O Candomblé descreve Exu como o mensageiro que leva os pedidos dos homens e traz as respostas dos Orixás. Na Umbanda, ele já foi descrito como um servo dos Orixás. Hoje sabemos que Exu pode ser tudo isso, e que ele é muito mais. Exu é o mensageiro, pois é o Guardião do Oráculo; é quem abre ou fecha as comunicações entre os planos. Exu é servo dos outros Orixás, mas também é servido por eles. Todos os Orixás servem e são servidos entre si e isso se dá dentro de um plano divino elevado, longe da visão de hierarquia desenvolvida pelo ser humano, que cria postos inferiores ou subalternos.Só para se ter uma ideia, o Mistério Exu é em si o “vazio absoluto” existente no exterior de Deus que o guarda em si, dando-lhe a existência e sustentação para que, a partir desse estado, tudo o que é criado tenha seu lugar na Criação. Por ser Exu o guardião do vazio absoluto, e este ter sido o
primeiro estado da criação manifestado por Deus, Exu é, de fato, o primeiro Orixá manifestado por Ele.
Logo, Exu é o primeiro Orixá, o mais velho de todos e o primeiro a ser cultuado.Para entender o conceito de Orixá é necessário olhar de cima para baixo. De baixo para cima
encontramos primeiro os espíritos manifestadores do Orixá e deixamos de ir além. Não podemos, por
exemplo, confundir Ogum com um Caboclo de Ogum, que tem, assim como cada um de nós, uma
consciência particular da Criação. O Caboclo é um espírito, da mesma maneira que nós, os encarnados.
Por estar no plano espiritual, esse espírito tem uma visão muito mais ampla do que nós que estamos
limitados à matéria, e tem a oportunidade de manifestar no espírito o Orixá Ogum, o que não o torna
um Orixá.Pai Benedito de Aruanda nos trouxe o conhecimento da perspectiva dos próprios Orixás, como Mistérios divinos da Criação, em nada inferiores às divindades das outras religiões. Pelo contrário,mostrou que essas divindades também são Orixás. O termo Orixá quer dizer “Senhores do Alto” as potências ou poderes divinos. Denomina os manifestadores originais do Poder de Deus. Assim,podemos afirmar que Jesus, Buda, Krishna e todas as divindades são Orixás, pois são manifestadores do Poder de Deus que transcende qualquer religião.
A Magia Divina do Sagrado Orixá Exu é um curso extremamente iniciático. A cada semana, os
alunos são iniciados em um novo mistério que gera um poder de realização e pode ser aplicado
imediatamente no seu dia-a-dia. Nessa magia, não usamos nenhum elemento, nenhuma roupa especial,
podendo ser praticada a qualquer momento, em qualquer lugar. Tudo acontece através de vibrações,
projeções, movimentos e direcionamentos. As pessoas se surpreendem com a simplicidade. Até hoje,
3500 pessoas já fizeram essa descoberta. 

(TRANSCRITO POR ALEXANDRE CUMINO).

sábado, 7 de maio de 2011

EXU



EXU

Ao passar na encruzilhada,
em noite de lua cheia,
no silêncio da escuridão,
ouvi uma gargalhada.
Era um homem vestido de negro.
Tinha um tridente na mão,
e usava uma capa encarnada.

Ao questioná-lo quem era,
sorriu, e falou assim:
Para si, meu nome é Exu,
mas muitos me chamam de Fera.
Sou guardião dos caminhos,
sou carrasco dos perdidos,
de todos eu estou á espera.

Em tempos, já fui seu igual.
Hoje vivo no mundo dos mortos,
mas caminho no meio dos vivos.
Conheço o bem, mas também o mal.
Ajudo quem pede, se for de justiça.
Puno a maldade, puno a vaidade, e puno a cobiça.
Exu é meu nome, me chame de tal!
(Livro Orixás em Poesia)

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgcMyZghhL8BtW5eXBt7cV7y0aj8O2dWHzQeh-i4nRwxqvpEx-MEXBOirYwTH3LH8aVetHEm3IQM45A7wrWvoeX8Dx3HTQD_tEWQJqBH3YzfgA1y2ENWe2mxAwCWia5Tu3euO2-8G6eFoez/s320/Ex%C3%BA+Caveira.jpg                                                                         
SALVE SEU JOÃO CAVEIRA

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

SEU JOÃO CAVEIRA

João Caveira é o nome de um exú (entidade espiritual) da Quimbanda e Umbanda brasileira. O sr. João Caveira é o exú responsável pelo encaminhamento das almas (espiritos desencarnados) que vagam nos cemitérios.
É representado por um homem carregando um crânio humano. É o exú que lembra às almas suas condições humanas. Normalmente é associado ao portão do cemitério (calunga), mas sua ação dentro do mundo das almas vai mais além. Suas manifestações mediúnicas são, na maioria das vezes, violentas. É uma entidade séria e de poucas palavras (indo diretamente ao assunto). João Caveira pode vir através da falange do Exu Caveira, Exu Táta Caveira ou Omulú. Em cada uma delas suas manifestações são diferentes assim como sua evolução.
Nem todos os Exús são violentos como diz a matéria abaixo. Na maioria deles são calmos e vem só para trabalhar e ajudar a quem precisa. Ao contrário tem casas que utilizam eles somente para o mal. Aqui segue um pouco mais da história de como surigam os Exús. Abraço para todos.
Caveira é um exu, ou seja, uma entidade que trabalha na através da incorporação de médiuns.
Antes de ser uma entidade, Caveira viveu na terra física, assim como todos nós. Acreditamos que nasceu em 670 D.C., e viveu até dezembro de 698, no Egito, ou de acordo com a própria entidade, "Na minha terra sagrada, na beira do Grande Rio".
Seu nome era Próculo, de origem Romana, dado em homenagem ao chefe da Guarda Romana naquela época.
Próculo vivia em uma aldeia, fazendo parte de uma família bastante humilde. Durante toda sua vida, batalhou para crescer e acumular riquezas, principalmente na forma de cabras, camelos e terras. Naquela época, para ter uma mulher era necessário comprá-la do pai ou responsável, e esta era a motivação que levou Próculo a batalhar tanto pelo crescimento financeiro.
Próculo viveu de fato uma grande paixão por uma moça que fora criada junto com ele desde pequeno, como uma amiga. Porém, sua cautela o fez acumular muita riqueza, pois não queria correr o risco de ver seu desejo de união recusado pelo pai da moça.
O destino pregou uma peça amarga em Próculo, pois seu irmão de sangue, sabendo da intenção que Próculo tinha com relação à moça, foi peça chave de uma traição muito grave. Justamente quando Próculo conseguiu adquirir mais da metade da aldeia onde viviam, estando assim seguro que ninguém poderia oferecer maior quantia pela moça, foi apunhalado pelas costas pelo seu próprio irmão, que comprou-a horas antes. De fato, a moça foi comprada na noite anterior à manhã que Próculo intencionava concretizar seu pedido.
Ao saber do ocorrido, Próculo ficou extremamente magoado com seu irmão, porém o respeitou pelo fato ser sangue do seu sangue. Seu irmão, apesar de mais velho, era muito invejoso e não possuía nem metade da riqueza que Próculo havia acumulado. A aldeia de Próculo era rica e próspera, e isto trazia muita inveja a aldeias vizinhas. Certo dia, uma aldeia próxima, muito maior em habitantes, porém com menos riquezas, por ser afastada do Rio Nilo, começou a ter sua atenção voltada para a aldeia de Próculo.
Uma guerra teve início. A aldeia de Próculo foi invadida repentinamente, e pegou todos os habitantes de surpresa. Estando em inferioridade numérica, foram todos mortos, restando somente 49 pessoas.
Estes 49 sobreviventes, revoltados, se uniram e partiram para a vingança, invadindo a aldeia inimiga, onde estavam mulheres e crianças. Muitas pessoas inocentes foram mortas neste ato de raiva e ódio. No entanto, devido à inferioridade numérica, logo todos foram cercados e capturados.
Próculo, assim como seus companheiros, foi queimado vivo. No entanto, a dor maior que Próculo sentiu "não foi a do fogo, mas a do coração", pela traição que sofreu do próprio irmão, que agora queimava ao seu lado.
Esta foi a origem dos 49 exus da linha de Caveira, constituída por todos os homens e mulheres que naquele dia desencarnaram.
Entre os exus da linha de Caveira, existem: Tatá Caveira, João Caveira, Caveirinha, Rosa Caveira, Dr. Caveira (7 Caveiras), Quebra-Osso, entre muitos outros. Por motivo de respeito, não será indicado aqui qual exu da linha de Caveira foi o irmão de Tatá enquanto vivo. Como entidade, o Chefe-de-falange Caveira é muito incompreendido, e tem poucos cavalos. São raros os médiuns que o incorporam, pois tem fama de bravo e rabugento. No entanto, diversos médiuns incorporam exus de sua falange.
Caveira é brincalhão, ao mesmo tempo sério e austero. Quando fala algo, o faz com firmeza e nunca na dúvida. Tem temperamento inconstante, se apresentando ora alegre, ora nervoso, ora calmo, ora apressado, por isso é dado por muitos como louco.
No entanto, Caveira é extremamente leal e amigo, sendo até um pouco ciumento. Fidelidade é uma de suas características mais marcantes, por isso mesmo Tatá não perdoa traição e valoriza muito a amizade verdadeira. Considera a pior das traições a traição de um amigo.
Em muitas literaturas é criticado, e são as poucas as pessoas que têm a oportunidade de conhecer a fundo Caveira Chefe-de-falange. O cavalo demora a adquirir confiança e intimidade com este exu, pois é posto a prova o tempo todo.
No entanto, uma vez amigo de Caveira, tem-se um amigo para o resto da vida. Nesta e em outras evoluções.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

EXU – O Guardião da Luz

EXU – O Guardião da Luz
Com Alexandre Cumino

VIBRAÇÃO DE EXU
http://1.bp.blogspot.com/_2dk7KHGdapY/S-Orv8T4NfI/AAAAAAAAAm0/QS0iE4UhbI8/s1600/Exu+e+Pomba+Gira.jpg
Entrevista do Médium e Sacerdote de Umbanda Rubens Saraceni à
Revista Espiritual de Umbanda, Edição Especial 1, ano I, Editora Escala.


“Exu é o Guardião das Passagens e Porteiras que existem em nosso mundo visível, protegendo, para
que não adentrem em nosso ambiente as influências negativas. Sua característica mais marcante é a de
transmissor da fertilidade e da fecundação. Caminha no tempo e espaço com tranqüilidade, abrindo nossos
caminhos.
Difícil falar de Exu sem comentar a controvertida face do mal que se formou no imaginário popular.
Outro ponto bastante discutível é se ele é um Orixá ou apenas mais uma Entidade representativa do ser
humano. Mas Exu é muito mais que isso; tanto pode se apresentar no mundo visível que conhecemos, como
também no mundo dos Orixás, Entidades e Espíritos dos Mortos.
Exus são Entidades muito poderosas, mas qualquer um que se utilize de sua vibração deve tomar
sempre muito cuidado para não causar um desequilíbrio energético. Ele é o mensageiro, aquele que leva
nossos pedidos até o conhecimento dos Orixás.
Na época da escravidão, os negros africanos dançavam nas senzalas e os brancos entendiam como
uma simples saudação aos seus deuses. Mas ali incorporavam seus Exus que, com seu jeito de se
movimentar e gritar, acabavam por assustá-los. Estes, os brancos, agrediam os médiuns, dizendo que
estavam possuídos pelo demônio . Com o tempo, os brancos conheceram melhor a religiosidade africana e
sabiam das entregas feitas a Exu, confirmando, em sua visão deturpada, a “incorporação do demônio”.
Dessa forma, essas e outras incorporações mal interpretadas foram se inserindo na mentalidade do povo,
fazendo com que esse grave erro de entendimento perdurasse por muitos anos, acima de seu verdadeiro
contexto.
Infelizmente, nosso querido Guardião Exu ainda é visto por muitos como aquele que faz o mal, e se
satisfaz com o que esse mal possa provocar. Durante anos e anos, segmentos religiosos contrários fizeram
de tudo para atribuir-lhe conceitos errôneos, criando demônios para defini-lo. Tudo isso não passa de uma
grande e injusta mentira, que hoje, graças à evolução, está sendo derrubada, fazendo com que muitos
conheçam sua verdadeira função e atividade, que é a de guardião e controlador da Criação e do Universo.
É através do Exu que nós, seres humanos, conseguimos exercer nosso livre arbítrio, falando diretamente
de nosso coração. Muitos procuram Exu para satisfazer desejos mesquinhos de vingança, sem se importar
com a Lei da Evolução, que é implacável e devolve tudo quando menos se espera.”
PERGUNTA: O que caracteriza hoje a Gira de Esquerda e até que ponto ela é importante para a
Umbanda?
RESPOSTA: Na minha opinião, a Gira de Esquerda é indispensável para a Umbanda, porque trabalhamos
com a força dos Orixás, e quem trabalha com a força dos Orixás deve também se utilizar da Linha de Esquerda,
onde trabalham as Entidades que lidam, controlam e refreiam um pouco as investidas dos espíritos do baixo
astral.
Nas Giras de Esquerda, Exu e Pomba-Gira são indispensáveis, porque são eles que lidam com essas forças
negativas.
PERGUNTA: Em sua concepção, Exu é um Orixá ou uma Entidade?
RESPOSTA: É indiscutível que Exu é um Orixá com a mesma grandeza que os outros. Assim como o Orixá
Ogum, em que as linhas de trabalho se apresentam como Caboclos de Ogum, o Orixá Exu tem suas linhas de
trabalho que se apresentam como Exus dos mais variados campos: Exus das Encruzilhadas, Exus do Cemitério,
Exus das Matas, Exus das Pedreiras, que nada mais são do que manifestadores do Mistério Exu na irradiação dos
Orixás.
EXU – O Guardião da Luz
Com Alexandre Cumino
PERGUNTA: E o Exu possui uma irradiação específica?
RESPOSTA: A irradiação pura de Exu, dentro da Umbanda, não é trabalhada, ela só é trabalhada através
dos Exus que incorporam nos médiuns como Exus de Trabalho, Exus Guardiões dos Médiuns. Nem o grau de
guardião é muito explorado na Umbanda.
PERGUNTA: E o que o senhor me diz com relação ao Exu, através do sincretismo, ter sido associado
ao demônio, com coisa do mal?
RESPOSTA: Isso é um mito popular que se criou de que Exu é demônio. A palavra demônio, fazendo aqui
um parêntese, é espírito, mas tem essa conotação de coisa trevosa.
Exu não é demônio, na religião é elemento religioso, na magia é elemento mágico, na Lei é executor.
Então, para nós umbandistas, Exu não tem essa conotação de um ser demoníaco, como no catolicismo essa
palavra tem. Acredito até que, por desconhecimento de causa, muitas pessoas acabaram acreditando e ainda
acreditam nisso; de onde se criou esse mito popular tão bem explorado por determinadas seitas, que se
utilizam de Exu como um “espantalho” para explicar o mal das pessoas, quando sabemos que o mal de cada um
reside em si mesmo, e não em seu exterior. Eu não aceito essa conotação, porque trabalhamos com o Exu que
ajuda as pessoas, cura, abre os caminhos, e, se fosse esse “demônio” de que tanto falam, não faria tudo isso.
PERGUNTA: Alguns Terreiros costumam utilizar roupas escuras em suas Giras de Esquerda. É
realmente necessário esse tipo de vestimenta? Quem solicita esse aparato?
RESPOSTA: Isso tudo vai depender da formação do médium. Existem correntes de Umbanda que
recomendam que em dia de Gira de Exu os médiuns devem se vestir de preto e vermelho. Eu respeito mas não
adoto esse tipo de trabalho.
Em nossa corrente, nas Giras de Exu todos os médiuns estão vestidos de branco e vibram do mesmo jeito
que quando recebem qualquer outro tipo de espírito, não será a nossa veste física que irá mudar o etérico. Eu
não adoto em nossos trabalhos espirituais o uso das capas e das vestes pretas e vermelhas, mas também não
condeno, porque tudo é uma questão de estilização da Linha de Trabalho.
PERGUNTA: É possível ao Exu prestar a caridade?
RESPOSTA: Da mesma forma que a caridade prestada pelo Caboclo. Dentro do trabalho espiritual, Exu
está para servir às pessoas, apenas tem uma forma diferente de trabalho por lidar com as forças negativas
dentro daquilo que foi reservado a ele, que precisa de elementos específicos. Enquanto o Caboclo precisa de
uma oferenda com frutas, velas coloridas e flores, o Exu precisa da mesma oferenda, mas usando a pimenta, o
dendê, pinga, velas pretas, charutos e moedas, elementos característicos que ele manipula com muita
facilidade, e usa também esses mesmos elementos para fazer a limpeza etérica e espiritual das pessoas.
PERGUNTA: E as oferendas a Exu que as pessoas costumam entregar nas encruzilhadas? Por que a
encruzilhada?
RESPOSTA: Quando alguém se consulta com Exu e pede uma ajuda, ele fala: Faça uma oferenda para
mim na encruzilhada, ou nas matas... Existem Exus que trabalham nos cruzamentos das irradiações divinas, que
pedem que se despache para ele na encruzilhada. As pessoas entendem como encruzilhada física, e não é
necessariamente essa a encruzilhada. Para fazer uma verdadeira oferenda na encruzilhada, a pessoa teria que
construí-la em um ponto mágico, em qualquer lugar. Através daquele ponto mágico a pessoa acessa a vibração
que o Exu precisa para trabalhar e ajudá-la. As entregas não precisam ser feitas necessariamente nas ruas,
ainda que as pessoas façam e o Exu acabe recebendo ali, porque o objetivo dele é ajudar, não tem culpa que as
pessoas desconheçam o lado oculto do mistério dele.
PERGUNTA: Vamos falar sobre o mistério do demônio. O senhor acredita na existência dessa carga
contrária à evolução?
RESPOSTA: Eu não admito essa conotação que tem o demônio. Digo que existem as esferas negativas
projetadas por nós encarnados, alimentadas por nós mesmos. São freqüências vibracionais que existem na
Criação; quem entra em sintonia vibratória com essas freqüências é porque está totalmente negativado, o ser
humano é o alimentador disso.
EXU – O Guardião da Luz
Com Alexandre Cumino
PERGUNTA: No que diz respeito à evolução, não é necessário também esse processo de cada um no
contexto do equilíbrio cósmico?
RESPOSTA: Claro que sim. Como podemos admitir que uma pessoa, que teve uma passagem terrível e
danosa ao seu semelhante aqui na Terra, depois que desencarna ser recolhida no astral junto com espíritos que
aqui fizeram uma caminhada luminosa e que são amantíssimos da paz? A mistura acontece no plano físico, não
no plano astral. A Lei Maior criou essas faixas vibratórias justamente para recolher esses espíritos, onde eles
passam por um esgotamento energético e emocional, e dali só saem quando estiverem preparados para aceitar
determinados procedimentos em acordo com a Lei da Evolução. Enquanto não aceitarem vão continuar ali,
como numa prisão.
PERGUNTA: O senhor acredita que a Terra seja um planeta de provas?
RESPOSTA: Não. Acredito que este planeta é muito abençoado, porque, até onde sabemos, até onde a
ciência conseguiu nos mostrar até agora, não existe outro planeta habitado por perto, se existe, está muito
distante. Se os outros não têm esse lado material, o nosso é um planeta privilegiado.
PERGUNTA: O senhor possui uma obra literária umbandista na qual retrata essa questão. Fale sobre o
livro “O Guardião da Meia-Noite”, que hoje já se tornou um ícone no que diz respeito à questão dos
guardiões, da magia dos Exus.
RESPOSTA: O Guardião da Meia-Noite tornou-se de fato um referencial; acredito ter sido o primeiro livro
publicado que aborda de forma tão clara o transe evolutivo de um espírito após a sua queda, sua regressão
consciencial. Esse livro retrata a história de um espírito que traz em si um poder muito grande mas que, por
razões que são bem descritas, ele acabou indo parar na faixa negativa, e de lá teve coragem de se reerguer,
coragem de admitir seu erro, sua culpa, e iniciar o seu processo de subida vibracional, não física. Ele é o
guardião de um mistério. O mistério da passagem. A meia-noite nada mais é do que a passagem, ele é um
guardião de passagem, assim como existem outros guardiões, de outros campos. São irradiadores de mistério e
têm o poder de agregar espíritos ao mistério deles, e esses espíritos passam a ser manifestadores desses
mistérios e se apresentam com o nome deles.
PERGUNTA: Essa obra o senhor considera uma psicografia da Umbanda?
RESPOSTA: É uma psicografia e tem um mentor espiritual responsável por ela, que é o Pai Benedito de
Aruanda. Pai Benedito disse que esse trabalho era o início, a abertura para as psicografias dentro da Umbanda
num sentido literário, criando uma literatura com valores umbandistas, personagens que se manifestam dentro
da Umbanda e que muitos outros autores se somariam a isso posteriormente, e isso eu já vi acontecer.
PERGUNTA: Quais as últimas palavras que o senhor deixa aos nossos leitores no sentido da
conscientização do verdadeiro atributo de Exu?
RESPOSTA: Peço aos leitores que meditem sobre isso: O Exu possui uma característica dupla: tanto pode
ser ativado para abrir como para fechar os caminhos. O que as pessoas precisam entender é que Exu é neutro, o
responsável pelos atos é quem os pratica. Que cada um use o Mistério Exu em seu benefício e de seu
semelhante, nunca para prejudicar o próximo. Assim, estará ajudando na evolução do próprio Exu, tirando seu
negativismo, e comecem a resgatá-lo, pois ele é preciosíssimo para a Umbanda, é o Mistério da Esquerda, é
indispensável, não podemos ficar sem a Entidade Exu na Umbanda, e não podemos permitir que as pessoas
usem seu poder duplo para acertar contas terrenas, porque estarão contrariando a evolução e tudo retornará a
elas, com toda certeza.”
                                               fonte www.ica.org.br