sábado, 24 de fevereiro de 2024

Desenvolvimento mediunico - Como é ???


Apenas um apanhado geral de alguns estudos que estou repassando para vocês. Pois cada casa tem suas regras e fundamentos que deverão ser seguidos. Mas sempre procurando ajudar aqueles que querem entender um pouco melhor sobre o assunto. Axé!

 

O que é mediunidade???


Muitas vezes nos questionamos,sou um verdadeiro médium umbandista. Segue aqui algumas características de nosso compromisso com a umbanda!



 

O verdadeiro médium umbandista


Muitas vezes nos questionamos,sou um verdadeiro médium umbandista. Segue aqui algumas características de nosso compromisso com a umbanda!




 

Hoje não posso estou de preceito!!!

 


terça-feira, 6 de fevereiro de 2024

Novena para seu Zé Pelintra



Elementos necessários para a novena

Uma vela palito bicolor vermelha e branca ou uma
vela de novena(de 9 dias branca); duas fitas cetim
finas de + ou - 15 cm, uma vermelha e outra
branca. Caso seja a vela de novena a escolhida
acenda e deixe queimar até o final, no caso de ser a
vela palito a acenda e apague todos os dias, só no
último dia da novena deixe a vela queimar até o
final. No primeiro dia antes de inciar a prece
amarre na base da vela as duas fitas de cetim com
um único nó (nó não laço) e após isso faça a prece
com fé, fazendo o seu pedido, complete com a
oração que desejar. Repita o procedimento pelos 09
(nove)dias: primeiro o nó (total nove nós) e depois
a prece, no caso da vela palito apague e acenda de
novo no outro dia somente durante a oração, só no
último dia (9o) deixe queimar até o final. A vela de
novena fica todo tempo acessa. Alcançada a graça,
agradeça entregando em um dia gira num terreiro
uma garrafa de marafo (pinga) e duas fitas de
cetim de 1 metro cada (uma vermelha e outra
branca) para seu Zé Pelintra.

FAÇA SUA NOVENA COM FÉ CONFIANÇA
E ALEGRIA, E SUA GRAÇA SERÁ

ALCANÇADA!!!
SARAVÁ SEU ZÉ PELINTRA!!!
Cuidem para que tudo seja feito em local seguro.
































 

segunda-feira, 13 de novembro de 2023

꧁༒ ℂ𝔸𝔽𝔼𝕆𝕄𝔸ℕℂ𝕀𝔸 ༒꧂

 















Você já ouviu falar que é possível prever o futuro através da borra do café? Este oráculo é chamado de Cafeomancia, e é uma técnica árabe utilizada desde a antiguidade para o desenvolvimento da intuição. A cafeomancia afirma que o café é capaz de facilitar a comunicação espiritual, por isso a sua prática ajuda a aumentar a nossa sensibilidade e a nossa percepção espiritual.

Junte- se a nós para aprender a leitura deste oráculo milenar.


*Ebook ao final*


*Certificado de participação*


Materiais necessários:


☕Café

☕Xícara e pires branco

♨️Incenso

🕯️Vela



꧁ 𝖁𝖆𝖑𝖔𝖗 𝖉𝖊 𝖙𝖗𝖔𝖈𝖆 𝕽$ 35,00꧂



https://chat.whatsapp.com/KM0yKyahW4GEo08sfU7twl



*Neste curso você vai aprender:*


☕Como iniciou a prática da cafeomancia 

☕Algumas formas de consumo do café no mundo

☕A borra de café e os elementos

☕Preparo do Ambiente 

☕Preparando o café

☕Servindo o Café

☕Preparo da Xícara

☕Fazendo a Leitura

☕ Passado / Presente / Futuro 

☕Interpretando a Leitura

☕Como aprender a identificar as formas?

☕Significados dos símbolos


Todos esses materiais devem ser de uso exclusivo para a Cafeomancia ok 👇🏽👇🏽👇🏽

Xícara branca e pires 

Recipiente para o preparo do café 

Incenso

Cristais 

Vela da cor preferida 

E o que mais julgar necessário para proteção.






Qual o significado dos colares (guias) umbandistas?

 




Há muito tempo..
O uso de adereços como colares guias, talismãs e pulseiras é tão antigo, que não se tem uma
data certa de quando essa prática iniciou. O que pode-se constatar, é que eles sempre tiveram um
significado muito amplo por entre as culturas.
Para algumas tribos esses adornos protegiam de ataques de animais, de influências negativas
vindas de outros mundos e de inimigos de tribos rivais.
Dentes, unhas, maços de cabelos...
Os primeiros colares não eram confeccionados com miçangas coloridas e polidas como as guias
de hoje. Alguns elementos eram bem diferentes.
Crinas e unhas de animais, cabelos humanos, pedaços de ossos eram alguns dos
componentes das vovós da guia.
Ainda hoje, algumas guias são confeccionadas com dentes de animais. Já os maços de cabelo
humano (pelo menos na maioria) estão dispensados!

Representação atual
O uso da guias – principalmente pra quem usa uma grande quantidade – chama a atenção. É
comum a associação desses objetos à “macumbaria”. Forma pejorativa de se referir aos cultos
afro-brasileiros.
No livro Formulário de Consagrações Umbandistas, Pai Rubens Saraceni destaca que não há
nada de excepcional, incomum ou fetichista no fato de médiuns umbandistas usarem as guias para
proteção espiritual.
E ainda pontua “irmãos (ãs) umbandistas, não se sintam constrangidos (as) por usarem em público
colares ou “guias”, pois não é em nada diferente do que todo mundo faz”.
No livro ele também descreve a relação que reis, rainhas, imperadores dentre outras figuras
tinham com esses adereços. Nessa associação, cita o uso dos rosários pelos padres, que utilizam
esse elemento também como forma de proteção.
Tanto os indivíduos pertencentes as tribos, as religiões atuais e hoje mais precisamente o
umbandista, pretendem ao usar as guias e tantos outros elementos, é se proteger contra
influências externas.
Mas, em casa uma dessas crenças as fundamentações se diferem, surgindo em cada uma, um
sentido.
“A Umbanda tem fundamento é preciso preparar”. Nunca essa frase fez tanto sentido como
quando falamos sobre rituais consagratórios umbandistas.
A Umbanda tem os seus próprios ritos consagratórios. Que trabalham dentro da egrégora da
religião e que dispensam a réplica à ritos de outras crenças.
Colares Guias – Poder Magístico
As guias são imbuídas de fundamentos mágicos. Como dito, a Umbanda possui os seus
próprios fundamentos, mas esse assunto ainda é alvo de confusão pelos próprios fiéis.
Algumas pessoas se apegam a fundamentos do Candomblé ou de outras denominações e deixam
de lado o estudo magístico genuinamente umbandista.
E ainda, existem os que usam lindos colares, das mais variadas cores e formas. Mas quando
perguntado pelo significado deles, a resposta é vaga ou realmente não existe.
Rubens Saraceni fala sobre isso também no livro Formulário de Consagrações Umbandistas.

Como elas são?
As guias são feitas normalmente com miçangas, louça, cristal, contas de rosário, sementes como
as popularmente chamadas olho de boi e olho de cabra, búzios, pingentes de aço, coquinho e etc.
Algumas pessoas usam o nylon e outras o cordonê para transpassar os adereços. Essa escolha
será defina pela própria pessoa ou pela orientação do guia ou sacerdote.

Qual o objetivo?
São condensadores de energia dos guias da lei. Mas o que isso significa? Significa que elas
absorvem os acúmulos negativos dos campos eletromagnéticos, protegendo os médiuns contra
influências ruins durante o trabalho.
A guia assimila cargas negativas e não deixa que elas atinjam o médium incorporado. Ela também
pode ser usada no dia-a-dia como um pára-raio de energias pesadas. Energias estas, das
quais ninguém está imune do contato diário (a não ser que você esteja sozinho em um retiro no
alto de uma montanha, mas se isso fosse verdade você nem estaria lendo esse artigo).
Confecção
Na Umbanda as guias são confeccionadas após o pedido de alguma entidade ou até mesmo o
sacerdote, que irá dar a orientação correta sobre suas características e finalidade – contra quais
influências – ela precisa trabalhar.
Pode acontecer também, da pessoa intuir ou sentir a necessidade de montar uma guia. Então ela
pode levar isso a espiritualidade buscando sempre a orientação correta.
Cuidados
As guias precisam ser descarregadas, que nada mais é do que purificá-la das energias negativas
acumuladas durante os trabalhos. A periodicidade desse rito será a entidade que irá definir e
quando isso acontecer o médium precisa realizar os procedimentos de limpeza da guia.
As Guias
*devem ser cuidadas com respeito e carinho
*passar por defumação no início do trabalho
*deve ser usada por médiuns mais experientes, bem preparados ou quando pedidas pelas
entidades.


fonte:Umbanda EAD

Mediunidade

 





Ao estudarmos a mediunidade vamos abrir as portas do plano espiritual, e um mundo novo se abrirá a todos, por isto vamos iniciar nossos estudos, tomando principalmente consciência em nossos corações da presença sublime que

nos acompanha e protege e que chamamos "Anjo da Guarda"; assim na entrada'

da porta que separa o mundo da matéria do mundo espiritual vamos aprender a

estabelecer com este amigo laços fluídicos mais fortes, para termos proteção e ajuda a discernirmos aquilo que aprenderemos.


E o que é "Anjo da Guarda"?


E um espirito bem mais evoluido que o seu protegido e não tendo mais um

karma para si neste plano, assumem a missão de proteger e orientar um espírito do encarne ao desencarne e muitas vezes por várias encarnações sucessivas, são um adendo a nossa consciência, procurando nos intuir para o bem.Quanto mais próximos lhes permitirmos estar mais sua vibração natural formará um escudo de proteção fluídica a nossa volta. Este espírito jamais nos abandona e sua missão é velar, intuir pois acima de tudo ele é o guardião

de nosso espírito que está preso a matéria está a mercê do livre arbítrio e sofrendo as reações das ações passadas e presentes.


Porque estudar a mediunidade ?


Porque a mediunidade é uma séria responsabilidade assumida pelo espírito antes do reencarne e todo bom navegador consulta as cartas antes de largar ao mar. É um campo de estudo difícil e melindroso onde jamais devemos nos desviar da bússola da razão, pois estando presos a matéria difícil é distinguir com segurança em um campo fluídico onde se digladiam forças do bem e do mal. E por este motivo que devemos pedir em primeiro lugar a presença de

nosso "Anjo de Guarda" e jamais esquecer o ensinamento "orai e vigiai", pois a vaidade, o orgulho e a própria fantasia poderá levar um medium a mistificação, ao animismo e a traição a verdade.


E o que é a mediunidade ?


A mediunidade é a condição de um espírito encarnado através da sensibilidade receber e transmitir de diferentes formas, mensagens do plano espiritual, possibilitando o intercâmbio entre os dois mundos.



E o que é o médium?


É o elo de ligação entre o plano espiritual e o da matéria, um veículo que tanto será melhor quanto mais evangelizado esteja.


quinta-feira, 10 de outubro de 2019

Umbandista em extinção

Resultado de imagem para umbandista bater cabeça

Se você, ao entrar em um terreiro, pede licença e saúda os assentamentos e firmezas da casa;

Se você, ao ficar diante de um Preto Velho se ajoelha e pede sua benção;

Se você, ao se afastar de um guia ou do altar, sai de costas e permanece de frente para o altar;

Se você, ao conversar com uma entidade, se curva e abaixa o olhar em sinal de respeito;

Se você, ao tomar um passe, agradece de coração a entidade que o atendeu;

Se você, ao ganhar de um guia um gole de sua bebida, pega sempre o copo com as duas mãos;

Se você, ao ser convocado para um trabalho difícil, não se envaidece e se prepara com amor;

Se você, ao ser corrigido por seu Pai/Mãe de santo não se enfurece, mas entende que é para sua evolução;

Se você, ao encontrar seu Pai/Mãe de santo, toma sua benção, seja onde fôr;

Se você, ao cantar determinados pontos de umbanda ainda se emociona como no início;

Se você, ao perceber um erro de alguém, não critica, mas procura orientar da forma adequada;

Se você, ao não entender um ensinamento ou doutrina, questiona, pergunta, ao invés de fingir que entendeu;

Se você, ao ouvir comentários desnecessários dentro do terreiro os ignora e não se envolve;

Se você, ao faltar a gira ou em algum trabalho, pede desculpas aos seus guias por sua falta;

Se você, ao fim de um culto ou trabalho fica feliz e ansioso pelos próximos;

Se você, ao se sentir fraco, busca a ajuda de sua casa ao invés de se afastar dela;

Se você, ao presenciar algum problema em sua casa, não se omite e toma as devidas providências, mostrando-se atuante;

Se você, se preocupa tanto com o seu próprio desenvolvimento quanto com o dos outros;

Se você, tem respeito e amor verdadeiro por sua casa e entende o quão é difícil, em vários momentos, mantê-la...

PARABÉNS POR SUA POSTURA, MAS CUIDADO, VOCÊ É UM UMBANDISTA EM EXTINÇÃO. CUIDE-SE BEM, PRESERVE-SE PRECISAMOS MUITO DE VOCÊ! ❤

quarta-feira, 21 de março de 2018

Mironga de Preto Velho



Minha filha tem muita mironga ainda a ser feita por este nego velho! E quando digo velho não me refiro à idade no corpo físico que indica a senilidade, mas me refiro à caminhada evolutiva, pois o Espírito em si não tem idade, não tem sexo e nem cor racial, embora, a sua aura demonstre o quanto já caminhou.

Muitos filhos podem inté perguntar: mas Pai Firmino com tanta modernidade e avanços tecnológicos o senhor ainda acha que mironga funciona?
O homem moderno é muito prático e não tem tempo pra essas coisas de mironga não!
E aí nego velho vai dizer prá suncês: é uma pena que os fios não tenham tempo para entender e sentir a mironga que esse nego fala.

A mironga que me refiro é aquela nascida de um coração que aprendeu na dor, a não desfazer da lei do amor!

A mironga que falo é aquela que esclarece o filho de fé na hora do falador a não contrair mais débito com a Lei de Zambi!

A mironga que tento ensinar aos filhos de fé é aquela que tem por aliada no serviço de Nosso Senhor Jesus Cristo a humildade!

A mironga de nego velho é tentar dizer aos filhos que é melhor o entendimento do silêncio do que palavras ditas intempestivamente!

A mironga de preto velho é observar mais para saber agir evitando assim danos e sofrimentos alheios!

E suncês meus fios que estão nessa escola bendita com a professora mediunidade como é que estão fazendo a lição?

Quando estão na Terra os filhos só olham os fatos com a visão do agora, o que é um grande erro, pois esquecem que para o Espírito o ontem, o hoje e o amanhã sempre são vistos como momento presente.

Então meus fios aproveitem a oportunidade e ajudem aos negos velhos a fazerem suas mirongas: mirongas de paz, harmonia e de retirada dos quebrantos filhos do egoísmo, do ódio e da indiferença.

Naruê meu Pai!
Patacori Ogum!
Ogunhê!

Pai Firmino do Congo
Mensagem psicografada em 20/08/2006,
Mãe Luzia Nascimento.

A Culpa Foi do Obsessor



Legado de umbanda é sacerdócio
Onde cada um tem que cumprir sua missão
Muitos passam pelo terreiro...
Poucos são os que ficam vivenciando lição

Para muitos a escola Aruanda é boa
Quando atende aos seus anseios
Mas quando contraria ao que se quer
Valha-me Nossa Senhora, aí começa o desmantelo.

Tem filho de tudo quanto é qualidade
Tem até os que perderam a identidade
E no vaivém da vida deixa passar oportunidade
Eita povo mal-criado como faz complicadô
Bate cabeça no Conga, mas num se alembra de Nosso Sinhô.

Baiano de sua redinha olha os filhos que estão na corrente
Fico feliz quando encontro uma alma que não esta ausente
A Umbanda é boa baiano? E eu arrespondo: é sim senhor!
Mas prá trabalhar na umbanda num tem que ter cansador.

Tem filho injuriado e desconsolado também
Tem aquele que é sonhador e cá pra terra não vem
Prefere viver nas nuvens pra não machucar ninguém
Ainda tem o filho que faz birra feito criança mimada
Bastô a mãe levantar a voz já se acha injustiçada
Porque conselho dos guias e pró outros pra ela num serve nada!

Virgem minha Mãe Santíssima
Agora é baiano que num sabe quem tá errado?
Pois tem filho que avalia os outros, mas, num quer ser avaliado.
Leva a vida toda no aprendizado e adispois é reprovado

Não escolheu o amor como melhor opção
E daí passa o resto do tempo a fazer reclamação
No final diz que se enganou a culpa foi do obsessor!
E passa o resto da existência fazendo seu rezador
Lamuria, lágrima e arrependimento foi só o que ele lucrou.
Pois ao invés de trabalhar na Umbanda ele deu foi trabalhador!

É da Bahia meu Pai!
Salve o Senhor do Bonfim!

Baiano Zé do Coco
Em 27 de novembro de 2007
Médium Mãe Luzia Nascimento

Cocada Bichada Por Bagaço Inadequado




Na Bahia tem,
Tem lima, tem limão!
Na Bahia tem
Muitos baianos no chão...


Eita! minha moça esse tal de livre-arbítrio é patrimônio difícil de ser trabalhado por alguns filhos de Zambi.
Esse baiano daqui de minha redinha, fico a contemplar como os filhos gostam de complicar suas vidas e de agir equivocadamente.
Arbítrio significa sanção. E como tem filho fazendo sanções erradas! Quantas escolhas descabidas, quantas desnorteadas!
Toda vez que um filho age pelo impulso de sentimentos menores cai nas malhas da insensatez.
E olha que Zé do Coco, tá vendo muito filho se emaranhando no que não deve.
Não tenho uma linguagem rebuscada. Sou daquele que entende do coco que do seu bagaço dá uma boa cocada. Só que tenho visto muita cocada bichada por bagaço inadequado.
Eita! Seu livre-arbítrio como tem tanta gente que canta e decanta o senhor, mas não o usa corretamente.
Valei-me meu Senhor do Bonfim!
Valei-me minha Senhora dos Navegantes!
É da Bahia meu Pai!


Baiano Zé do Coco
Médium Luzia Nascimento
Em 03/10/2007

terça-feira, 10 de maio de 2016

O primeiro Preto Velho



Uma antiga lenda contada por velhos juremeiros do Nordeste diz que o primeiro mestre negro
que chegou no Brasil se chamava Joaquim. Este era seu nome de batismo cristão. Seu nome africano,
provavelmente em língua kimbundu, se perdeu.
Mestre Joaquim era sábio de nascença. Na Mãe África, em terras de Angola, desde cedo ele
observava os kimbandas ou curandeiros locais. Joaquim aprendia tudo o que via. Levado por um tio
materno, um grande kimbanda, ele recebeu cedinho a sua iniciação no culto.
Joaquim foi ensinado a observar a Natureza e a descobrir o mistério atrás de cada folha, raiz e
árvore. Mãe Ntoto, o grande Nkizi (espírito natural e transcendente) da Terra, acolheu o jovenzinho
e transmitiu sua bênção regeneradora a ele.
Crescido, o rapaz não teve tempo de formar família. Guerras tribais o levaram longe da aldeia,
onde foi aprisionado e embarcado para a distante nação brasileira. Desembarcando em porto nordestino,
foi vendido. Trabalhou na lavoura dia após dia. Quieto, mas não passivo, observou o
sofrimento de seu povo. Nas poucas horas de tranquilidade atendia aos doentes. Com o auxílio dos
espíritos de Mãe Ntoto, descobriu as funções das ervas que aqui cresciam. Preparava breves, poções
e mezinhas.
Quando tinha chance, amoitava-se e penetrava no mato, onde falava com os espíritos locais,
invocava os ancestrais e rezava aos Minkizi (o conjunto dos Nkizi).
Certo dia foi procurado por um índio velho, que administrava uma pequena propriedade de um
capataz branco. O índio tinha observado as atividades de Joaquim no mato e ficou muito curioso...
Uma amizade forte e espiritual nasceu deste encontro. Foi com este índio que Joaquim conheceu os
poderes da Jurema.
Numa noite ele bebeu da cuia de Jurema do velho tuxaua, sentiu seu corpo frio como a morte,
percebeu a mente crescer e ganhar asas... A alma de Joaquim voou pelos céus e viu as casas ficarem
pequeninas, a Lua ficar mais perto e as estrelas parecerem mais brilhantes. Lá no firmamento
parecia existir uma luz desconhecida e ele seguiu até lá. O luzeiro foi ficando mais perto e Joaquim
encontrou uma aldeia, com gente, casa e tudo. Um cacique desconhecido chegou perto dele e o
recebeu com alegria e dignidade. Joaquim entrara misteriosa na Cidade dos Mestres, na Aldeia do
Juremal! O que ele realmente viu e aprendeu lá nunca contou a ninguém. Mas quando voltou à terra
dos encarnados, ele não era mais um Joaquim, era o Mestre Joaquim!
O tempo corria e nosso mestre, ainda escravo, foi consumindo seu corpo no serviço desumano
imposto a sua raça. Um tarde ele se aconchegou depois do trabalho, fechou os olhos e morreu. Sua
alma foi levada novamente para a Cidade Santa e entrou triunfalmente no santuário da Mãe Jurema,
louvado pelos mestres e mestras, profetas e guerreiros.
Certa madrugada uns caboclos montaram uma mesa (sessão espiritual de jurema), cantaram e
abriram as portas reais. Os mestres do Outro Mundo foram baixando um após o outro. Tudo era
harmonia e beleza! Um caboclo maduro e mais escuro cantou:
“Mestre Joaquim, é kimbanda!
Veio trabalhar, é kimbanda!
Mestre Joaquim é de Angola,
é kimbanda! É kimbanda!”*
(Nos Pontos ou Linhos mais modernos e populares, a palavra “é kimbanda”, ou seja “é curandeiro”,
transformou-se em “esquimbanda”. Daí perdemos o sentido tradicional africano.)
Esta foi a primeira vez que Mestre Joaquim acostou (baixou ou incorporou na linguagem dos
juremeiros) e desde então começou seu eterno exercício de caridade, fruto do amor maior e da
ciência sublime. Mestre Joaquim de Angola, de cachimbo na mão e chapéu na cabeça: o Rei negro da
Jurema Sagrada! O tempo passou depressa... A Umbanda ainda não tinha nascido, mas Mestre
Joaquim já procurava outros agrupamentos para levar a sua missão. O negro bantu nunca temeu seus
ancestrais e sempre colocou suas almas benditas no coração quente que batia de saudades. Lá nas
praias do Nordeste, nas montanhas de Minas Gerais ou no sopé dos morros cariocas, nosso mestre
juremeiro africano batia sua bengala e dava seu nome: Pai Joaquim de Angola! Imagem da bondade,
da sabedoria e da humildade.
Quando a Umbanda veio a este mundo, gestada na luz de Cristo, no Axé dos Orixás e Minkizis e
abençoada pela energia dos pajés, Pai Joaquim foi um dos primeiros guias a se apresentar.
Afinal já era preto velho diplomado! Pai Joaquim baixou e nunca parou de trabalhar.
“Pai Joaquim, ê, ê,
Pai Joaquim, ê á,
Pai Joaquim veio de Angola,
Pai Joaquim é de Angola, Angola á!”
*Usamos neste artigo a palavra Kimbanda em seu sentido tradicional: curandeiro ou xamã
bantu. Não é, portanto, uma referência ao quimbandeiro ou praticante da Quimbanda, culto
sincrético com poucos elementos bantu.



por Edmundo Pellizari (RAS ADEAGBO) Fonte:Jornal de Umbanda sagrada


Prece-poema a “Pai Benedito de Aruanda”





Meu bondoso Preto-Velho!

Aqui estou de joelhos, agradecido constrito, aguardando sua benção.

Quantas vezes com a alma ferida, com o coração irado, com a mente entorpecida pela dor da injustiça eu clamava por vingança, e Tu, oculto lá no fundo do meu Eu, com bondade compassiva me sussurravas: ESPERANÇA.

Quantas vezes desejei romper com a humanidade, enfrentar o mal com maldade, olho por olho, dente por dente, e Tu, escondido em minha mente, me dizias simplesmente:

"Sei que fere o coração a maldade e a traição, mas, responder com ofensas, não lhe trará a solução. Pára, pensa, medita e ofereça-lhe o perdão. Eu também sofri bastante, eu também fui humilhado, eu também me revoltei e também fui injustiçado. 

Das savanas africanas, moço, forte, livre, num instante transformado em escravo acorrentado, nenhuma oportunidade eu tive. Uma revolta crescente me envolvia intensamente, porque algo me dizia, que eu nunca mais veria minha Aruanda de então, não ouviria a passarada, o bramir dos elefantes, o rugido do leão, minha raça de gigantes que tanto orgulho tivera, jazia despedaçada, nua, fria, acorrentada num infecto porão.

Um ódio intenso o meu peito atormentava, por que OIÀ não mandava uma grande tempestade? Que Xangô com seus raios partisse aquela nave amaldiçoada, que matasse aquela gente, que tão cruel se mostrara, que até minha pobre mãezinha, tão frágil, já tão velhinha, por maldade acorrentara. E Iemanjá, onde estava que nossa desgraça não via, nossa dor não sentia, o seu peito não sangrava? Seus ouvidos não ouviam a súplica que eu lhe fazia? Se Iemanjá ordenasse, o mar se abriria, as ondas nos envolveriam; ao meu povo ela daria a desejada esperança, e aos que nos escravizavam, a necessária vingança.

Porém, nada aconteceu, minha mãezinha não resistiu e morreu; seu corpo ao mar foi lançado, o meu povo amedrontado, no mercado foi vendido, uns pra cá, outros pra lá e, como gado, com ferro em brasa marcado. 

Onde é que estava Ogum? Que aquela gente não vencia, onde estavam as suas armas, as suas lanças de guerra? Porém, nada acontecia, e a toda parte que olhava, somente um coisa via... terra.

Terra que sempre exigia mais de nossos corpos suados, de nossos corpos cansados. 

Era a senzala, era o tronco, o gato de sete rabos que nos arrancava o couro, era a lida, era a colheita, que para nós era estafa, para o senhor era ouro.

Quantas vezes, depois que o sol se escondia, lá no fundo da senzala, com os mais velhos aprendia, que o nosso destino no fim não seria sempre assim, quantas vezes me disseram que Zambi olhava por mim...

Bem me lembro uma manhã, que o rancor era grande, vi sair da casa grande, a filha do meu patrão. Ingênua, desprotegida, meu pensamento voou: eis a hora da vingança, vou matar essa criança, vou vingar a minha gente, e se por isso morrer, sei que vou morrer contente. 

E a pequena caminhava alegre, despreocupada, vinha em minha direção, como a fera aguarda a caça, eu esperava ansioso, minha hora era chegada. Eu trazia as mãos suadas, nesse momento odioso, meu coração disparava, vi o tronco, vi o chicote, vi meu povo sofrendo, apodrecendo, morrendo e nada mais vi então. Correndo como um possesso, agarrei-a por um braço e levantei-a do chão.

Porém, para minha surpresa, mal eu ergui a menina, uma serpente ferina, como se fora o próprio vento, fere o espaço, errando, por minha causa, o seu bote tão fatal; tudo ocorreu tão de repente, tudo foi de forma tal, que ali parado eu ficara, olhando a serpente que sumia no matagal. 

Depois, com a criança em meus braços, olhei meus punhos de aço que deviam matá-la... olhei seus lindos olhinhos que insistiam em me fitar. Fez-me um gesto de carinho, eu estava emocionado, não sabia o que falar, não sabia o que pensar.

Meus pensamentos estavam numa grande confusão, vi a corrente, o tronco, as minhas mãos que vingavam, vi o chicote, a serpente errando o bote... senti um aperto no coração, as minhas mãos calejadas pelo machado, pela enxada, minhas mãos não matariam, não haveria vingança, pois meu Deus não permitira que morresse essa criança. 

Assim o tempo passou, de rapaz forte de antes, bem pouca coisa restou, até que um dia chegou, e Benedito acabou...

Mas, do outro lado da morte eu encontrei nova vida, mais longa, muito mais forte, mais de amor e de perdão, os sofrimentos de outrora já não importam agora, por que nada foi em vão...

Fomos mártires nessa vida, desta Umbanda tão querida, religião do coração, da paz, do amor, do perdão". 



(Escrito por Pai Ronaldo Linares, em 20 de Outubro de 1964

Linha e Arquétipo dos Pretos Velhos




O balanço do navio ainda enjoava. Não sei o que mais enojava, se era o balanço do navio ou a visão mórbida de tantos corpos de meus confrades empilhados e já sem vida. Se o mau cheiro e a falta de espaço ou ainda os grilhões que nos prendiam.
Triste sorte, quem são estes animais hominídeos que nos amarravam, batiam e subjugavam?
Zâmbi estaria revoltado conosco? Ou os Orixás se esqueceram de seu povo?
Pensando assim é que muitos dos nossos não puderam se aproveitar da oportunidade em viver a escravidão. Processo este que se por um lado mancha a história da humanidade, por outro, “lavou a alma” de milhares de espíritos que na carne sentiram o gosto amargo da prestação de contas com o Criador.Todos sabem que quando os africanos foram escravizados, a Igreja logo tratou de justificar isso,tirando nossa alma, assim fizeram com nossos irmãos indígenas. Claro, é mais fácil arrancar-lhe a alma ao ter que conviver com a consciência.
Não vou aqui estender aos interesses dos colonizadores ou acusá-los. Vou tentar mostrar o lado bom desta sangrenta moeda.
Acontece que na Mãe África as coisas não iam tão bem quanto parece nos contos. Nosso povo era bem desenvolvido, no entanto, totalmente dirigido pelo mito, este que ditava nossas diretrizes e no
qual justificávamos nossos atos. Atos estes nada bons.
É certo que o homem tem necessidade de conquista e expansão. Diferentemente dos índios, nos digladiávamos em busca de riquezas e poderio, o que é pior, justificando como vontade dos Orixás, foi assim que a tribo de Ogum, formada por homens geneticamente mais avantajados, pontificou este
Orixá como o Senhor das Guerras e da Milícia...
Neste sentido, o povo africano estava se distanciando da vida natural ou da conservação da vida,não foi diferente com nossos irmãos ocidentais que jogaram a culpa em Jesus e saíram conquistando terras pela lâmina da espada, bem, mas isso é dívida deles.Com a escravidão, nós tivemos a oportunidade de nos reconhecer como semelhantes, uma vez que a rincha em tribos era feroz. Subjugados tivemos tempo para pensar em nossos atos, fazer brotar a humildade, simplicidade, resignação e principalmente o amor à vida. Todavia, para os companheiros que chegaram nesta conclusão entendo que cumpriram com o propósito Divino, porém, não foi simples assim, muitos outros milhares caíram no ódio, vingança e toda sorte de sentimentos contrários à evolução necessária.Perdoar o seu algoz talvez seja a chave mais certa para a iluminação!
Sabedoria, eis o que simboliza a Linha dos Pretos Velhos, mas saiba leitor, esta sabedoria só existe pela vivência, por experiência, não se compra, não se lê, simplesmente vive.Humildade, sentimento este simples de entender. Se coloque como parte do meio que você vive.Ao invés de querer ser expoente, ou líder, ou coisa do tipo, procure somar, contribuir para solidificar.
Veja o Brasil, a fama da construção deste país recai nos ombros dos Europeus que casa alguma teria erguido sem os braços negros do nosso povo. A meu ver, mais vale o que é concreto do que é falácia.
Já no Astral o povo africano que tinha se redimido de seus débitos milenares, e já com a “alma lavada” foi convocado pelos Mestres da Luz a formar a linha de trabalho espiritual em auxílio dos encarnados, surge assim o Grau Preto-Velho, onde se assentaram os nativos africanos, que pontificava paralelamente com o grau Caboclo; enquanto os índios traziam a jovialidade, determinação e pureza natural, nós contribuiríamos com o culto aos Orixás, bem organizado. Com a experiência do ancião e a mandinga que cura e afasta todo mal.Desta forma iniciava um entrosamento perfeito e renovado no Astral que sustenta tantos encarnados nas mais variadas religiões.Assim é o arquétipo da linha dos africanos, baseado no ancião, no simples e sábio.
Estamos à disposição daqueles que apesar do coração oprimido ainda se permitem acreditar sem perder a fé e a esperança, levar graça aos desgraçados, amor aos desiludidos.
Mantemos o arquétipo do velho arcado, para que assim possamos nos aproximar dos humildes.
Somos os Pais Velhos, Preto-Velho, Africano, Saravá o Orixá!







por Rodrigo Queiroz

ditado por Pai João de Angola




Fonte: este texto faz parte da apostila que compõe o material de estudos do curso Arquétipos da Umbanda, desenvolvido e ministrado por Rodrigo Queiroz.

Preto-velho na Cultura Brasileira e na Umbanda



Pai Antonio foi o primeiro preto-velho a se manifestar na Religião de Umbanda em seu médium
Zélio Fernandino de Morais onde se estabeleceu a Tenda Nossa Senhora da Piedade. Assim, ele abriu
esta “linha” para nossa religião, introduzindo o uso do cachimbo, guias e o culto aos Orixás.
O “Preto-velho” está ligado à cultura religiosa Afro Brasileira em geral e à Umbanda de forma
específica, pois dentro da Religião Umbandista este termo identifica um dos elementos formadores de
sua liturgia, representa uma “linha de trabalho”, uma “falange de espíritos”, todo um grupo de
mentores espirituais que se apresentam como negros anciões, ex-escravos, conhecedores dos Orixás
Africanos.
São trabalhadores da espiritualidade, com características próprias e coletivas, que valorizam o
grupo em detrimento do ego pessoal, ou seja, são simplesmente pretos e pretas velhas com Pai João e
Vó Maria, por exemplo.
Milhares de Pais João e de Avós Maria, o que mostra um trabalho despersonalizado do elemento
individual valorizando o elemento coletivo identificado pelo termo genérico “preto-velho”. Muitos até
dizem “nem tão preto e nem tão velho” ainda assim “preto velho fulano de tal”. A falta de informação
é a mãe do preconceito, e, no caso do “preto-velho”, muitos que são leigos da cultura religiosa
Umbandista ou de origem africana desconhecem o valor do “preto-velho” dentro das mesmas.
Preto é Cor e Negro é Raça, logo o termo “preto-velho” torna-se característico e com sentido
apenas dentro de um contexto, já que fora de tal contexto o termo de uso amplo e irrestrito seria
“Negro Velho”, “Negro Ancião” ou ainda “Negro de idade avançada” para identificar o homem da raça
negra que se encontra já na “terceira idade” (a melhor idade). Por conta disso alguns se sentem desconfortáveis
em utilizar um termo que à primeira vista pode parecer desrespeitoso ao citar um amável
senhor negro, já com suas madeixas brancas, cachimbo e sorriso fácil, por trás do olhar de homem
sofrido, que na humildade da subjugação forçada e escrava encontrou a liberdade do espírito sobre a
alma, através da sabedoria vinda da Mãe África, na figura de nossos Orixás, vindo de encontro à
imagem e resignação de nosso senhor Jesus Cristo.
Alguns preferem chamá-los apenas de “Pais Velhos” o que é bonito ao ressaltar a paternidade,
mas ao mesmo tempo oculta a raça que no caso é motivo de orgulho. São eles que souberam passar
por uma vida de escravidão com honra e nobreza de caráter, mais um motivo de orgulho em se
autoafirmar “nêgo véio” e ex-escravo; talvez assim se mantenham para que nunca nos esqueçamos
que em qualquer situação temos ainda oportunidade de evoluir. Quanto mais adversa maior a oportunidade
de dar o testemunho de nossa fé.
O “preto-velho” é um ícone da Umbanda, resumindo em si boa parte da filosofia umbandista.
Assim, os espíritos desencarnados de ex-escravos se identificam e muitos outros que não foram escravos,
nesta condição, assim se apresentam também em homenagem a eles, por tê-los como Mestres no
astral.
No imaginário popular, por falta de informação ou por má fé de alguns formadores de opinião, a
imagem do “preto-velho” pode estar associada por alguns a uma visão preconceituosa, há ainda os que
se assustam “com estas coisas”, pois não sabem que a Umbanda é uma religião, e como tal tem a
única proposta de nos religar a Deus, manifestando o espírito para a caridade e desenvolvendo o sentimento
de amor ao próximo. Não existe uma Umbanda “boa” e uma Umbanda “ruim”, existe sim única
e exclusivamente uma única Umbanda que faz o bem, caso contrário não é Umbanda e assim é com os
“Preto-velhos”, todos fazem o bem sem olhar a quem, caso contrário não é de fato um “preto-velho”,
pode ser alguém disfarçado de “velho-negro”, o “preto velho” trabalha única e exclusivamente para a
caridade espiritual.
São espíritos que se apresentam desta forma e que sabem que em essência não temos raça nem
cor, a cada encarnação temos uma experiência diferente. Os pretos velhos trazem consigo o “mistério
ancião”, pois não basta ter a forma de um velho, antes, precisam ser espíritos amadurecidos e
reconhecidos como irmãos mais velhos na senda evolutiva.
Quanto menos valor se dá a forma, mais valor se dá à mensagem, e “preto-velho” fala devagar,
bem baixinho; quando assim se pronuncia, todos se aquietam para ouvi-lo, parece-nos ouvir na língua
Yorubá a palavra “Atotô”, saudação a Obaluaê que quer dizer exatamente isso: “silêncio”.
Nas culturas antigas o “velho” era sempre respeitado e ouvido como fonte viva do conhecimento
ancestral. Hoje ainda vemos este costume nas culturas indígenas e ciganas. Algumas tradições
religiosas mantêm esta postura frente o sacerdote mais velho, trata-se de uma herança cultural
religiosa tão antiga quanto nossa memória ou nossa história pode ir buscar, tão antigos também são
alguns dos pretos-velhos que se manifestam na Umbanda.
Muitos já estão fora do ciclo reencarnacionista, estão libertos do karma, já desvendaram o
manto da ilusão da carne que nos cobre com paixões e apegos que inexoravelmente ficarão para trás
no caminho evolutivo.
Por tudo isso e muito mais, no dia 13 de Maio, dia da libertação dos escravos eu os saúdo: “Salve
os Pretos Velhos! Salve as Pretas Velhas! Adorei as Almas! Salve nosso Amado Pai Obaluaê, Atotô meu
Pai! Salve nossa Amada Mãe Nanã Boroquê, Saluba Nanã!”.
Usamos para eles velas brancas ou bicolores, metade preta e metade branca, tomam café e
fumam cachimbo.

por Alexandre Cumino

quarta-feira, 13 de abril de 2016

Volta, Caboclo!




Vem das tuas verdes matas para o recesso da minha mediunidade saudosa dos teus benditos
fluídos!
Vem incensar minh’alma com o aroma da tua presença querida, fazendo ecoar em meus ouvidos

atentos, o “quiô” da tua vibração!

Vem trazer-me o calor das tuas palavras fluentes, traduzidas na sonoridade das folhas das
palmeiras quando se espanam no ar…
Quero, contigo, apanhar as folhas da Jurema para adornar todo o meu Juremá… Cruzar meu
caminho com galhos de arruda e enfeitar minha gira com ramos de guiné…
Vem… Traz o teu arco forte e a tua flecha certeira… Vamos, numa só vibração, penetrar no seio
da mata virgem, procurar o inimigo que lá se esconde e desarmá-lo, à pujança do teu braço forte!
Volta, Caboclo! Coloca em minha fronte o teu belo cocar… e entrosa em mim, tua essência pura
de aromáticos jardins, contida em tão pequeno frasco!
Como podes usar-me, tu, enviado bendito das falanges superiores, para cumprimento da tua
missão? A que sacrifícios se submete a tua aura, pois, sendo tão grande, consegue incorporar-se num
tão diminuto ser!… Mesmo sabendo-me o mais insignificante dos teus médiuns, rogo-te, com ânsias
desesperadas na voz e uma saudade torturante em meu coração: “Volta ao teu reino de luz onde

impera a verdadeira caridade! Volta ao teu pegi de amor onde te aguardam, ansiosos, os teus filhos de
fé e o teu modesto aparelho receptor…
As ondas vibráteis da minha mediunidade querem voltar a funcionar ao toque das tuas
abençoadas mãos… Teu regresso será uma festa emocional onde as lágrimas mal contidas se
confundirão com o sorriso de algumas criaturas que não sabem chorar…
Teu ponto riscado iluminado está… teu ponto cantado, entoado num só diapasão de voz, te
abrirá ao nosso meio, para aconchego dos que reconhecem em ti, um trabalhador no campo sublime
da caridade!…
Teu assobio atrairá a atenção daqueles que ainda te creem em missão no Alto e de pronto,
estarás entre nós, numa vibração harmoniosa que a todos envolverá.
Volta, Caboclo! Sem ti sou qual ave sem ninho… Pássaro sem asa… Árvore sem ramagens…
Volta, Caboclo… Minha cabana te espera… A copa dos arvoredos se cobre de flores ao ciclo
mágico da primavera… O perfume dos jasmins perpassa pelo ar e o caminho do teu regresso está se
aromatizando de incenso, mirra e de benjoim…
Curumins alegres – os teus curumins – vestidos de branco, irão espalhando, pela orla do vale,
pétalas cheirosas à tua passagem… Nos cuités, haverá a água de coco fresquinha, o aluá e o néctar
precioso que as abelhas produzem… Vem… Tudo se prepara para tua chegada… Os tambores saudarão
a tua vinda junto com os aplausos daqueles que respeitam e reconhecem o valor da tua gira!
Volta, Caboclo! Minhas mãos te buscam na sinceridade DESTA súplica onde se patenteia o meu
amor por ti e a gratidão ao Médium Supremo por me ter apontado para ser teu pequenino médium!
Volta, Caboclo… Volta…

Autor Desconhecido – Publicado por: Atila Nunes em Antologia de Umbanda.

Salve Maria Padilha



O que Falta na Umbanda?




O que Falta na Umbanda?

Dia destes, ao final de uma gira de desenvolvimento mediúnico, manifestou-se Pai João de Angola, o Preto Velho regente da casa.
Como de costume, acendeu seu cachimbo, cumprimentou os presentes e chamou todos para bem perto dele e após se acomodarem ele pediu que todos respondessem uma pergunta simples:
“ – Do que a Umbanda precisa?”
E assim um a um foram respondendo:
" – Mais união...”
“ – Mais estudo...”
“ – Mais divulgação...”
“ – Mais respeito...”
“ – Mais reconhecimento...”
Mais, mais e mais...
Após todos manifestarem suas opiniões, Pai João sorriu e disparou:
“ – Muito se diz do que a Umbanda precisa, não é? E eu digo que a Umbanda precisa de Filhos!”
Silêncio repentino no ambiente.

POMBA GIRA É OU FOI PUTA?!






 Bom, pra começar pombagira, pombogira, bombogira, todas essas nomenclaturas são corruptelas da palavra Bantu "Bongbogirá" que quer dizer exú. O costume adaptou essa palavra para denominar a companheira de Exu, o que é absolutamente aceito por elas.

Então, foram putas?
Não necessariamente, e essa questão é delicada. Estamos falando de uma religião (Umbanda) criada no começo do século XX, com espíritos remanescentes da escravidão, e de um Brasil precário e bem preconceituoso, onde a mulher era explorada das formas mais desumanas, e seus direitos praticamente não existiam. Quando esses espíritos começaram a incorporar traziam essa origem pobre, essa vida calejada, e sim, muitas foram putas para sobreviver, e isso era comum, pois se analisarmos o século XIX para trás a mulher era um objeto do homem.
Lembra da história de que a primeira impressão é tudo? Então, o estigma da puta ficou com as Pomba Giras.
Maaas esses espíritos souberam usar isso de forma maravilhosa, pois com esse rótulo levantaram a bandeira das que não tinham voz, pois toda mulher que sofria opressão as procuravam, por imaginar que por elas terem sofrido tanto poderiam acolhe-las, e era exatamente assim.
Mas então, eram putas? Sim e não. Alguns espíritos foram, outros não. Nem todas as Pomba Giras foram putas, muitas foram rainhas, condessas, advogadas, marquesas, trabalhadoras da indústria...mulheres comuns. Nós encarnados fantasiamos demais sobre a origem delas, que são trabalhadoras que passaram pela terra e trabalham no astral para auxiliar os encarnados.
Mas, porque estão sempre de peito de fora? Essas representações são somente imagéticas, herança desse passado, que particularmente, acho super válido. A Pomba Gira é um símbolo de poder feminino, e não acho que seja ofensivo mostrar o que os homens também mostram e não são reprimidos. Claro que em uma gira isso não acontece, é preciso que tenhamos essa consciência, afinal o espírito SEMPRE vai respeitar o livre arbítrio do seu cavalo, não colocando-o em situações constrangedoras ou perigosas.
Por fim, as que foram putas são maravilhosas e MOJUBÁ! As que foram da nobreza também são maravilhosas e MOJUBÁ! Vamos acabar com esse preconceito nosso também de recriminar as que foram putas, porque Exú não exclui, só inclui, né?! Axé!

Texto de Marcelo Moreno

"Magia do Axé"