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domingo, 17 de março de 2013

REFLEXÃO



“Imaginemos cada
quadrante do universo visível
e invisível sendo varrido
pelo fluxo contínuo e
ordenado de uma Vontade
Superior; imaginemos células
macrocósmicas e microcósmicas
organizadas
rigidamente no sentido de
garantir este ordenamento.
Imaginemos todas
as formas possíveis, das
mais densas às mais sutis,
todos os seres e criaturas
reunidos numa explosão
de vida que perpassa todas
as dimensões, submetidas
a ciclos vitais inexoráveis;
imaginemos a Presença
Divina em cada gesto, em
cada palavra, em cada vontade
nutrida procurando o
bem de todos e o consolo
de cada um.
Imaginemos tudo
isto acontecendo simultaneamente,
e estaremos
começando a penetrar no
universo sublime e maravilhoso
do Ritual de
Umbanda Sagrada.”

(extraído do livro “O Código
de Umbanda”, de Rubens
Saraceni).

quarta-feira, 13 de junho de 2012

AS CRIANÇAS NA UMBANDA


AS CRIANÇAS NA UMBANDA
A linha das crianças, cujos membros baixam nos centros de Umbanda, é de todas a mais misteriosa.
Esses espíritos infantis nos surpre­en­dem pela ternura, inocência, argúcia, carinho e amor que vibram quando baixam em seus médiuns.
O arquétipo não foi fornecido pelo lado material da vida, pois uma criança com seus 7, 8 ou 9 anos de idade, por mais inteligente que seja, não está apta intelectualmente a orientar adultos ator­mentados por profundos desequi­líbrios no espírito ou na vida material.
Quem forneceu o arquétipo foram os seres que de­nominamos “encanta­dos da natureza”.
Não foi baseado em espíritos de crian­ças que desencarnaram que essa linha foi fundamentada, e sim nas cri­an­­ças encan­tadas da natureza, que os aco­lhem em seus vastos reinos na na­tureza em seu lado espiritual e os am­param até que cresçam e alcancem um novo estágio evo­lu­tivo, já como espí­ri­tos naturais.
Os espíritos que se manifestam na li­nha das crianças atendem pessoas e auxiliam-nas com seus passes, seus ben­zi­mentos e suas magias elementais, tudo isso feito com alegria e simpli­cidade enquanto brincam com seus carrinhos, apitos, bonecas e outros brin­­quedos bem caracterizadores do seu arqué­tipo.  Ele é tão forte que adul­tos encar­na­dos sisudos se transfiguram e se tornam irreconhecíveis quando incor­poram sua criança.
A presença desses espíritos infantis é tão marcante que mudam o ambiente em pouco tempo, descontraindo todos os que estiverem à volta deles.
Todo arquétipo só é verdadeiro se for fundamentado em algo pré-exis­tente. O arquétipo “Caboclo” funda­men­­tou-se no índio brasileiro e no sertanejo mestiço. O arquétipo “Preto-Velho” funda­men­tou-se no negro já an­cião, rezador, mandingueiro e curador.
O arquétipo “Criança” fundamen­tou-se na inocência, na franqueza e na ingenuidade dos seres encantados ainda na primeira idade: a infantil.
E, caso não saibam, há dimensões inteiras habitadas só por espíritos nesse estagio evolutivo conhecido, no lado ocul­to da vida, como “estágio encan­tado”. Nessas dimensões da vida há eles e suas mães encantadas, todas elas devotadas à educação moral, cons­ciencial e emocional, contendo seus excessos e direcionando-os à senda evolucionista natu­ral, pois eles não serão en­viados à dimensão hu­mana para encar­na­rem.
A elas compe­te supri-los com o indis­pensável para que não entrem em de­pressão e caiam no autismo ou regres­são emocional, muito comum nessas dimensões.
Nelas há reinos encantados muito mais belos do que os “contos de fadas” do imaginário popular foi capaz de des­crever ou criar.
Cada reino tem uma senhora, uma mãe encantada a regê-lo. E há toda uma hierarquia a auxiliá-la na manu­tenção do equilíbrio para que os milha­res de espíritos infantis sob suas guar­das não regridam, e sim, amadureçam lentamente até que possam ser condu­zidos ao estágio evolutivo posterior.
O arquétipo é forte e poderoso porque por trás dele estão as mães Orixás, sustentando-o, e também es­tão os pais Orixás, guardando-o e ze­lan­do pela integridade desses espíritos infantis.
A literatura existen­te sobre esse estágio se restringe a alguns livros de nossa auto­ria que abordam o está­gio encantado da evolução dos espíritos.
Mas que ninguém duvide da exis­tên­cia dele porque ele realmente existe e não seriam “crianças” humanas recém-desencarnadas e que nada sabiam da magia que iriam realizar os prodígios que os “Erês” realizam em benefício dos freqüentadores das suas sessões de trabalhos ou com forças da natureza quando oferendados em jardins, à beira-mar, nas cachoeiras ou em bosques frutíferos.
Há algo muito forte por trás do arquétipo e esse algo são os Orixás encantados, os regentes da evolução dos espíritos ainda na “primeira idade”.
Para conhecerem melhor o estágio encantado da evolução, recomenda­mos a leitura do livro de nossa autoria A Evolução dos Espíritos, editado pela Madras.
Pai Rubens Sarasceni.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

A importância da educação mediúnica Mitos e Preconceitos


 “Desenvolver a mediunidade não significa dar algo a quem não está habilitado para recebê-lo, mas sim, em habilitar alguém a assumir conscientemente o Dom com o qual foi ungido. Ao contrário do que apregoam, mediunidade não é punição, e sim benção divina, concedida ao espírito no momento em que encarna.”
A educação mediúnica é de suma importância para quem realiza práticas magísticas ou religiosas de fundo espiritual, espiritualista ou espiritualizador.
Quando alguém adentrar pela primeira vez num templo de Umbanda, notará que os praticantes fazem certas saudações rituais de significado ou valor por eles desconhecidos. O comportamento exterior dos praticantes se altera, eles se tornam diferentes dentro do recinto consagrado às práticas religiosas.
Tudo isto faz parte de educação mediúnica e os comportamentos têm de estar afinizados com o que se realiza dentro de um espaço consagrado.
Mas até aqui, ainda estamos abordando aspectos exteriores da formação religiosa, pois ao nos voltarmos para o interior dela, deparamo-nos com a educação mediúnica. Para colocar o médium em sintonia com o mundo invisível, cria-se toda uma pré-disposição às manifestações espirituais e aos rituais magísticos.
A educação mediúnica é muito importante, pois só se reeducando internamente um médium alcança níveis vibratórios mentais e conscienciais que lhe facultam os níveis espirituais superiores a sintonização mental com seu mestre individual a neutralização de possíveis vícios antagônicos (fumo e álcool, utilizados nos trabalhos) com as práticas religiosas e a compreensão ou percepção do que está acontecendo à sua volta, mas que não está visível, assim como do que está acontecendo dentro de seu campo mediúnico. Quando bem educado mediunicamente, sua sensitividade é capaz de identificar presenças positivas ou negativas que adentram em seus limites vibratórios.
Aí temos em poucas linhas, um apanhado de como a boa educação mediúnica auxilia os praticantes ou médiuns.
Mitos
Os mitos sempre têm um pouco de verdade e um pouco de fantasia.
É comum dizer-se que quem desenvolve sua mediunidade torna-se mais capaz do que aquele que não a desenvolve. Isto é uma verdade somente se aquele que se desenvolveu mediunicamente também compreendeu os compromissos que assumiu. Mas é pura fantasia se ele nada entendeu sobre seus compromissos.  Uma vez que  adquiriu um poder relativo,  começa a se chocar com um poder absoluto, que é a Lei de Ação e Reação; assim, sua suposta superioridade logo o lança em um sensível abismo consciencial.
Portanto, quando o assunto é mediunidade, todo cuidado é pouco e toda precaução não é o suficiente, se não estiver presente uma forte dose de humildade e compreensão de que um médium não é um  fim em si mesmo, mas sim  tão somente um meio.
Preconceitos
Muitos são os preconceitos quanto à educação mediúnica. Muitas pessoas temem certas inverdades  divulgadas à solapa por desconhecedores das religiões espiritualistas.
Vamos a algumas colocações correntes que pululam no meio religioso:
·        a mediunidade é uma provação purgatória;
·        a mediunidade é uma punição cármica;
·        a mediunidade escraviza os médiuns;
·        a mediunidade limita o ser.
Comecemos por desmentir estas colocações negativas:
1 – mediunidade não é uma provação purgatória, mas sim uma provação Divina e um Dom que aflorou no ser que alcançou uma certa etapa evolutiva e assumiu um compromisso no plano astral antes de encarnar. Se bem desenvolvida, irá acelerar sua evolução espiritual;
2 – não é uma punição cármica, mas sim um ótimo recurso que a Lei nos facultou para nos harmonizarmos com nossas ligações ancestrais;
3 – não escraviza o médium, apenas exige dele uma conduta em acordo com o que esperam os espíritos que através dele atuam no plano material para socorrer os encarnados necessitados tanto de amparo espiritual quanto de uma palavra de consolo, conforto ou esclarecimento;
4 – não limita o ser, pois é um sacerdócio. E, ou é entendida como tal ou de nada adianta alguém ser médium e não assumir conscientemente sua mediunidade;
Para concluir, podemos dizer que a mediunidade, por ser um Dom, tem de ser praticada com fé, amor e caridade. Só assim nos mostramos dignos do Senhor de Todos os Dons: nosso Divino Criador!
(texto extraído do livro “O Código de Umbanda”, pág. 589.)

 Pai Rubens Saraceni.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Mistério Pomba-Gira

 
Com a permissão da Divina Mahor-yê, Trono Guardião do Mistério Pomba-Gira no Ritual de Umbanda Sagrada.
O mistério Pomba-Gira é regido por uma divindade cósmica que tanto gera quanto irradia o fator desejo.
Saibam que esses fatores, vigor (Exu) e desejo (Pomba-Gira), se completam e criam as condições ideais para que a Umbanda tenham seus recursos mágicos e cármicos, também eles, atuando através de linhas de força horizontais ou inclinadas, e dispensa a ativação direta dos Tronos Cósmicos ou dos aspectos negativos dos regentes das linhas de Umbanda.
Saibam também que nem Exu natural nem Pomba-Gira Natural seguem a mesma linha de direção evolutiva dos espíritos, pois eles seguem outra orientação e direcionamento.

Pomba-Gira natural é um ser cuja presença desperta o desejo, porque é irradiadora natural desse fator divino. Só que esse fator não se limita ao sexo, e destina-se a todos os sentidos da vida, pois só desejando, um ser empreende alguma coisa ou toma alguma iniciativa em algum sentido.
Portanto, o desejo, é um fator divino fundamental em nossa vida, pois nós o absorvemos por todos os setes chacras principais e também pelos secundários.
O desejo só existe porque Deus assim quis e ele não se manifesta só através do sexo, pois sentimos o desejo de aprender, de viajar, de conversar, de nos divertir, de comer determinado alimento ou de vestir determinada roupa, etc.
O mistério Pomba-Gira se manifesta na Umbanda através de seres naturais ou de espíritos incorporados às suas hierarquias ativas, pois são elementos mágicos que podem ser ativados por qualquer pessoa, desde que o faça dentro de um ritual codificado como correto pelo Ritual de Umbanda Sagrada, assim como são agentes cármicas, pois podem ser ativadas pela Lei Maior.
O mistério Pomba-Gira é em si neutro, e pode ser ativada com oferenda ritual, pois é elemento mágico, assim como pode ser ativada pela Lei Maior porque é agente cármica, esgotadora de emocionais apassionados ou despertadora de desejo em seres apáticos.
Entendam que Deus criou tudo, também gerou o desejo como uma de suas qualidades ou fatores, pois sem vibrarmos o desejo, nada desejaremos e nos tornaremos apáticos, desinteressados e nos paralisaremos.
Logo, Deus, que tudo sabe, cuidou deste aspecto de nossa vida e gerou o desejo como um de seus fatores, assim como gerou uma divindade cósmica que tanto o gera como o irradia a tudo e a todos.
Essa divindade de Deus também formou sua hierarquia divina, que chega até nós no nosso nível terra como as exuberantes Pomba-Giras, que são regidas por um Trono Cósmico feminino cujo nome mântrico é Ma-hor-iim-yê, ou Mahór yê, Senhora Guardiã dos Mistérios do desejo, que polariza horizontalmente com o Trono Cósmico Guardião dos Mistérios do Vigor.
Logo Pomba-Gira polariza com Exu. E o desejo, unindo-se com o vigor, cria nos seres as condições ideais que os ativarão em todos os sentidos e os induzirão a assumir com vigor e paixão as empreitadas mais temerárias.
Mas, caso sejam ativados e usados indevidamente, ai perdem suas grandezas e se tornam paixões devastadoras e vigores atormentadores para quem der uso a eles, pois são em si mistérios, e, como tal, voltam-se contra quem lhes der mau uso. Aí subjugam essa pessoa, induzem-na aos maiores destinos e aberrações até lançá-la num tormento alucinante, delirante e bestificante, cuja finalidade é levá-la à loucura em todos os sentidos.
Saibam que muitas pessoas que abandonaram a Umbanda e o Candomblé e, todos confusos, atrapalhados e perseguidos por hordas de espíritos obsessores, estão entre as que achavam que Pomba-Gira e Exu eram seus escravos e os atenderiam inconseqüentemente. Mas como começaram a pagar o preço ainda aqui, correram para o abrigo das seitas salvacionistas, e dali se voltam contra estes mistérios cósmicos, acusando-os de “demônios”.
Pomba-Gira não se auto ativa contra ninguém, ou alguém a ativa ou isso quem faz é a Lei Maior.
E tanto pode ser ativada para ajudar quanto para esgotar o desejo em todos os sentidos da vida de uma pessoa, quanto só num sentido onde está se excedendo e se desviando de sua evolução reta e contínua.
Não foi aberto para a dimensão material o mistério Exu feminino. Logo, quem descreve Pomba-Gira como Exu fêmea não sabe nada sobre este outro mistério da Umbanda.
Parte do texto retirado do Livro: “ UMBANDA SAGRADA” - Rubens Saraceni.
São entidades em evolução, seu trabalho é dirigido, principalmente a defesa dos seus médiuns e a defesa do terreiro, porém, são muito procurados para resolver os problemas da vida sentimental e material.
Costumam trabalhar com velas, charutos, cigarros, bebidas fortes, punhais em seus pontos riscados, pembas brancas, pretas e vermelhas . Devido ao seu temperamento forte e alegre costumam atrair bastante os consulentes , principalmente pôr que quando falam que vão ajudar certamente o farão.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

EXU – O Guardião da Luz

EXU – O Guardião da Luz
Com Alexandre Cumino

VIBRAÇÃO DE EXU
http://1.bp.blogspot.com/_2dk7KHGdapY/S-Orv8T4NfI/AAAAAAAAAm0/QS0iE4UhbI8/s1600/Exu+e+Pomba+Gira.jpg
Entrevista do Médium e Sacerdote de Umbanda Rubens Saraceni à
Revista Espiritual de Umbanda, Edição Especial 1, ano I, Editora Escala.


“Exu é o Guardião das Passagens e Porteiras que existem em nosso mundo visível, protegendo, para
que não adentrem em nosso ambiente as influências negativas. Sua característica mais marcante é a de
transmissor da fertilidade e da fecundação. Caminha no tempo e espaço com tranqüilidade, abrindo nossos
caminhos.
Difícil falar de Exu sem comentar a controvertida face do mal que se formou no imaginário popular.
Outro ponto bastante discutível é se ele é um Orixá ou apenas mais uma Entidade representativa do ser
humano. Mas Exu é muito mais que isso; tanto pode se apresentar no mundo visível que conhecemos, como
também no mundo dos Orixás, Entidades e Espíritos dos Mortos.
Exus são Entidades muito poderosas, mas qualquer um que se utilize de sua vibração deve tomar
sempre muito cuidado para não causar um desequilíbrio energético. Ele é o mensageiro, aquele que leva
nossos pedidos até o conhecimento dos Orixás.
Na época da escravidão, os negros africanos dançavam nas senzalas e os brancos entendiam como
uma simples saudação aos seus deuses. Mas ali incorporavam seus Exus que, com seu jeito de se
movimentar e gritar, acabavam por assustá-los. Estes, os brancos, agrediam os médiuns, dizendo que
estavam possuídos pelo demônio . Com o tempo, os brancos conheceram melhor a religiosidade africana e
sabiam das entregas feitas a Exu, confirmando, em sua visão deturpada, a “incorporação do demônio”.
Dessa forma, essas e outras incorporações mal interpretadas foram se inserindo na mentalidade do povo,
fazendo com que esse grave erro de entendimento perdurasse por muitos anos, acima de seu verdadeiro
contexto.
Infelizmente, nosso querido Guardião Exu ainda é visto por muitos como aquele que faz o mal, e se
satisfaz com o que esse mal possa provocar. Durante anos e anos, segmentos religiosos contrários fizeram
de tudo para atribuir-lhe conceitos errôneos, criando demônios para defini-lo. Tudo isso não passa de uma
grande e injusta mentira, que hoje, graças à evolução, está sendo derrubada, fazendo com que muitos
conheçam sua verdadeira função e atividade, que é a de guardião e controlador da Criação e do Universo.
É através do Exu que nós, seres humanos, conseguimos exercer nosso livre arbítrio, falando diretamente
de nosso coração. Muitos procuram Exu para satisfazer desejos mesquinhos de vingança, sem se importar
com a Lei da Evolução, que é implacável e devolve tudo quando menos se espera.”
PERGUNTA: O que caracteriza hoje a Gira de Esquerda e até que ponto ela é importante para a
Umbanda?
RESPOSTA: Na minha opinião, a Gira de Esquerda é indispensável para a Umbanda, porque trabalhamos
com a força dos Orixás, e quem trabalha com a força dos Orixás deve também se utilizar da Linha de Esquerda,
onde trabalham as Entidades que lidam, controlam e refreiam um pouco as investidas dos espíritos do baixo
astral.
Nas Giras de Esquerda, Exu e Pomba-Gira são indispensáveis, porque são eles que lidam com essas forças
negativas.
PERGUNTA: Em sua concepção, Exu é um Orixá ou uma Entidade?
RESPOSTA: É indiscutível que Exu é um Orixá com a mesma grandeza que os outros. Assim como o Orixá
Ogum, em que as linhas de trabalho se apresentam como Caboclos de Ogum, o Orixá Exu tem suas linhas de
trabalho que se apresentam como Exus dos mais variados campos: Exus das Encruzilhadas, Exus do Cemitério,
Exus das Matas, Exus das Pedreiras, que nada mais são do que manifestadores do Mistério Exu na irradiação dos
Orixás.
EXU – O Guardião da Luz
Com Alexandre Cumino
PERGUNTA: E o Exu possui uma irradiação específica?
RESPOSTA: A irradiação pura de Exu, dentro da Umbanda, não é trabalhada, ela só é trabalhada através
dos Exus que incorporam nos médiuns como Exus de Trabalho, Exus Guardiões dos Médiuns. Nem o grau de
guardião é muito explorado na Umbanda.
PERGUNTA: E o que o senhor me diz com relação ao Exu, através do sincretismo, ter sido associado
ao demônio, com coisa do mal?
RESPOSTA: Isso é um mito popular que se criou de que Exu é demônio. A palavra demônio, fazendo aqui
um parêntese, é espírito, mas tem essa conotação de coisa trevosa.
Exu não é demônio, na religião é elemento religioso, na magia é elemento mágico, na Lei é executor.
Então, para nós umbandistas, Exu não tem essa conotação de um ser demoníaco, como no catolicismo essa
palavra tem. Acredito até que, por desconhecimento de causa, muitas pessoas acabaram acreditando e ainda
acreditam nisso; de onde se criou esse mito popular tão bem explorado por determinadas seitas, que se
utilizam de Exu como um “espantalho” para explicar o mal das pessoas, quando sabemos que o mal de cada um
reside em si mesmo, e não em seu exterior. Eu não aceito essa conotação, porque trabalhamos com o Exu que
ajuda as pessoas, cura, abre os caminhos, e, se fosse esse “demônio” de que tanto falam, não faria tudo isso.
PERGUNTA: Alguns Terreiros costumam utilizar roupas escuras em suas Giras de Esquerda. É
realmente necessário esse tipo de vestimenta? Quem solicita esse aparato?
RESPOSTA: Isso tudo vai depender da formação do médium. Existem correntes de Umbanda que
recomendam que em dia de Gira de Exu os médiuns devem se vestir de preto e vermelho. Eu respeito mas não
adoto esse tipo de trabalho.
Em nossa corrente, nas Giras de Exu todos os médiuns estão vestidos de branco e vibram do mesmo jeito
que quando recebem qualquer outro tipo de espírito, não será a nossa veste física que irá mudar o etérico. Eu
não adoto em nossos trabalhos espirituais o uso das capas e das vestes pretas e vermelhas, mas também não
condeno, porque tudo é uma questão de estilização da Linha de Trabalho.
PERGUNTA: É possível ao Exu prestar a caridade?
RESPOSTA: Da mesma forma que a caridade prestada pelo Caboclo. Dentro do trabalho espiritual, Exu
está para servir às pessoas, apenas tem uma forma diferente de trabalho por lidar com as forças negativas
dentro daquilo que foi reservado a ele, que precisa de elementos específicos. Enquanto o Caboclo precisa de
uma oferenda com frutas, velas coloridas e flores, o Exu precisa da mesma oferenda, mas usando a pimenta, o
dendê, pinga, velas pretas, charutos e moedas, elementos característicos que ele manipula com muita
facilidade, e usa também esses mesmos elementos para fazer a limpeza etérica e espiritual das pessoas.
PERGUNTA: E as oferendas a Exu que as pessoas costumam entregar nas encruzilhadas? Por que a
encruzilhada?
RESPOSTA: Quando alguém se consulta com Exu e pede uma ajuda, ele fala: Faça uma oferenda para
mim na encruzilhada, ou nas matas... Existem Exus que trabalham nos cruzamentos das irradiações divinas, que
pedem que se despache para ele na encruzilhada. As pessoas entendem como encruzilhada física, e não é
necessariamente essa a encruzilhada. Para fazer uma verdadeira oferenda na encruzilhada, a pessoa teria que
construí-la em um ponto mágico, em qualquer lugar. Através daquele ponto mágico a pessoa acessa a vibração
que o Exu precisa para trabalhar e ajudá-la. As entregas não precisam ser feitas necessariamente nas ruas,
ainda que as pessoas façam e o Exu acabe recebendo ali, porque o objetivo dele é ajudar, não tem culpa que as
pessoas desconheçam o lado oculto do mistério dele.
PERGUNTA: Vamos falar sobre o mistério do demônio. O senhor acredita na existência dessa carga
contrária à evolução?
RESPOSTA: Eu não admito essa conotação que tem o demônio. Digo que existem as esferas negativas
projetadas por nós encarnados, alimentadas por nós mesmos. São freqüências vibracionais que existem na
Criação; quem entra em sintonia vibratória com essas freqüências é porque está totalmente negativado, o ser
humano é o alimentador disso.
EXU – O Guardião da Luz
Com Alexandre Cumino
PERGUNTA: No que diz respeito à evolução, não é necessário também esse processo de cada um no
contexto do equilíbrio cósmico?
RESPOSTA: Claro que sim. Como podemos admitir que uma pessoa, que teve uma passagem terrível e
danosa ao seu semelhante aqui na Terra, depois que desencarna ser recolhida no astral junto com espíritos que
aqui fizeram uma caminhada luminosa e que são amantíssimos da paz? A mistura acontece no plano físico, não
no plano astral. A Lei Maior criou essas faixas vibratórias justamente para recolher esses espíritos, onde eles
passam por um esgotamento energético e emocional, e dali só saem quando estiverem preparados para aceitar
determinados procedimentos em acordo com a Lei da Evolução. Enquanto não aceitarem vão continuar ali,
como numa prisão.
PERGUNTA: O senhor acredita que a Terra seja um planeta de provas?
RESPOSTA: Não. Acredito que este planeta é muito abençoado, porque, até onde sabemos, até onde a
ciência conseguiu nos mostrar até agora, não existe outro planeta habitado por perto, se existe, está muito
distante. Se os outros não têm esse lado material, o nosso é um planeta privilegiado.
PERGUNTA: O senhor possui uma obra literária umbandista na qual retrata essa questão. Fale sobre o
livro “O Guardião da Meia-Noite”, que hoje já se tornou um ícone no que diz respeito à questão dos
guardiões, da magia dos Exus.
RESPOSTA: O Guardião da Meia-Noite tornou-se de fato um referencial; acredito ter sido o primeiro livro
publicado que aborda de forma tão clara o transe evolutivo de um espírito após a sua queda, sua regressão
consciencial. Esse livro retrata a história de um espírito que traz em si um poder muito grande mas que, por
razões que são bem descritas, ele acabou indo parar na faixa negativa, e de lá teve coragem de se reerguer,
coragem de admitir seu erro, sua culpa, e iniciar o seu processo de subida vibracional, não física. Ele é o
guardião de um mistério. O mistério da passagem. A meia-noite nada mais é do que a passagem, ele é um
guardião de passagem, assim como existem outros guardiões, de outros campos. São irradiadores de mistério e
têm o poder de agregar espíritos ao mistério deles, e esses espíritos passam a ser manifestadores desses
mistérios e se apresentam com o nome deles.
PERGUNTA: Essa obra o senhor considera uma psicografia da Umbanda?
RESPOSTA: É uma psicografia e tem um mentor espiritual responsável por ela, que é o Pai Benedito de
Aruanda. Pai Benedito disse que esse trabalho era o início, a abertura para as psicografias dentro da Umbanda
num sentido literário, criando uma literatura com valores umbandistas, personagens que se manifestam dentro
da Umbanda e que muitos outros autores se somariam a isso posteriormente, e isso eu já vi acontecer.
PERGUNTA: Quais as últimas palavras que o senhor deixa aos nossos leitores no sentido da
conscientização do verdadeiro atributo de Exu?
RESPOSTA: Peço aos leitores que meditem sobre isso: O Exu possui uma característica dupla: tanto pode
ser ativado para abrir como para fechar os caminhos. O que as pessoas precisam entender é que Exu é neutro, o
responsável pelos atos é quem os pratica. Que cada um use o Mistério Exu em seu benefício e de seu
semelhante, nunca para prejudicar o próximo. Assim, estará ajudando na evolução do próprio Exu, tirando seu
negativismo, e comecem a resgatá-lo, pois ele é preciosíssimo para a Umbanda, é o Mistério da Esquerda, é
indispensável, não podemos ficar sem a Entidade Exu na Umbanda, e não podemos permitir que as pessoas
usem seu poder duplo para acertar contas terrenas, porque estarão contrariando a evolução e tudo retornará a
elas, com toda certeza.”
                                               fonte www.ica.org.br