sábado, 16 de julho de 2011

XANGÔ


XANGÔ
É o Orixá da Justiça e seu campo preferencial de atuação é a razão, despertando nos seres o senso de equilíbrio e equidade, já que só conscientizando e despertando para os reais valores da vida a evolução se processa num fluir contínuo.
O Trono Regente Planetário se individualiza nos sete Tronos Essenciais, que se projetam energética, magnética e vibratoriamente e criam sete linhas de forças ou irradiações bi polarizadas, pois surgem dois polos diferenciados em positivo e negativo, irradiante e absorvente, ativo e passivo, masculino e feminino, universal e cósmico.
Uma dessas projeções é a do Trono da Justiça Divina que, ao irradiar-se, cria a linha de forças da Justiça, pontificada por Xangô e Egunitá (divindade natural cósmica do Fogo Divino).
Na linha Elemental da Justiça, ígnea por excelência, Xangô e Egunitá são os polos magnéticos opostos. Por isto eles se polarizam com a linha da Lei, que é eólica por excelência. Logo, Xangô polariza-se com a eólica Iansã e Egunitá polariza-se com o eólico Ogum, criando duas linhas mistas ou linhas regentes do Ritual de Umbanda Sagrada.
O Orixá Xangô é o Trono Natural da Justiça e está assentado no polo positivo da linha do Fogo Divino, de onde se projeta e faz surgir sete hierarquias naturais de nível intermediário, pontificadas pelos Xangôs regentes dos polos e níveis vibratórios intermediários da linha de forças da Justiça Divina. Estes sete Xangôs são Orixás Naturais; são regentes de níveis vibratórios; são multidimensionais e são irradiadores das qualidades, dos atributos e das atribuições do Orixá maior
Xangô.
Eles aplicam os aspectos positivos da justiça divina nos níveis vibratórios positivos e polarizam-se com os Xangôs cósmicos, que são os aplicadores dos aspectos negativos da justiça divina. Como, na Umbanda, quem lida com os regentes desses aspectos são os Exus e as Pombas-Giras.
Os Xangôs intermediários, tal como todos os Orixás Intermediários, possuem nomes mântricos que não podem ser abertos ao plano material. Muitos os chamam de Xangô da Pedra Branca, Xangô Sete Pedreiras, Xangô dos Raios, etc. Enfim, são nomes simbólicos para os mistérios regidos pelos Orixás Xangôs Intermediários. Só que quem usa estes nomes simbólicos não são os regentes dos polos magnéticos da linha da Justiça, e sim os seus intermediadores, que foram “humanizados” e regem linhas de caboclos que manifestam- se no Ritual de Umbanda Sagrada comandando as linhas de trabalhos de ação e reação.
Eles são os aplicadores “humanos” dos aspectos positivos da justiça divina.
Logo, se alguém disser: “Eu incorporo o Xangô tal”, com certeza está incorporando o seu Xangô individual, que é um ser natural de 6° grau vibratório, ou um espírito reintegrado às hierarquias naturais regidas por estes Xangôs. Nem no Candomblé se incorpora um Xangô de nível intermediário ou qualquer outro Orixá desta magnitude. O máximo que se alcança, em nível de incorporação, é um Orixá de grau intermediador. Mas no geral, todos incorporam seu Orixá individual natural, ou um espírito reintegrado às hierarquias naturais e, portanto, um irradiador de um dos aspectos do seu Orixá maior.
Temos, na Umbanda, os:
Xangôs da Pedra Branca, Xangôs da Pedra Preta, Xangôs das Sete Pedreiras, Xangô das Sete Montanhas, etc.
Que são todos eles, Orixás Intermediadores e regentes de subníveis vibratórios ou regentes de polos energo-magnéticos cruzados por muitas correntes eletromagnéticas, onde atuam como aplicadores dos mistérios maiores, mas já em polos localizados em subníveis vibratórios. E todos estes Xangôs intermediadores são regentes de imensas linhas de trabalho, ação e reação. Ou não é verdade que temos caboclos da Pedra Branca, da Pedra Preta, do Fogo, etc.?
Meditem muito sobre o que aqui comentei, pois em se tratando de Orixás, é preciso conhecê-lo a partir da ciência divina ou nos perdemos no abstracionismo e na imaginação humana. Reflitam bastante e depois consultem seus mentores espirituais acerca do que aqui estou ensinando, irmão em Oxalá.
Oferenda: Velas brancas, vermelhas e marrons; cerveja escura, vinho tinto e licor de ambrosia; flores diversas, tudo depositado em uma cachoeira, montanha ou pedreira.
Cores: vermelho, branco e marrom.
Saudação: OBÁ NIXÉ KAWO KABIESILÊ!
Dia da Semana: Quarta Feira.
Símbolo: Machado duplo.

SUGESTÃO DE OFERENDA:
Material necessário:
3 frutas do conde (ou cajá)
3 kiwis
3 cachos de uvas (de cor vinho)
1 garrafa pequena de cerveja - 1 coité para por a cerveja
4 velas na cor marrom - 4 forminhas de metal (tipo empadinha)
4 velas na cor branca - 4 forminhas de metal (tipo empadinha)
7 folhas de couve para servirem de base.
Arrume as 7 folhas de couve em forma de círculo, com os cabos para fora, coloque as frutas no centro, abra a cerveja e coloque no coité, acenda as velas, faça seus pedidos e agradecimentos.

CARTA DE PRINCÍPIO

Hoje você assume todo um compromisso perante seus irmãos na carne, mas principalmente perante seus pais na Aruanda.
Você sabe que o que foi colocado na sua responsabilidade não é algo comum. Sabe que vai exigir de você não tanto tempo físico, mas sim um pouco de renúncia pelas coisas mundanas e muita firmeza de mente, de cabeça, porque muitos serão aqueles que lhe atirarão pedras, não pela frente, porque pela frente o covarde não é corajoso o suficiente para chegar, dizer e exteriorizar o que se passa no coração, mas dizer por trás.
Então que seja dogma escrito em todo este regulamento.
"Nenhum irmão de egrégora tem o direito de levantar suspeita, calúnia, vilipêndio contra outro irmão de egrégora, porque se assim fizer que seja expulso e que o nome dele seja colocado na mandala punitiva, porque o que destrói muito dos grandes esforços humanos empreendidos em todos os cantos deste mundo bendito é a calúnia, o vilipêndio, a língua ferina daquele que não tem coragem de dizer por trás, diz às costas. Se tem algo a dizer, diga à frente, se não tem o que dizer, cale-se."
Então mais uma vez Seiman Hamiser Yê repete:
É DOGMA. Um irmão é proibido de falar qualquer palavra que denigre, que calunie, que difame seu irmão. Se algo passa à mente ou no coração tem todo o direito de chegar à frente do irmão e dizer: Peço-lhe licença para fazer este questionamento, esclareça-me, por favor. E diz o que se passa. E que o irmão esclareça e após o esclarecimento, se satisfeito, ali se encerra, se não satisfeito que leve ao conhecimento do vosso regente, mas que não permitam o que se passa hoje dento da Umbanda e que infelizmente não tem como consertar mais, que é de irmão demandando contra irmão por causa das línguas ferinas.
O Astral assiste a tudo em silêncio porque não tem como exteriorizar o que sente, mas se o que passa na Umbanda e em grande parte também, porque não dizer já que tem representantes deles cá, em que a língua malévola, a língua ferina, a língua caluniosa ofende a honra alheia sem prestar conta e isto separa irmão de um mesmo caminho, seja de Umbanda, seja de Candomblé, seja de Católico, seja de Evangélicos, não importa. A falta de respeito para com o semelhante é o que em atrapalhado muitas boas iniciativas. Então que todo aquele que se filiar a esta Escola que visa semear conhecimento, semear evolução e evolua a partir disso, começando a pensar no semelhante como um irmão perante o criador, um irmão perante Deus e não um adversário nesta terra, nesta carne.
Que não permitam nenhum de vocês que o vilipêndio, a calúnia e a difamação faça morada dentro de vosso colegiado e vossos corações. Não deixe causar à discórdia, a dissensão, a inimizade entre irmãos servindo-se unicamente de um pequeno órgão físico, a língua, mas que tem um grande poder de separação. Isto é dogma. Irmão que se diz irmão não desrespeita outro irmão de egrégora, não trai, não calunia, não vilipendia porque senão não é irmão.
Se não gosta como uma coisa natural, então trabalha a si, porque com certeza o problema está em si e não naquele que não é amado. REPITO: Trabalhe em si, porque o problema está consigo e não com aquele que é irmão e ele não consegue amar. ISTO É DOGMA.
Mestre Seiman Hamiser Yê
(Senhor Ogum Megê Sete Espadas)
Colégio de Umbanda Sagrada "Pai Benedito de Aruanda" e Colégio Tradição de Magia Divina
DOGMA: PONTO FUNDAMENTAL E INDISCUTÍVEL NUM SISTEMA OU DOUTRINA RELIGIOSA.

terça-feira, 5 de julho de 2011

O ESPIRITISMO A MAGIA E AS SETE LINHAS DE UMBANDA-baixar grátis

 
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O Primeiro Escritor da Umbanda! LEAL DE SOUZA

 LEAL DE SOUZA
 
Leal de Souza em 1913.

No período de 1984 a 1990 fiz, acompanhado de Edison Cardoso de Oliveira, quatro
visitas à Tenda Nossa Senhora da Piedade, instalada na época à Rua Dom Gerardo, 51, na
cidade do Rio de Janeiro, e duas visitas à Cabana de Pai Antônio, em Boca do Mato,
Cachoeiras de Macacu – RJ.
Na primeira visita, em 1984, o meu Pai Espiritual Ronaldo Antônio Linares, recebeu das
mãos de Dona Zilméia de Moraes uma cópia do livro O Espiritismo, a Magia e as Sete Linhas
de Umbanda, de Leal de Souza, publicado em 1933. Pai Ronaldo cedeu-me, então, uma cópia
deste precioso material que para nós, durante muito tempo, era o primeiro livro que falava de
Umbanda. Dois capítulos desse livro foram publicados, em 1986, na primeira edição da obra
Iniciação à Umbanda.
Em agosto de 2008, quando estava terminando de escrever o livro Umbanda Brasileira:
um século de história consegui um raro exemplar da obra No Mundo dos Espíritos, publicado
em 1925, do mesmo autor. Este sim é o primeiro livro que trata da Umbanda.
Pouco se sabia, no mundo umbandista, da vida de Leal de Souza até então. Iniciei uma
pesquisa, por intermédio da Internet, e consegui algumas referências de autores que
escreveram sobre ele. Comecei, então, uma busca em “sebos” pelo Brasil afora e consegui
vinte preciosos livros, além de três outras obras de Leal de Souza. Para minha surpresa, um
poema seu, Morte e Encarnação, foi psicografado por Chico Xavier e publicado no livro
Antologia dos Imortais, obra mediúnica, de 1963, que trata da imortalidade da alma.
Transcrevo a seguir o poema:

Morrer!... Morrer!... A gente crê que esquece,
Pensa que é santo em paz humilde e boa,
Quando a morte, por fim, desagrilhoa
O coração cansado posto em prece.
Mas, aí de nós!... A luta reaparece...
A verdade é rugido de leoa...
A floração de orgulho cai à toa,
Por joio amargo na Divina Messe.
No castelo acordado da memória
Ruge o passado que nos dilacera,
Quando a lembrança é fel em dor suprema...
Sempre distante o céu envolto em glória,
Porquanto em nós ressurge a besta fera
Buscando, em novo corpo, nova algema.

Com este material coletado escrevi o livro Antônio Eliezer Leal de Souza: o primeiro
escritor da Umbanda, que procura resgatar, pelo menos em parte, a vida pessoal e literária
deste brilhante escritor que teve papel de destaque no parnasianismo, onde Olavo Bilac foi a
figura mais importante, no jornalismo carioca e na literatura espírita e umbandista. Foi um
defensor e praticante dedicado do Espiritismo e da Umbanda, tendo feito conferências na
Federação Espírita Brasileira e convivido, durante vinte e três anos, com Zélio de Moraes e o
Caboclo das Sete Encruzilhadas.
Antônio Eliezer Leal de Souza nasceu em Livramento (antiga Santana do Livramento),
Rio Grande do Sul, em 24/12/1880 (algumas fontes apontam a data de 24/09/1880). Quando
jovem, foi Alferes e participou da Guerra de Canudos. Cansado de sofrer prisões por combater
o governo de Borges de Medeiros, desligou-se do quartel. Ao desligar-se do Exército, dedicou-se
ao jornalismo, tendo sido redator de A Federação de Porto Alegre. Em 1900 foi para o Rio
de Janeiro, onde cursou Direito, sem concluí-lo, porém. Nessa mesma cidade, teve destaque
como secretário e repórter dos periódicos Careta, A Noite, Diário de Notícias e A Nota. Como
repórter deu o furo sobre o assassinato de Euclides da Cunha.
Frequentava a roda literária formada por Olavo Bilac, Martins Fontes, Coelho Neto, Luis
Murat, Goulart de Andrade, Alcides Maya, Aníbal Teófilo, Gregório da Fonseca e outros.
Leal casou-se, em 03/10/1918, com Gabriella Ribeiro Leal de Souza. Além de poeta,
escritor, ensaísta, critico literário, conferencista e jornalista, foi também tabelião.
Em uma de suas entrevistas, no final de 1974, Zélio de Moraes faz referência à presença
espiritual de Leal de Souza:
Pois bem, nessa ocasião em que o Caboclo se manifestou, ele fez uma porção de
referências do que ia acontecer e infelizmente tem acontecido. Nós estamos perto de 75 e
assistimos também alguma coisa pra chamar essa humanidade a acreditar num Deus
poderoso, num Deus criador e nós devemos vencer com a Umbanda. Aqui estão o Dr.
Meireles, Capitão Pessoa, Leal de Souza, Bandeira, salve, são eles que me acompanham, me
ajudam na terra, estão no espaço e também estão me ajudando, por isso eu solicito. Anísio
também. Salve.
Em outra entrevista, em 1971, o Caboclo das Sete Encruzilhadas citava também Leal de
Souza:
Veio então mais tarde a formação de um jornal de propaganda para a nossa Umbanda,
aí contamos com o secretario da Tenda, Luiz Marinho da Cunha, contamos com Leal de Souza
e outros que eram fervorosamente espíritas pelas coisas que ele sentia e pelas coisas que ele
recebeu, das graças de Deus, transmitidas por nós a sua pessoa.
Leal de Souza dirigiu a Tenda Espírita Nossa Senhora da Conceição, uma das sete
tendas mestras responsáveis pela implantação da Umbanda no Brasil. Conforme informações
do nosso irmão Eder Longas Garcia, essa tenda foi fundada, em 1918, pela Senhora Gabriela
Dionysio Soares, que por problemas pessoais não pode continuar a frente da tenda. Após isso
Zélio de Moraes determinou a Leal de Souza que assumisse a direção dos seus trabalhos.
Leal ousou escrever sobre Umbanda, em um jornal de grande divulgação do Rio de
Janeiro, em 1932, em plena repressão da Ditadura Vargas. Foi o primeiro umbandista que
enfrentou a crítica feroz, ostensiva e pública, em defesa da Umbanda.
Isso aconteceu em uma época em que era quase um crime de heresia falar de tal
assunto. Foi também o precursor de um ensaio de codificação, ou melhor, foi o primeiro que
tentou definir, em diversos artigos, o que era Umbanda ou o que viria a ser no futuro esse outro
lado que já denominava de Linha Branca de Umbanda e Demanda. Nessa época, para os
fanáticos religiosos e espíritas sectaristas, tudo era apenas macumbas...
Leal de Souza viveu em uma época atribulada da política brasileira e, como jornalista,
envolveu-se em confrontos com muitos políticos e personalidades. Talvez por isso as suas
memórias foram relegadas a um plano inferior na história dos escritores brasileiros. Isto
dificulta a pesquisa sobre a sua profícua vida.

Diversos escritores que escreveram sobre o poeta Leal de Souza: Jorge Rizzini,
Fernando Góes, Klaus Becker, Fernando Jorge, Luis da Câmara Cascudo, Chico Xavier, Emilio
de Menezes, Humberto de Campos, Oscar Quevedo, Mário Matos, Alcides Maya, Brito Broca,
Roger Bastide, João de Freitas, Raimundo Menezes, Marlene Medaglia Almeida, Carlos
Drummond de Andrade, D. L. de Macedo, W. W. da Matta e Silva, Horácio Cartier, Fernando
Py, Gustavo Barroso, Antonio Dimas, Maria de Lourdes Eleutério, Carvalho Netto, Afrânio
Coutinho, João Fontoura, João Pinto da Silva, Anísio Rocha, Gonzaga Duque, Manuel
Bandeira, Agrippino Grieco, Lima Barreto, Hercules Pinto e Walter Spalding. Até o Presidente
Getúlio Vargas escreveu sobre ele (Diário de Getúlio Vargas).
Leal de Souza publicou as seguintes obras:
* O Álbum de Alzira (Porto Alegre, 1899)
* Editou, em Santa Maria (RS), 1915-1917, o Almanaque Regional 
* Bosque Sagrado (Rio de Janeiro, 1917) 
* A Mulher na Poesia Brasileira (Rio de Janeiro, 1918) 
* A Romaria da Saudade (Rio de Janeiro, 1919) 
* Canções Revolucionárias (Rio de Janeiro, 1923) 
* No Mundo dos Espíritos (Rio de Janeiro, 1925) 
* O Espiritismo, a Magia e as Sete Linhas da Umbanda (Rio de Janeiro, 1933) 
* A Rosa Encarnada – romance espírita (Rio de Janeiro, 1934)
* Getúlio Vargas (Rio de Janeiro, 1940) 
* Transposição dos Umbrais (opúsculo editado pela Federação Espírita Brasileira, editado
em 1941, sobre a conferência proferida na mesma federação em 1924, Rio de Janeiro)
 
fonte:Jornal Nacional da Umbanda São Paulo, 25 de Janeiro de 2011. Edição Especial 01