terça-feira, 5 de julho de 2011

O Primeiro Escritor da Umbanda! LEAL DE SOUZA

 LEAL DE SOUZA
 
Leal de Souza em 1913.

No período de 1984 a 1990 fiz, acompanhado de Edison Cardoso de Oliveira, quatro
visitas à Tenda Nossa Senhora da Piedade, instalada na época à Rua Dom Gerardo, 51, na
cidade do Rio de Janeiro, e duas visitas à Cabana de Pai Antônio, em Boca do Mato,
Cachoeiras de Macacu – RJ.
Na primeira visita, em 1984, o meu Pai Espiritual Ronaldo Antônio Linares, recebeu das
mãos de Dona Zilméia de Moraes uma cópia do livro O Espiritismo, a Magia e as Sete Linhas
de Umbanda, de Leal de Souza, publicado em 1933. Pai Ronaldo cedeu-me, então, uma cópia
deste precioso material que para nós, durante muito tempo, era o primeiro livro que falava de
Umbanda. Dois capítulos desse livro foram publicados, em 1986, na primeira edição da obra
Iniciação à Umbanda.
Em agosto de 2008, quando estava terminando de escrever o livro Umbanda Brasileira:
um século de história consegui um raro exemplar da obra No Mundo dos Espíritos, publicado
em 1925, do mesmo autor. Este sim é o primeiro livro que trata da Umbanda.
Pouco se sabia, no mundo umbandista, da vida de Leal de Souza até então. Iniciei uma
pesquisa, por intermédio da Internet, e consegui algumas referências de autores que
escreveram sobre ele. Comecei, então, uma busca em “sebos” pelo Brasil afora e consegui
vinte preciosos livros, além de três outras obras de Leal de Souza. Para minha surpresa, um
poema seu, Morte e Encarnação, foi psicografado por Chico Xavier e publicado no livro
Antologia dos Imortais, obra mediúnica, de 1963, que trata da imortalidade da alma.
Transcrevo a seguir o poema:

Morrer!... Morrer!... A gente crê que esquece,
Pensa que é santo em paz humilde e boa,
Quando a morte, por fim, desagrilhoa
O coração cansado posto em prece.
Mas, aí de nós!... A luta reaparece...
A verdade é rugido de leoa...
A floração de orgulho cai à toa,
Por joio amargo na Divina Messe.
No castelo acordado da memória
Ruge o passado que nos dilacera,
Quando a lembrança é fel em dor suprema...
Sempre distante o céu envolto em glória,
Porquanto em nós ressurge a besta fera
Buscando, em novo corpo, nova algema.

Com este material coletado escrevi o livro Antônio Eliezer Leal de Souza: o primeiro
escritor da Umbanda, que procura resgatar, pelo menos em parte, a vida pessoal e literária
deste brilhante escritor que teve papel de destaque no parnasianismo, onde Olavo Bilac foi a
figura mais importante, no jornalismo carioca e na literatura espírita e umbandista. Foi um
defensor e praticante dedicado do Espiritismo e da Umbanda, tendo feito conferências na
Federação Espírita Brasileira e convivido, durante vinte e três anos, com Zélio de Moraes e o
Caboclo das Sete Encruzilhadas.
Antônio Eliezer Leal de Souza nasceu em Livramento (antiga Santana do Livramento),
Rio Grande do Sul, em 24/12/1880 (algumas fontes apontam a data de 24/09/1880). Quando
jovem, foi Alferes e participou da Guerra de Canudos. Cansado de sofrer prisões por combater
o governo de Borges de Medeiros, desligou-se do quartel. Ao desligar-se do Exército, dedicou-se
ao jornalismo, tendo sido redator de A Federação de Porto Alegre. Em 1900 foi para o Rio
de Janeiro, onde cursou Direito, sem concluí-lo, porém. Nessa mesma cidade, teve destaque
como secretário e repórter dos periódicos Careta, A Noite, Diário de Notícias e A Nota. Como
repórter deu o furo sobre o assassinato de Euclides da Cunha.
Frequentava a roda literária formada por Olavo Bilac, Martins Fontes, Coelho Neto, Luis
Murat, Goulart de Andrade, Alcides Maya, Aníbal Teófilo, Gregório da Fonseca e outros.
Leal casou-se, em 03/10/1918, com Gabriella Ribeiro Leal de Souza. Além de poeta,
escritor, ensaísta, critico literário, conferencista e jornalista, foi também tabelião.
Em uma de suas entrevistas, no final de 1974, Zélio de Moraes faz referência à presença
espiritual de Leal de Souza:
Pois bem, nessa ocasião em que o Caboclo se manifestou, ele fez uma porção de
referências do que ia acontecer e infelizmente tem acontecido. Nós estamos perto de 75 e
assistimos também alguma coisa pra chamar essa humanidade a acreditar num Deus
poderoso, num Deus criador e nós devemos vencer com a Umbanda. Aqui estão o Dr.
Meireles, Capitão Pessoa, Leal de Souza, Bandeira, salve, são eles que me acompanham, me
ajudam na terra, estão no espaço e também estão me ajudando, por isso eu solicito. Anísio
também. Salve.
Em outra entrevista, em 1971, o Caboclo das Sete Encruzilhadas citava também Leal de
Souza:
Veio então mais tarde a formação de um jornal de propaganda para a nossa Umbanda,
aí contamos com o secretario da Tenda, Luiz Marinho da Cunha, contamos com Leal de Souza
e outros que eram fervorosamente espíritas pelas coisas que ele sentia e pelas coisas que ele
recebeu, das graças de Deus, transmitidas por nós a sua pessoa.
Leal de Souza dirigiu a Tenda Espírita Nossa Senhora da Conceição, uma das sete
tendas mestras responsáveis pela implantação da Umbanda no Brasil. Conforme informações
do nosso irmão Eder Longas Garcia, essa tenda foi fundada, em 1918, pela Senhora Gabriela
Dionysio Soares, que por problemas pessoais não pode continuar a frente da tenda. Após isso
Zélio de Moraes determinou a Leal de Souza que assumisse a direção dos seus trabalhos.
Leal ousou escrever sobre Umbanda, em um jornal de grande divulgação do Rio de
Janeiro, em 1932, em plena repressão da Ditadura Vargas. Foi o primeiro umbandista que
enfrentou a crítica feroz, ostensiva e pública, em defesa da Umbanda.
Isso aconteceu em uma época em que era quase um crime de heresia falar de tal
assunto. Foi também o precursor de um ensaio de codificação, ou melhor, foi o primeiro que
tentou definir, em diversos artigos, o que era Umbanda ou o que viria a ser no futuro esse outro
lado que já denominava de Linha Branca de Umbanda e Demanda. Nessa época, para os
fanáticos religiosos e espíritas sectaristas, tudo era apenas macumbas...
Leal de Souza viveu em uma época atribulada da política brasileira e, como jornalista,
envolveu-se em confrontos com muitos políticos e personalidades. Talvez por isso as suas
memórias foram relegadas a um plano inferior na história dos escritores brasileiros. Isto
dificulta a pesquisa sobre a sua profícua vida.

Diversos escritores que escreveram sobre o poeta Leal de Souza: Jorge Rizzini,
Fernando Góes, Klaus Becker, Fernando Jorge, Luis da Câmara Cascudo, Chico Xavier, Emilio
de Menezes, Humberto de Campos, Oscar Quevedo, Mário Matos, Alcides Maya, Brito Broca,
Roger Bastide, João de Freitas, Raimundo Menezes, Marlene Medaglia Almeida, Carlos
Drummond de Andrade, D. L. de Macedo, W. W. da Matta e Silva, Horácio Cartier, Fernando
Py, Gustavo Barroso, Antonio Dimas, Maria de Lourdes Eleutério, Carvalho Netto, Afrânio
Coutinho, João Fontoura, João Pinto da Silva, Anísio Rocha, Gonzaga Duque, Manuel
Bandeira, Agrippino Grieco, Lima Barreto, Hercules Pinto e Walter Spalding. Até o Presidente
Getúlio Vargas escreveu sobre ele (Diário de Getúlio Vargas).
Leal de Souza publicou as seguintes obras:
* O Álbum de Alzira (Porto Alegre, 1899)
* Editou, em Santa Maria (RS), 1915-1917, o Almanaque Regional 
* Bosque Sagrado (Rio de Janeiro, 1917) 
* A Mulher na Poesia Brasileira (Rio de Janeiro, 1918) 
* A Romaria da Saudade (Rio de Janeiro, 1919) 
* Canções Revolucionárias (Rio de Janeiro, 1923) 
* No Mundo dos Espíritos (Rio de Janeiro, 1925) 
* O Espiritismo, a Magia e as Sete Linhas da Umbanda (Rio de Janeiro, 1933) 
* A Rosa Encarnada – romance espírita (Rio de Janeiro, 1934)
* Getúlio Vargas (Rio de Janeiro, 1940) 
* Transposição dos Umbrais (opúsculo editado pela Federação Espírita Brasileira, editado
em 1941, sobre a conferência proferida na mesma federação em 1924, Rio de Janeiro)
 
fonte:Jornal Nacional da Umbanda São Paulo, 25 de Janeiro de 2011. Edição Especial 01

segunda-feira, 4 de julho de 2011

A FÉ NA UMBANDA


Por: Rubens Saraceni
A Umbanda é uma religião eminentemente espiritista e espiritualizadora. Portanto, a fé
professada pelos seus praticantes, médiuns em sua maioria, exige uma crença forte em Deus e na
existência do mundo espiritual que interage o tempo todo com o plano material.
Analogicamente, podemos comparar a crença umbandista à do cristianismo, que tem em Deus o
Criador Supremo (Olodumare ou Olorum) e em Jesus o seu maior mistério (sincretizado com Oxalá).
Mas, tal como no cristianismo há as coortes de anjos, arcanjos, querubins, serafins, etc., na
Umbanda há hierarquias de Orixás (Ogum, Xangô, Oxóssi, Iemanjá, Oxum, Iansã, etc.) que têm
funções análogas, ainda que sejam enfocadas e cultuadas segundo rituais próprios.
Para entender a fé na Umbanda é preciso mergulhar fundo em sua essência religiosa, porque um
umbandista convicto não é uma pessoa contemplativa e interage o tempo todo com o mundo espiritual
e também com o universo divino, já que é em si um templo vivo e através do qual os Sagrados Orixás
manifestam Suas vontades.
A fé, na Umbanda, é mais que uma questão de crença. É um verdadeiro ato de fé, pois um
umbandista é o meio natural por onde a religião flui com intensidade e mostra-se em toda a sua
grandeza e divindade, ainda que de forma simples e adaptável às condições do seu adepto.
A fé, na Umbanda, transcende e torna-se um estado de espírito através do qual são realizadas as
engiras ou sessões de atendimento das pessoas necessitadas de auxílio espiritual e de orientação
doutrinária e religiosa.
Fé, na Umbanda é sinônimo de trabalho em prol do próximo, de evolução consciêncial e
transcendência espiritual para os seus adeptos e seus médiuns praticantes.
A fé é ensinada como a integração da pessoa ao seu Orixá Regente, que é sua ligação superior
com Deus, com Oludumare, o Senhor do nosso destino e da nossa vida.
Crer em Deus e nos Seres Divinos manifestadores dos Seus Mistérios Sagrados é natural nos
umbandistas e dispensa maiores esforços nesse sentido, já que a mediunidade é o meio mais rápido de
integração com Ele e Seus manifestadores, os Orixás.
A Umbanda é Sagrada porque é uma
religião onde os mistérios de Deus têm uma
feição humanitária e estão voltados para nossa
evolução e nosso amparo espiritual, assim
como de todas as pessoas que frequentam seus
templos, também denominados tendas.
Cremos em um Criador Supremo;
cremos na existência das hierarquias divinas;
cremos na manifestação dos Sagrados Orixás
através da incorporação de suas vibrações
mentais; cremos na existência do mundo
espiritual; cremos na interação deste mundo
superior com o nosso mundo material.
Enfim, a fé, na Umbanda é mais que uma questão de crença, é um estado de espírito e é muito
mais que o ato de crer em Deus, é o ato de realizar-se Nele, enquanto seres espirituais gerados por Ele,
o Senhor Olorum, o nosso Divino Criador!

 fonte:
www.jornalnacionaldaumbanda.com.br


terça-feira, 7 de junho de 2011

A ATUAÇÃO DOS ORIXÁS


Uma das maiores dificuldades das pessoas é o entendimento da ascendência dos orixás sobre suas
vidas e nós temos insistido nos estágios da evolução que, se formam um continuum na vida dos seres,
no entanto não se processam em uma mesma dimensão.
Se hoje somos espíritos, ontem éramos seres naturais e não precisávamos reencarnar para evoluir. E
anteontem éramos seres encantados da natureza, regidos por Orixás Encantados que direcionavam e
monitoravam mentalmente nossa evolução.
Enfim, um ser não é um produto acabado quando é criado por Deus. E se nos permitem uma
comparação, no momento da nossa criação não éramos diferentes de um óvulo fecundado por um
sêmen, pois desta união surge uma vida, um indivíduo com uma herança genética que controlará sua
formação celular, nervosa, óssea, etc., dotado de um cérebro que lhe facultará um aprendizado contínuo
e uma capacidade de raciocinar já a partir de suas necessidades básicas.
Enquanto estamos protegidos no útero materno, somos o ser que está sendo gerado no íntimo de Deus.
Quando nascemos, o nosso cordão umbilical é cortado e só sobrevivemos porque temos no leite materno
um composto energético que nos fornece todo alimento de que necessitamos para continuarmos vivos e
bem alimentados.
O leite materno, comparativamente, é a energia elemental que dá sustentação energética aos seres
recém-saídos do estágio original da evolução, que alguns chamam de estado virginal do espírito, onde
ainda somos seres virginais porque não entramos em contato com nada do que existe fora do útero
divino.
Nós, quando vivenciamos nosso estágio elemental da evolução, éramos totalmente inconscientes, como
são todos os recém-nascidos, e não dispensávamos o amor, carinho e amparo materno, que recebíamos
de nossas mães elementais.
Elas nos inundavam com suas irradiações de amor e de fé e formaram nossa natureza básica ou
elemental.
As mães elementais formam uma hierarquia divina venerada, adorada e respeitadíssima por todos os
Orixás Encantados e naturais, que as tem na conta de mães divinas puras em todos os sentidos, pois
são puras nos seus elementos e no amor que irradiam.
As mães ígneas irradiam energias elementais puras do fogo e vibram um amor que abrasa quem está
em seu campo vibratório e sob suas irradiações.
E o mesmo acontece com as mães aquáticas, eólicas, telúricas, minerais, vegetais e cristalinas.
Aproximar-se de uma dessas mães é voltar à primeira infância num piscar de olhos, mesmo para um
espírito tão velho quanto eu, Pai Benedito de Aruanda.
Já o segundo estágio de nossa evolução acontece quando o nosso corpo e natureza elemental já estão
formados e aptos a absorverem energias mistas.
Automaticamente somos conduzidos aos jardins de infância dirigidos por nossas mães bielementais,
para absorvermos um segundo elemento e desenvolvermos nosso emocional ou pólo negativo.
Neste estágio dual ou bielemental da evolução, encontramos as nossas amadas mães mistas, tão
amorosas quanto as primeiras, mas atentas ao nosso crescimento e ao desenvolvimento de nossas
faculdades elementares ou básicas, também conhecidas como “instintos básicos”.
Estas nossas amadas mães são conhecidas como: Yemanjás do ar, da terra, dos minerais, dos vegetais
(isto mesmo) e dos cristais. Só não são Yemanjás do fogo, pois estes elementos não combinam com
água, que é o elemento original delas. Mas nós as encontramos nas Oxuns do fogo e também nos outros
elementos, mas não temos as mães Oxuns vegetais no nosso segundo estágio da evolução porque o
elemento puro mineral e o vegetal não se combinam. Elas só surgirão em nossas vidas no nosso quarto
estágio da evolução ou evolução natural, pois aí o mineral, o vegetal, a água, o ar e o fogo formarão um
composto energético já assimilável pelos seres, muito mais desenvolvidos em todos os sentidos.
E assim, em nosso segundo estágio da evolução fomos amparados e instruídos por nossas amadas
mães mistas ou bielementais, que também são amadas, veneradas e respeitadíssimas por todos os
orixás.
Depois de desenvolvermos nossos instintos básicos e nosso emocional, somos conduzidos ao nosso
terceiro estagio da evolução, também conhecido como estágio encantado da evolução dos seres. E
quem nos acolheu no aconchego de seus amores maternos foram as nossas amadas e severas mães
encantadas.
São severas porque sabem que os seres ainda guiados pelos instintos são semelhantes aos
adolescentes do plano material: são emocionais, instintivos, curiosos, inquiridores, um tanto cabeçasduras
e impetuosos!
Ou encontram nas mães encantadas as mestras rigorosas, ou com toda certeza acabarão se
confundindo e trocando os pés pelas mãos, paralisando suas evoluções.
As nossas mães encantadas não são menos amorosas que as duas categorias anteriores, mas exigem
uma obediência total, senão nos dão umas “palmadinhas” para nos recolocar na senda evolutiva.
Elas já são irradiadoras de, no mínimo, três elementos que formam uma quarta energia, que desperta os
sentidos e a sensibilidade nos seres encantados. São tantas as mães encantadas que é impossível
quantificar seu número. E todas são rigorosas, não importando de qual elemento original elas
provenham.
Elas são mães e mestras e tanto nos amam quanto nos instruem. E não nos liberam para o quarto
estágio da evolução enquanto não tiverem plena certeza de que estamos aptos a vivenciá-lo. E mesmo
depois de nos entregar aos cuidados de nossas mães naturais, continuam a vigiar-nos... e a aplicar
corretivos se nos desviamos na nossa conduta pessoal ou do caminho que devemos trilhar.
De vez em quando, tem algum ser natural sendo chamado à razão por alguma delas. E até nós, os
espíritos reintegrados às hierarquias naturais, às vezes somos advertidos quanto ao nosso liberalismo
humano.
Isto de alguns filhos de Santo dizerem que as mães encantadas são intolerantes com suas falhas
individuais e que os punem com severidade, bem... é verdade!
Com elas não tem a desculpa de que depois se conserta o que estragou ou depois se repara um erro.
Ou conserta e repara no ato ou... é posto de castigo e ajoelhado em cima de grãos de milho, certo?
Estas mães encantadas são sensíveis aos seus filhos e fazem de tudo para desenvolver neles os
sentidos que os guiarão pelo resto da vida, deixando de guiarem-se pelos instintos básicos.
Muitos encontram certa dificuldade em deixar de se guiar pelos instintos e acabam sendo recolhidos a
faixas vibratórias especificas, onde esgotarão seus emocionais negativados, pois só depois disso
desenvolverão a percepção e os sentidos se abrirão como canais mentais direcionadores de suas ações.
Só quando desenvolverem plenamente seus sentidos e a percepção, que é o recurso básico usado por
seus filhos, é que as mães encantadas os encaminham às mães naturais, que os receberão e os
sustentarão no quarto estagio da evolução que chamamos de estágio “natural” da evolução.
As mães naturais, ao contrário das mães encantadas, são mais liberais, ainda que mantenham o mesmo
rigor e severidade.
Mas elas dão uma certa liberdade de ação aos seus filhos para que eles possam desenvolver a
consciência. Esse despertar da consciência implica assumir compromissos e sustentar iniciativas
guiadas pelos sentidos e pela consciência.
O mesmo acontece conosco, que viemos do terceiro estágio da evolução, quando também éramos seres
encantados guiados pelos sentidos e pela percepção.
Paralelismo vibratório é um recurso maravilhoso de Deus, pois quando um ser não está evoluindo sob a
regência de uma mãe natural, então ela o encaminha a outra faixa vibratória, onde outro elemento básico
predomina. E nela o ser passará por uma acentuada aceleração ou desaceleração em sua vibração
individual, sempre visando o melhor para ele, que tem de se conscientizar e assumir “conscientemente” a
condução de sua vida, suas iniciativas e suas preferências pessoais.
A quarta faixa vibratória de todas as dimensões naturais, onde não acontece o ciclo encarnacionista,
está, vibratoriamente, no mesmo nível terra da faixa humana onde os espíritos encarnados vivem e
evoluem.
Nós somos espíritos porque, quando desenvolvemos nosso corpo percepcional e passamos a nos guiar
pelos sentidos, fomos espiritualizados ou revestidos de um plasma cristalino que protege nosso corpo
energético para que suportemos as irradiações energéticas que penetram na dimensão humana e a
inundam dos mais variados tipos de energias.
Não nos perguntem porque Deus criou a dimensão humana, pois esta resposta só Ele pode dar. Mas nós
raciocinamos e muitas hipóteses já foram aventadas. A que parece ser a mais lógica é a que indica que o
espírito desenvolve, junto com o despertar da consciência, a criatividade. Se bem que, como aqui na
dimensão humana tudo se desenvolve em dois sentidos, também desenvolvemos a ilusão.
E, enquanto a criatividade humana nos proporciona recursos adicionais à nossa evolução, a ilusão nos
induz ao emocionalismo, ao retorno aos instintos básicos, à paralisação dos nossos sentidos e do nosso
percepcional, à inconsciência e a quedas vibratórias acentuadas que nos afastam do convívio dos
espíritos que nos são afins.
Os nossos irmãos naturais desenvolvem a consciência e apuram ainda mais seus percepcionais,
enquanto nós aperfeiçoamos nossa consciência e apuramos nosso raciocínio, pois a criatividade precisa
de uma apuradíssima capacidade de raciocinar a partir de conceitos abstratos para que cheguemos às
definições corretas que possibilitam a criação “concreta” de novos recursos que facilitarão nossa
evolução.
Esta hipótese se mostra a mais lógica porque nós conhecemos as dimensões naturais e nelas não existe
a criatividade humana, que transforma o meio onde vivemos, altera os nossos costumes, nossas
culturas, nossos ideais... e até criamos religiões. Nas dimensões naturais não existem os nossos tão
abstratos conceitos religiosos e nossas mirabolantes concepções sobre Deus.
O sentido da Fé vai conduzindo todos ao mesmo tempo, pois as vibrações dos orixás irradiadores de
religiosidade são absorvidas por todos ao mesmo tempo. E quando um ser natural desenvolve o sentido
da Fé até seu limite, assim como adquire a plena consciência, então se torna um irradiador natural da fé,
semelhante ao seu orixá regente, que o amparou o tempo todo com suas intensas vibrações
despertadoras dos sentimentos de amor, respeito e reverência para com o Divino Criador, e para com
todas as criaturas, os seres e toda a criação divina.
Este processo evolutivo é contínuo e o chamamos de evolução natural. Porque o ser não tem sua
memória adormecida em momento algum, desde que saiu do útero divino que o gerou. Ele não teve de
reencarnar seguidas vezes e não se esqueceu de nenhuma de suas vivenciaçoes, ocorridas nos três
estágios anteriores da sua evolução.
E, se são semelhantes a nós já que o único diferenciador é o plasma cristalino que envolve nosso corpo
energético, no entanto algo os distingue de nós, pois aos nossos olhos humanos eles são todos “iguais”.
Eles não reencarnam e não são diferenciados pelo corpo carnal, como acontece conosco, os seres
espiritualizados.
Sim, porque se nascermos chineses, nossos espíritos mostrarão os traços característicos desta raça. E
se nascermos negros ou louros, o mesmo acontecerá, ainda que essa membrana plasmática cristalina
possa ser alterada mentalmente por nós, que assumiremos a aparência que desejarmos se dominarmos
esse processo de alteração de nosso corpo plasmático.
Os seres naturais não alteram suas aparências porque lhes falta este revestimento plasmático, e nem
lhes ocorre assumirem outras aparências, pois consideram isto um recurso típico dos seres
espiritualizados, que recorrem às aparências porque procuram iludir-se, já que estão aparentando
alguém que não foram ou são, ou já foram e não são mais.
E as aparências plasmadas não resistem à penetrante visão deles, que nos vêem através de nossos
corpos energéticos, nunca através do nosso corpo plasmático. A eles falta a criatividade e a ilusão, que
são faculdades tipicamente humanas, já que só se desenvolvem no estagio humano da evolução.
No aspecto religioso, eles nominam Deus de Divino Criador e Senhor da Luz da Vida, e quando O
invocam, fazem-no através de cantos mantrânicos, nunca num diálogo coloquial como nós fazemos.
Nós chamamos aos orixás por seus nomes humanos, tais como Ogum, Oxossi, Xangô, Yemanjá, etc.
Mas eles só se dirigem a eles através de seus nomes mantrânicos ou divinos, que é a mesma coisa.
Estes nomes são formados por sílabas e cada uma possui seu tom e sua fonética particular, formando
um canto ou mantra.
Eles não procedem como nós, que a todo instante exclamamos: “Valei-me Deus!”, “Ajude-me, meu Pai
Ogum!”, etc.
Muito antes de o código hebreu proibir o chamamento em vão do nome de Deus, os nossos irmãos
naturais já tinham isto como regra de conduta. E a aplicam aos sagrados orixás, aos quais podem ver o
tempo todo, estejam próximos ou distantes deles, bastando-lhes fixar suas visões no orixá que desejam
focalizar visualmente.
Logo, não existe uma separação visual entre os nossos irmãos naturais e os seus regentes divinos,
mesmo que estejam em outra dimensão.
Já o mesmo não ocorre conosco, os espíritos, pois a encarnação bloqueia nossa visão superior e o
adormecimento de nossa memória nos impede de nos lembrarmos das divindades naturais e de como
focalizá-las visualmente e mentalizá-las vibratoriamente.
Por isto a realidade religiosa dos seres naturais é superior à nossa e dispensa as nossas concepções
abstratas acerca de Deus, das divindades e de como atuam em nossas vidas.
Conosco, a religiosidade tem de ser estimulada verbalmente, senão nosso sentido da fé vai se
atrofiando. Já com eles, que absorvem as irradiações contínuas dos orixás irradiadores da fé e da
religiosidade, isto não acontece em momento algum.
Mas têm um problema comum conosco: às vezes caem vibratoriamente quando se entregam à
vivenciação de seus desejos, de seus instintos e de seus desequilíbrios emocionais. E não são pequenas
essas quedas vibratórias. Quando caem vibratoriamente, afastam-se naturalmente do regente do nível
onde se encontram e vão “descendo” a outros níveis, numa queda contínua que só termina quando
chegam ao pólo magnético negativo da irradiação que os está sustentando.
Se um natural de Ogum começa a cair vibratoriamente por causa de uma das razões que citamos acima,
dificilmente deixa de cair até o pólo magnético negativo da linha de forças irradiantes do mistério da Lei
Divina.
E se, quando vivia sob a irradiação do pólo magnético positivo era irradiante e irradiador de vibrações
ordenadoras e sustentadoras da ordem, no pólo magnético negativo torna-se absorvedor de energias
negativas e assume uma única cor, comum a todos os que estão sob a irradiação de um pólo magnético
negativo.
Quando isto acontece, nós chamamos estes seres de seres negativados, pois são intolerantes,
irascíveis, violentos, perigosos, ensimesmados e refratários a qualquer contato.
Eles se isolam em si mesmos e se autopunem por terem falhado em alguns dos setes sentidos básicos.
Sentem-se indignos dos regentes irradiantes e fogem deles assim que percebem suas aproximações.
Muitos adentram nos níveis vibratórios afins da dimensão humana, no intuito de ocultarem-se da visão e
da luz dos orixás.
Mas, por serem portadores de uma inocência natural, são presas fáceis dos “poderosos” espíritos caídos
nas trevas humanas, que possuem seus sombrios domínios abarrotados de espíritos caídos, também por
vivenciarem seus desejos, por desequilíbrios emocionais e por seus instintos básicos.
Estes poderosos espíritos caídos, os temidos “grandes das Trevas”, recorrem aos seus poderes mentais
e suas faculdades ilusionistas e praticamente escravizam estes seres naturais, hipnotizando-os e
livrando-os de suas culpas conscienciais, adormecendo no intimo deles os sentimentos de vergonha e o
desejo de se autoflagelarem.
Os grandes das Trevas acercam-se desses naturais caídos porque estes são leais, fieis, obedientes e
submissos ao extremo. Além de serem irradiadores de energias negativas muito perigosas para os
espíritos humanos, que somos nós.
Os grandes magos negros das trevas humanas os usam assiduamente para perseguirem seus desafetos
encarnados ou retidos nos sombrios níveis vibratórios das faixas negativas da dimensão espiritual
humana.
Na inocência natural deles está sua fraqueza, pois são iludidos com facilidade e lhes falta o recurso da
criatividade humana para pensarem numa saída racional para o problema que criaram para si mesmos.
Os magos das trevas os induzem a crerem que os orixás luminosos não gostam mais deles e que os
querem longe de seus domínios naturais, despertando neles uma ojeriza à luz e a todos que vivam nas
faixas vibratórias luminosas.
O fato é que, quando alguém, seja um ser natural ou um espírito humano, é portador natural de um
mistério, os seres elementares, os encantados e os naturais vêem o grau e o mistério no seu portador e
o tratam com respeito e reverência e aproxima-se dele para absorverem as suas irradiações naturais,
que contêm as vibrações divinas do mistério que se manifesta através dele e flui junto com suas
irradiações.
Se assim procedem é porque, passando a absorver as irradiações do mistério, chegará um tempo em
que também eles se tornarão irradiadores do mistério que os irradiou e sustentou.
Se existem mistérios humanos?
- Sim, existem os mistérios humanos, irmãos amados!
Nossa criatividade é um deles e tem nos ajudado a superar obstáculos gigantescos em nossa evolução
segmentada, pois ora estamos vivendo no plano material, ora no plano espiritual.
Um outro mistério humano é a faculdade de desenvolvermos mais de um mistério natural em nós
mesmos. Sim, os seres naturais e os encantados só irradiam a partir de si mesmos um mistério, seja ele
de natureza positiva ou negativa.
Mas nós, espíritos humanos, podemos irradiar quantos desejarmos e formos capazes de desenvolver em
nosso íntimo, até um ponto em que passamos a irradiá-los naturalmente, desde que nos coloquemos em
sintonia vibratória com as divindades irradiadoras deles.
Querem um exemplo simples acerca do que estamos comentando? Ei-lo:
Um médium de Umbanda “lida” com vários orixás ao mesmo tempo durante seus trabalhos magísticos.
Num instante ele ativa o mistério de um para, no instante seguinte, ativar o de outro, já afim com sua
nova necessidade. Durante o decorrer de uma engira, vários orixás são invocados e os médiuns vão
assimilando suas irradiações, tornando-se irradiadores das energias deles.
E se invocam Exu, no mesmo instante Exu se manifesta e os médiuns passam a irradiar suas energias.
Essa capacidade humana de lidar com mistérios distintos e ao mesmo tempo só nós, os seres
espiritualizados, possuímos, já que os seres encantados ou naturais de Ogum, por exemplo, só irradiam
qualidades de Ogum, e o tempo todo.
Um encantado ou natural de Oxóssi só irradia qualidades de Oxóssi, o tempo todo. Uma encantada ou
natural de Yemanjá só irradia qualidades de Yemanjá, o tempo todo. Uma encantada ou natural de Oxum
só irradia qualidades de Oxum, o tempo todo.
Por qualidades entendam mistérios e energias!
Já nós, os espíritos humanos, bem, ora estamos irradiando Ogum, ou Oxóssi ou Xangô, ora estamos
irradiando Yemanjá, Oxum, Iansã, etc.
Por que esta diferente capacitação? O que é que nos faculta irradiarmos ora um e ora outro orixá? O que
é que nos diferencia de nossos irmãos encantados ou naturais, que só conseguem irradiar um orixá
apenas?
Bom, esta diferenciação acontece porque um encantado ou natural de Ogum é o que é: Um Ogum
individualizado em si mesmo mas regido o tempo todo pelo mistério Ogum, do qual não consegue se
afastar, desligar ou deixar de irradiar o tempo todo.
Um ser natural Ogum é um Ogum em si mesmo e irradia Ogum o tempo todo, nunca se dissociando de
seu regente divino. E o mesmo acontece com todos os seres elementais, encantados e naturais regidos
pelos outros orixás.
Já o mesmo não acontece com um espírito ou ser humano, pois o simples fato de viver e evoluir na
dimensão humana já lhe faculta a possibilidade única de desenvolver a bipolaridade magnética, vibratória
e irradiadora ou absorvedora de mistérios.
Um espírito humano tem uma direita e uma esquerda, um alto e um embaixo, aos quais manipula
segundo suas afinidades ou necessidades.
Um espírito pode ter no alto o orixá Oxalá, no embaixo o orixá Omulú, na direita a orixá Yemanjá e na
esquerda a orixá Iansã, e pode absorver as irradiações dos quatro, que não deixará de ser o que é: um
espírito humano!
Já um nosso irmão encantado ou natural, bom, ele só absorve as irradiações de um desses quatro orixás
ou entra em desequilíbrio magnético, vibratório e energético e fica confuso e desequilibrado
emocionalmente. E cai! Istoé um dos muitos mistérios humanos, filhos de Fé nos orixás!
O estágio humano da evolução não é superior a nenhum outro. Mas que possui seus mistérios, isto ele
possui! E quando um espírito humano desenvolve-se consciencialmente e adquire controle sobre seu
emocional, logo é atraído pelas hierarquias naturais regidas pelos orixás que o assentam à direita ou à
esquerda e o tornam irradiador de suas energias e mistérios.
Eu mesmo, Benedito de Aruanda, acho que já me assentei à direita ou à esquerda de todos os
senhores(as) Orixás Intermediários naturais e junto de muitos dos senhores(as) Orixás Intermediários
encantados, assim como já fui assentado à direita de alguns(as) Orixás Elementais.
A todos sirvo com fé, amor e profundo respeito, pois entendi que eles formam a imutável e inquebrável
hierarquia divina do Divino Olorum, que é o nosso Divino Criador.
Este servir é irradiar individualmente, e segundo minha limitada capacidade, alguns dos mistérios que
eles irradiam a todos, o tempo todo e de forma multidimensional, pois cada um possui uma irradiação
vertical e outra horizontal, formando a quadratura do círculo onde estão assentados, pois são “Tronos
Divinos”.
Eu, se vos falo dos senhores orixás com tanta naturalidade e conhecimento, é porque dentro dos meus
limites humanos e deles recebi a orientação de ensina-los aos seus filhos que foram espiritualizados,
mas continuam a ser o que nunca deixarão de ser: filhos de orixás.
Sim, todos são filhos de orixás, mas só os que desenvolvem os mistérios humanos (os seres
espiritualizados) conseguem faze-lo sem grandes dificuldades. Se bem que “alguns” acabam
estacionando por muito tempo nas zonas sombrias da dimensão espiritual humana.
Mas isto também acontece nas dimensões naturais regidas pelos orixás, ainda que não chamem o lado
escuro delas de inferno ou umbral, pois lá o nome destas zonas sóbrias é este: pólos negativos!
Sim, os orixás regentes dos pólos negativos sustentam os seres encantados ou naturais que, por alguma
razão, falharam em suas evoluções e tiveram de ser afastados do convívio com os que evoluíam
equilibradamente. Eles estacionam nos níveis vibratórios negativos até que possam retomar, já
equilibrados, suas evoluções naturais, pois eles não reencarnam e não tem suas memórias adormecidas,
como acontece conosco sempre que reencarnamos para superar obstáculos que nos desequilibraram
intensamente. Eles não saem da irradiação do seu regente natural. Assim, um encantado de Ogum, se
vier a se desequilibrar durante seu estágio encantado da evolução, não sairá da dimensão regida pelo
Orixá Ogum. Apenas será atraído pelo pólo magnético negativo que nela existe e, amparado por um
orixá Ogum cósmico, mas de nível intermediário, nele estacionará até que tenha superado o
desequilíbrio que o negativou magneticamente. É um processo seguro, mas lento, de reequilibrá-lo
emocionalmente.
Já o mesmo não acontece nas zonas sombrias da dimensão humana. Nelas sempre tem um “espertinho”
para recepcionar os espíritos negativados que sempre está pronto e disposto a aproveitar-se deles que,
se já estão desequilibrados, muito pior ficarão após suas quedas vertiginosas.
As zonas sombrias humanas são como as prisões do plano material: alguém atropela alguém com seu
veículo. Se for condenado à prisão, vai conviver com assaltantes, estupradores, assassinos frios e
calculistas. Quando sair da prisão, terá feito um estagio completo no mundo da criminalidade, e com
certeza recorrerá aos seus novos “conhecimentos” assim que se ver em dificuldades.
Já o mesmo não acontece nas dimensões naturais. Nelas não se misturam, de forma alguma, seres com
desequilíbrios diferentes. Quem se desequilibrou num sentido não entra em contato com quem se
desequilibrou em outro.
Se um encantado viciou-se nas coisas do sexo, ele irá a um pólo magnético que só atrai encantados
desequilibrados por vícios sexuais. Se um encantado tornou-se violento e gosta de agredir outros
encantados, imediatamente é atraído para um pólo magnético que só atrai encantados violentos e
agressivos... que o agredirão.
A frase: “Os semelhantes se atraem!” se aplica com toda propriedade às dimensões naturais e
parcialmente à dimensão humana, já que aqui outros fatores ponderáveis influenciam as atrações.
Aqui, um assassino frio sente-se atraído sexualmente por uma mulher virtuosa, principalmente se ela for
bonita, e não se incomoda de matar por ela, ou até de matá-la, se não for correspondido ou se ela não se
submeter aos seus desejos imundos. Já nas dimensões naturais, se algum encantado desequilibrou-se e
tornou-se violento, ele não sentirá atração sexual por ninguém, mesmo pela mais bela e atraente das
encantadas.
O desequilíbrio não se generaliza ou alcança outros sentidos e, muito ao contrário, até os anula, pois o
ser passa a viver intensamente o seu desequilíbrio e fecha-se em si mesmo, não suportando o contato
com outros encantados.
É quase que um “autismo”, onde cada um vive seu mundo pessoal e só sai dele em casos extremos.. ou
após esgotar seu negativismo energético e as causas do desequilíbrio emocional que o tornou
magneticamente atrativo pelos pólos negativos da dimensão onde vive e evolui.
(texto extraído do livro: “O Código de Umbanda” – obra inspirada pelos mestres de luz Sr. Ogum Beira Mar,
Pai Benedito de Aruanda, Li-Mahi-An-Seri yê, Seiman Hamiser yê e Mestre Anaanda e psicografada por
Rubens Saraceni).

A Organização de um Terreiro de Umbanda Traçada

Parte Espiritual
As principais autoridades umbandistas são os pais-de-santo ou mães-de-santo ou madrinhas, que
incorporam as entidades, zelam pela manutenção da doutrina e presidem as sessões realizadas no
terreiro (o templo). Abaixo deles estão os pais e mães pequenos, filhos ou filhas-de-santo, que
também são médiuns. Há ainda os auxiliares de culto, que ajudam a organizar o terreiro e
assessoram os pais-de-santo e médiuns de incorporação durante as sessões. Os auxiliares mais
conhecidos são :
Cambonos : São os médiuns que cuidam do orixá, servindo suas bebidas, comidas, o cigarro ou
charuto, suas vestes, escrevendo para ele, enfim auxiliando em todo o trabalho. O cambono é, sem
dúvida alguma, o médium mais difícil de doutrinar (aprender), por que ele deve conhecer como é
cada orixá , saber o que cada orixá come, o que bebe, saber servir enfim é uma arte.
Ogan : Os ogans são os responsáveis pela "puxada" dos pontos do terreiro. Eles devem ser
detentores da sabedoria e reconhecer qual ponto deve ser puxado para qual entidade. Para os ogans
a parte que deve ser mais difícil é não saber o que mas sim o quando. Um ogan deve no mínimo
conhecer 7 pontos de cada entidade e de cada momento (pontos de abertura, saudações, pontos de
bater cabeça, etc).
Tabaqueiros : Os tabaqueiros são os responsáveis pela curimba junto com o Ogan, ou seja, pelo
toque das atabaques. Um toque diferente pode comprometer qualquer trabalho e ainda ser
responsável pelo cruzamento da linha com o candomblé. É muito importante o entrosamento com o
Ogan, uma vez que dependem dele para saber o ponto que será puxado e assim poder dar o toque.
Os tabaqueiros também devem saber quando, como e porque de cada toque, repique, etc. São
também os tabaqueiros que devem cuidar das atabaques, pois só eles sabem quando ou não deve
ser passado o azeite de dendê, se não houver nenhum tabaqueiro que saiba cuidar então cabe ao
chefe do terreiro (pai/mãe de santo ou entidade espiritual) passar essa incumbência a um médium.
Parte Burocrática
Aqui temos como um terreiro é organizado segundo a sociedade. Em primeiro lugar vem o
presidente, vice-presidente, secretários, tesoureiros, fiscais, auxiliares e sócios.
O presidente, vice-presidente não necessariamente devem estar ao par dos rituais de umbanda,
mas devem estar cientes sobre os deveres de um terreiro junto a sociedade e ao governo. Os fiscais
e auxiliares estão no terreiro para ajudar e auxiliar a entrada e saída das pessoas, informando sobre
onde ficar, se pode fumar, o local da cantina (se existir) , etc.
Todas as atribuições de cargos estão contempladas em respectivos estatutos. Além disso, há
terreiros que os sócios (membros) contribuem com mensalidades para o bom funcionamento destes.
Os terreiros tem suas obrigações quanto ao governo municipal e federal, pagando taxas e impostos
normalmente. Além disso devem ser associados a uma federação espírita existente em sua cidade
ou região. As federações, confederações e associações brindam os centros filiados com assistência
jurídica (por exemplo quando há infração sobre liberdade de culto), ou em ocasiões de uma
festa(homenagem a orixá) é de responsabilidade da federação organizar para que todos os terreiros
filiados possam participar.

Os Fundamentos Divinos das Linhas de Umbanda Sagrada-Rubens Saraceni

A Umbanda, ainda que não evidencie isso à primeira vista, é uma religião muito rica em
fundamentos divinos. E, se isso acontece, é porque é nova, não foi codificada totalmente
e não tínhamos um indicador seguro que nos auxiliasse na decodificação dos seus
mistérios.
Atualmente, quase um século após sua fundação por Zélio Fernandino de Moraes e o
senhor Caboclo das Sete Encruzilhadas, espíritos mensageiros têm transmitido-nos
algumas chaves mestras que têm aberto vastos campos para decodificarmos seus
mistérios e iniciarmos sua verdadeira codificação, tornando-a tão bem fundamentada
que talvez, no futuro, outras religiões recorram a estas chaves para interpretarem seus
próprios mistérios.
Se não, vejamos:
1º) Na Umbanda, as linhas de trabalhos espirituais, formadas por espíritos
incorporadores, têm nomes simbólicos.
2º) Os guias incorporadores não se apresentam com outros nomes, e só se identificam
por nomes simbólicos.
3º) Todos eles são magos consumados e têm na magia um poderoso recurso, ao qual
recorrem para auxiliarem as pessoas que vão aos templos de Umbanda em busca de
auxílio.
4º) Um médium umbandista recebe em seus trabalhos vários guias espirituais cujas
manifestações ou incorporações são tão características que só por elas já sabemos a qual
linha pertence o espírito incorporado.
5º) As linhas são muito bem definidas e os espíritos pertencentes a uma linha falam com
o mesmo sotaque, dançam e gesticulam mais ou menos iguais e realizam trabalhos
mágicos com elementos definidos como deles e mais ou menos da mesma forma.
6º) Cada linha está ligada a alguns orixás e podemos identificar nos seus nomes
simbólicos a qual dos espíritos de uma mesma linha são ligados.
7º) Isto acontece tanto com as linhas da direita quando com as da esquerda, todas
regidas pelos sagrados orixás.
Com isso, temos chaves importantes para avançarmos no estudo dos fundamentos da
Umbanda Sagrada até chegarmos ao âmago do mistério dos seus nomes simbólicos.
Mas para chegarmos ao âmago, antes temos que saber qual é o meio ou a diretriz que
nos guiará nesta busca, já que temos linhas de Caboclos, Pretos-velhos, Crianças,
Baianos, Boiadeiros, Marinheiros, Exús, Pomba-giras, etc.
E esta chave mestra se chama “Fatores de Deus”.
Antes de falarmos sobre fatores ou sobre o que eles significam, precisamos abrir um
pouco mais o leque de assuntos desse nosso comentário para fundamentarmos os
mistérios da Umbanda Sagrada.
Voltemo-nos para a Bíblia Sagrada e nela vamos ler algo semelhante a isso:
- E no princípio havia o caos.
- E Deus ordenou que do caos nascesse a luz, e a luz se fez.
- E Deus ordenou tudo e tudo foi feito segundo suas determinações verbais e o “verbo
divino”, realizados por sua excelência sagrada. Identificou nas determinações dadas por
Deus a essência de suas funções ordenadoras e criacionistas.
Assim explicado, o “verbo divino” é uma função e cada função é uma ação realizadora.
Mas, se assim é, tem que haver um meio através do qual o verbo realizador faça sua
função criadora. E esse meio não pode ser algo comum mas sim extraordinário, divino
mesmo, já que é através dele que Deus realiza.
E se cada verbo é uma função criadora em si mesmo, e muitos são os verbos, então esse
meio usado por Deus tem que ter em si o que cada verbo precisa para se realizar
enquanto função divina criadora de ações concretizadoras do seu significado excelso.
Nós sabemos que a alusão ao verbo divino na Bíblia Sagrada não teve até agora uma
explicação satisfatória pelos estudiosos dela e pelos seus mais renomados intérpretes,
relegando-o apenas às falas ou pronunciamentos de Deus.
Mas isto também se deve ao fato de seus intérpretes não terem atinado com a chave
mestra que abre o mistério do “verbo divino” mas que agora, de posse da Umbanda
Sagrada, explica-nos tudo, desde o caos bíblico ao big-bang dos astrônomos e desde o
surgimento da matéria até o estado primordial da criação tão buscado atualmente pela
física quântica.
Sim, o verbo divino e seu meio de realizar suas ações tanto está na concretização da
matéria quanto no mundo rarefeito da física quântica. E está desde a reprodução celular
quanto na geração dos corpos celestes.
- O verbo divino é a ação!
- E o meio que ele usa para realizar-se enquanto ação, denominamos de fatores de Deus.
Por fatores, entendam as menores coisas ou partículas criadas por Deus e elas são vivas
e são o meio do verbo divino realizar-se enquanto ação, já que cada fator é uma ação
realizadora em si mesmo e faz o que o verbo que o identifica significa.
- Assim, se o verbo acelerar, significa agilizar o movimento de algo, o fator acelerador é
o meio usado por Deus para acelerar o movimento ou o deslocamento do que criou e
deve evoluir.
E o mesmo acontece, ainda que em sentido contrário, com o verbo desacelerar e com o
seu fator identificador que é o fator desacelerado.
- Já o verbo movimentar, cujo significado é dar movimento a algo, tem como meio de
realizar-se enquanto ação o fator movimentador.
O mesmo acontece com verbo paralisar, cuja função é oposta e que tem como meio de
se realizar como ação o fator paralisador.
- E o verbo abrir tem como meio de se realizar como ação o fator abridor.
Já o verbo fechar, cuja função é oposta ao verbo abrir, tem como meio de se realizar
como ação o fator fechador.
- E o verbo trancar, cujo significado é o de prender, tem como meio de se realizar
enquanto ação o fator trancador.
E o verbo abrir, cujo significado é o de liberar, tem como meio de se realizar enquanto
ação o fator abridor.
- E o verbo direcionar, cujo significado é dar rumo a algo, tem como meio de se realizar
enquanto ação o fator direcionador.
Já o verbo desviar, cujo significado é o de desviar do alvo, tem como meio de se realizar
enquanto ação o fator desviador.
- E o verbo gerar, cujo significado é fazer nascer algo, tem como meio de se realizar
enquanto ação realizadora o fator gerador.
E o verbo esterilizar, cuja função é oposta, tem como meio para se realizar enquanto
ação o fator esterilizador.
- E o verbo magnetizar, cujo significado e função é dar magnetismo a algo, tem como
meio para se realizar enquanto ação o fator magnetizador.
Já o verbo desmagnetizar, cuja função e significado são opostos, tem como meio para se
realizar enquanto ação o fator desmagnetizador.
E o verbo cortar, cujo significado e função é partir algo, tem como meio para se realizar
enquanto ação o fator cortador.
Já o verbo unir, cujo significado e função é juntar algo, tem como meio para se realizar
enquanto ação o fator unidor.
Muitos são os verbos e cada um é em si a ação que significa e muitos são os meios
existentes no que denominamos por fatores de Deus.
Aqui, neste comentário, já citamos os verbos:
- Acelerar e Desacelerar;
- Movimentar e Paralisar;
- Abrir e Fechar;
- Trancar e Abrir;
- Direcionar e Desviar;
- Gerar e Esterilizar;
- Magnetizar e Desmagnetizar;
- Cortar e Unir.
São poucos verbos se comparados aos muitos que existem, mas são suficientes para os
nossos propósitos.
Tomemos como exemplo o verbo trancar e o fator trançador e vamos transporta-los para
uma linha de trabalhos espirituais e mágicos de Umbanda, a dos Exus trancadores, onde
temos estes nomes simbólicos:
- Exu Tranca-ruas, ligados a Ogum.
- Exu Tranca-tudo, ligados a Oxalá.
- Exu Tranca-giras, ligados a Oyá.
- Exu Sete Trancas, ligados a Obaluayê.
- Exu Tranca Fogo, ligados a Xangô.
- Exu Tranca Rios, ligados a Oxum.
- Exu Tranca Raios, ligados a Yansã.
- Exu Tranca Matas, ligados a Oxossi.
Se o verbo trancar significa prender, e se o fator trancador é o meio pelo qual ele se
realiza enquanto ação, então todo exu que tenha em seu nome simbólico a palavra
tranca é um gerador desse fator e que, quando o irradia tranca algo, certo?
E se tomarmos o verbo abrir e o fator abridor, temos uma linha de trabalhos espirituais e
mágicos de Umbanda, a dos Exus abridores, onde temos estes nomes simbólicos:
- Exu abre tudo – ligado a Oxalá.
- Exu abre caminhos – ligado a Ogum.
- Exu abre portas – ligado a Obaluayê.
- Exu abre matas – ligado a Oxossi.
- Exu abre tempo – ligado a Oyá.
E se tomarmos o verbo romper, aqui não citado, e o fator através do qual sua ação se
realiza, temos estas linhas de trabalhos espirituais e mágicos:
- Ogum rompe tudo – ligado a Oxalá.
- Ogum rompe matas – ligado a Oxossi.
- Ogum rompe nuvens – ligado a Yansã.
- Ogum rompe solo – ligado a Omulú.
- Ogum rompe águas – ligado a Yemanjá.
- Ogum rompe ferro – ligado a Ogum.
E temos linhas de Caboclos e de Exus com estes mesmos nomes:
- Caboclos e Exus rompe tudo.
- Caboclos e Exus rompe matas.
- Caboclos e Exus rompe nuvens.
- Caboclos e Exus rompe solo.
- Caboclos e Exus rompe águas.
- Caboclos e Exus rompe ferro.
Muitos são os verbos e cada um tem um meio ou fator através do qual se realiza
enquanto ação.
Por isto, afirmamos que a Umbanda é riquíssima em fundamentos e não precisa recorrer
aos fundamentos de outras religiões para explicar suas práticas ou os nomes simbólicos
dados aos Orixás, que são as divindades realizadoras do verbo divino ou as suas linhas
de trabalhos espirituais e mágicos, que são manifestadores espirituais dos mistérios do
verbo divino. Se atinarem bem para a riqueza contida no simbolismo da Umbanda
Sagrada, poderão dispensar até as interpretações antigas herdadas do culto ancestral aos
Orixás praticado em solo africano, porque Deus, ao criar uma religião, dota-a de seus
próprios fundamentos divinos e espera que seus adeptos os descubram e os aplique a
sua Doutrina e práticas, aperfeiçoando sua concepção do divino existente nos seus
mistérios.
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Texto JUS
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